domingo, 28 de fevereiro de 2010

Hipátia

Sempre me senti uma metade. E tudo aquilo que pensei que me faria sentir inteiro fez-me apenas me sentir a outra metade.

Gugu Keller

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sucesso e Fracasso

Sempre que sou autêntico, sincero e verdadeiro, sempre, enfim, que sou eu mesmo e nada mais, sou um grande, um gigantesco sucesso, ainda que pareça exatamente o contrário!
E...
Ainda que pareça exatamente o contrário, sempre que sou falso, hipócrita ou dissimulado, sempre, enfim, que me escondo atrás de máscaras, eu sou um grande, um humilhante fracasso!

Gugu Keller

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Minhas Músicas - "Menina de Minas"

Dizem que Minas Gerais é o lugar onde há mais mulheres belas e disponíveis no Brasil... Será que é verdade? Infelizmente, uma mineira que conheci e por quem me apaixonei, não em Minas mas aqui mesmo, em São Paulo, onde ela veio estudar, não se encontrava disponível. Foi nos meus tempos de faculdade. Na verdade ela acabou sendo a minha última paixão estudantil, que, não correspondida, terminou, algum tempo depois, sublimada nesta minha canção de melodia suave, quase uma canção de ninar, a minha "lullaby" particular. O verso Pomar onde floresce o coração do Brasil é uma referência ao fato de ela vir de uma cidade por nome Frutal...

MENINA DE MINAS

Chuva que cai
Lágrima e céu
Água onde rema um coração de papel
Ela se vai
Noite total
Escuro onde queima um coração de jornal

Boca que tem
Lábios de mel
Canto onde mora um coração de aluguel
Ela lá vem
Noite sem qual
Pranto que devora um coração de animal

Tanto quando Minas quer mar
Eu quero essa menina meu par
E tanto quanto Minas Gerais
Eu amo essa menina demais

Vento voraz
Verte no chão
Brisa que carrega um coração de algodão
Ela é de paz
Noite de frio
Divisa onde navega um coração de anil

Boca que quer
Lábios e mãos
Lugar onde se aquece um coração tão em vão
Se ela vier
Noite de cio
Pomar onde floresce o coração do Brasil

Tanto quanto Minas quer mar
Eu quero essa menina meu par
E tanto quanto Minas Gerais
Eu amo essa menina demais

Minas, teu Triângulo e Horizonte tão Belo
Canastra, Francisco e João
Menina, teu triângulo e perfume singelo
A tua flor é o meu pão

Gugu Keller

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Minhas Músicas - "Praça Pública"

Já vamos no décimo ano do século XXI e um casal que entre nós fizesse sexo em praça pública seria possivelmente linchado ou apedrejado e decerto preso, além de muito provavelmente se tornar, com a velocidade dos atuais tantos meios de comunicação, notícia bombástica nas telas do mundo inteiro, não é verdade? Já, enquanto isso, coisas como matar ou roubar diante dos olhos de todos à volta tornaram-se tão normais...

PRAÇA PÚBLICA

Ei, você
Você que aí vem passando
Me empresta um pouco o teu corpo
O teu copo e o teu comando
Ei, você
Você me ouve agora
Será que o teu coração
Tem vaga por uma hora?

Ei, você
Você que está aí parado
A vida de ponta a ponta
É um metro mal esticado
Ei, alguém
Se alguém houver aqui por perto
S.O.S., S.O.S.
O futuro está em aberto

Eu quero arrancar tuas roupas e te amar em praça pública
Fazer toda essa gente moralista enrubescer
Eu quero correr o risco de derrapar nas tuas curvas
Viver com medo é mais nefasto que morrer

Alguém me dê um dedo
Um dado novo que importe
Ou algo que reporte
Que eu não sou a exceção

Ei, você
Você que me traz desejo
Me empresta essa tua boca
Que a minha quer dar um beijo
Ei, alguém
Se alguém houver aí ouvindo
S.O.S., S.O.S.
Estamos submergindo

Eu quero rasgar nossas roupas e te currar em praça pública
Fazer toda essa gente ignorante estremecer
Eu quero correr o risco de me afogar nessas águas turvas
Ao que é mais forte é de mais sorte eu me render

Gugu Keller

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ONU

Hoje no México o presidente Lula fez um discurso bastante forte criticando a ONU por sua omissão na questão das Ilhas Malvinas. Pois bem... Isso me fez voltar à mente algo em que vira e mexe estou pensando, sabem? Como é, meus amigos, que, depois da guerra do Iraque, a ONU ainda pode existir? Para mim é algo simplesmente inconcebível! Afinal, contra a determinação da ONU - lembram? - os EUA e a Inglaterra invadiram o Iraque em 2003, destruiram tudo, mataram milhares de pessoas, torturaram à vontade os seus prisioneiros, como se cansou de ver em inúmeros vídeos que vazavam o tempo todo para a imprensa, tranformaram, enfim, aquilo em escombros, num verdadeiro caos a céu aberto, sendo que, depois de tudo, o presidente Bush e o primeiro-ministro Blair ainda assumiram pública e tranqüilamente que as tais armas químicas de destruição em massa que justificariam a guerra não existiam mesmo, como afirmavam de antemão muitos especialistas... E, mesmo assim, meus amigos, a menos que eu esteja enganado, a ONU não os expulsou!!! Ao contrário, continuam sendo dois dos países mais influentes!!! A sede da ONU, meus amigos, continua sendo em Nova York!!! Ou seja, fizeram o que fizeram, e, provavelmente por se tratar de dois países ricos e poderosos, ficou tudo por isso mesmo...! Será que ninguém pensa nisso? Será que eu é que sou um chato por fazer este tipo de observação? O que os amigos que me lêem pensam a respeito? Para mim, repito, é simplesmente inconcebível! Aliás, como que para zombar mesmo da nossa parca inteligência, hoje os EUA pressionam o Irã em razão do seu tal programa nuclear, baseando-se em diretrizes da ONU!!! E todo mundo acha normal!!! É mole? É brincadeira? Nossa! Às vezes eu me sinto vivendo numa espécie de planeta-hospício...
Se bem que, para nós brasileiros, o quanto eu disse acima até nos traz algum alento... É que ao menos podemos nos consolar com a clara constatação de que não é uma exclusividade nossa as principais instituições serem afinal grandes falácias, não é mesmo? A ONU para mim, meus amigos, já não é a Organização das Nações Unidas! É, isso sim, a Ostensiva Negação dessa União!!!

Gugu Keller

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Disfarce Preferido

Minha querida amiga, a escritora gaúcha Sheila Maseh, adora dizer que "nada é por acaso". É meio como que uma frase com a sua marca registrada, ela sempre a usa. Quanto a mim, concordo plenamente, até porque sou fascinado pelo livro de Jung que aborda justamente esse assunto, o fantástico "Sincronicidade", que inclusive recomendo a todos os que não o tenham lido. E, assim como a Sheila com o seu "nada é por acaso", tenho o meu próprio modo, de que gosto muito, de dizer essa mesma grande verdade... "O acaso, meus amigos, é apenas o disfarce preferido do destino!" É!

Gugu Keller

Arqueologia

Quero deixar palavras
Como quem deixa pegadas

Gugu Keller

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Projeções

Em toda a minha vida sempre amei apenas uma única mulher, que, através do anos, teve vários corpos e nomes. Talvez seja uma maneira de compensar o inequívoco fato de que, no meu corpo e com o meu nome, nesses anos todos, vários foram os homens que viveram.

Gugu Keller

Mais, mais, mais...

Adoro, no filme "Sociedade dos Poetas Mortos", um dos meus favoritos, a cena em que, na caverna secreta, numa das reuniões secretas, o personagem Charlie Dalton (Nuwanda), intercalando-o a frases musicais que produz com um sax, recita um poema que diz... "Gotta do more! Gotta be more!" Isso instiga-me, excita-me, mexe demais comigo! Sim, identifico-me plenamente! Tanto que, para mim mesmo em muitos pequenos papéis, e agora enfim também aqui para os amigos que me vêm ler, gosto de escrevê-lo em português, com pequenos adendos que me permiti...

Tenho que ser mais!
Tenho que fazer mais!
Tenho que viver mais!
É!
Tenho que morrer
Sem deixar nada para trás!

Gugu Keller

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Velórios - Três Frases Clássicas

Há três frases que são absolutamente clássicas em velórios. Dificilmente vamos a um em que não as ouvimos, todas as três...
A primeira, decerto a mais "obrigatória" delas, que normalmente se ouve várias vezes num mesmo velório, é aquela em que, com uma cara meio filosófica, alguém diz...
- É... Mas a gente não é nada mesmo...!
E depois ainda completa com alguma lembrança...
- Pensar que eu o vi na semana passada, coitado, tão alegrinho...
E, não raro, algum interlocutor conclui...
- É... Pra morrer basta estar vivo, né?
A segunda, esta bastante curta, normalmente se escuta quando o morto ou a morta era alguém de idade avançada ou que lutou contra alguma doença que acabou por lhe causar a morte. Costuma ser fruto da absoluta falta do que se dizer para alguém que sofre com aquela perda...
- Descansou, né?
E, ao consolado ou consolada, que tenta reunir forças, só resta responder...
- É... Descansou!
Finalmente, a terceira, também comum mesmo que talvez um pouco menos, normalmente é dita por uma tiazinha de cabelo azul sustentado por meio frasco de laquê e que exala um perfume que quase faz o defunto se levantar para vomitar...
- Gente... Você viram como ele está com uma expressão serena?
Aí, alguma outra tia responde...
- É verdade! Está até bonito, você não acha?
E a do cabelo azul conclui...
- Sim! Certamente encontrou a paz!

Gugu Keller

Epitáfio dos Periféricos

Todo suicida
Anseia por vida
E, a crer na mudança
Esbanja esperança

Gugu Keller

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ela

Se alguém, mesmo que a própria, perguntasse-me o que afinal por ela eu sinto... Nossa, que difícil...! São tantos e tão gigantescos os sentimentos e tão poucas e pequenas as palavras, não é mesmo? Mas creio que, para não fugir da pergunta, não sou disso, o mais sensato seria dizer que ela é hoje a razão pela qual, mesmo nos meus momentos de maior desânimo, eu sempre opto por continuar, por seguir em frente, por jamais parar de caminhar... Sim, hoje, mais do que nunca, é tudo por ela...! Tudo, tudo, tudo por ela...!

Gugu Keller

Paradoxos Polissilábicos de Auto Definição

Eu sou...
Um indolente produtivo.
Um subversivo educado.
Um guerrilheiro carinhoso.
Um comungante solitário.
Um psicopata inofensivo.
Um deprimido sorridente.
Eu sou apenas do meu nada testemunha às avessas.

Gugu Keller

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Labirinto...?

Outra expressão que não raro escuto e que creio, no mínimo, digamos, cafona, ainda que, desta vez, algo divertida e até criativa, é típica daqueles programas televisivos vespertinos, ou evangélicos de durante a madrugada, em que mulheres vão falar sobre seus problemas, principalmente os conjugais... Aí, a entrevistada vai fazendo aquele desabafo e tal, até que, a certa altura, querendo indagar sobre a vida sexual da infeliz, o(a) entrevistador(a) pergunta...
- Mas o seu marido tem te procurado?
Ou talvez...
- Com que freqüência ele te procura?
Ou ainda...
- Há quanto tempo ele te procurou pela última vez?
Não é fantástico isso? Não é uma expressão simplesmente maravilhosa? Ah, eu acho! O único problema é que dá uma estranha impressão de que a cama do casal é uma espécie de labirinto, onde o marido, então, quando quer fazer sexo, fica a procurar a mulher, que provavelmente, conclui-se, deve estar escondida, não é isso?
De todo modo, às casadas, tanto as que freqüentam esse tipo de programa quanto as que não, fica o meu voto de que sejam sempre bastante procuradas por seus maridos...! Mas não dificultem muito para eles essa procura, hein? Se se esconderem demais nesse labirinto entre lençóis, eles podem desanimar, ou, pior, decidir procurar em outros lugares...

Gugu Keller

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Pai de Família???

Outra expressão que escuto toda hora e que chega a me fazer doer os ouvidos é "pai de família"! Já ouviram? Na televisão inclusive, sobretudo naqueles telejornais mais dramáticos e sensacionalistas, é extremamente comum ouvirmos que um "pai de família" foi vítima de um determinado crime, ou que muitos "pais de família" estão desempregados, ou, ainda, que a vítima do acidente era um "pai de família"...! Então pergunto... Será que um pai pode não ser de família? Se um pai é pai, tem que haver uma mãe e um filho ou filha, certo? Do contrário, ele não seria pai, não é isso? Ora, um pai, uma mãe e um filho ou filha serão sempre uma família, ou seja, o pai sempre será "de família"! Tudo bem... Vamos que o pai não seja casado com a mãe de seu rebento... Parece-me que não muda nada, afinal um pai e seu filho ou filha, mesmo que aí sem se considerar então a mãe, já serão, de todo modo, uma família, confere? Ou seja, definitivamente não dá para ser pai sem o ser "de família"!!!
E ainda, creio, há outro problema... Ao usar essa infeliz expressão, "pai de família", fica parecendo que o sujeito, então, é pai de todos da família!!! Inclusive da mulher, a mãe de seus filhos!!! Como pode??? Se ele é "pai de família", há de ser pai da família toda, ora essa! Humm... Pensei uma outra coisa agora... Será que há também quem diga que fulana é "mãe de família"? Porque, se há "pais de família", deve então haver "mães de família", não faz sentido? E aí fica interessante porque a "mãe de família", dentro do mesmo raciocínio, será assim mãe também do pai, seu marido, que, como "pai de família" faz obviamente parte da família!!! Mas, se ele é "pai de família", pai também dela portanto, os dois então serão, afinal, além de marido e mulher, pais um do outro, e conseqüentemente filhos um do outro, e, incestuosamente assim, pais e irmãos dos próprios filhos, que, por outro lado, também serão seus netos...! Ademais, quando estes crescerem, se também se tornarem "pais e mães de família", tornar-se-ão também pais e avós de seus próprios pais/avós, ou seja, avós e bisavós deles próprios, e, ainda, cada um deles, tataravô de seus filhos e sobrinhos...
Contudo talvez eu afinal esteja errado... Parando para pensar com mais calma, talvez haja, no fim das contas, um sentido em se usar a expressão "pai de família"...! Ah, já sei! Sim, é isso! É, só pode ser! Esqueçam tudo o que eu disse acima! Acabo de entender! É! É importante, percebo agora, identificar um pai como "pai de família"! De fato! E sabem por que? É simples! É para não corrermos o risco de o confundir com um "pai de santo"! É, é isso! Enfim entendi! Nossa... E disse tanta besteira...

Gugu Keller

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Minhas Músicas - "Sambí"

Jamais pensei em compor um samba. Tanto que, no caso deste, o único que já compus, só percebi tratar-se de um depois que estava pronto. Mas gosto dele. É o tipo de samba que me agrada, daqueles para se cantar baixinho só com voz e violão. Ademais, como gosto de escrever coisas com diferentes tipos de "eu lírico", neste eu incorporei um bissexual, e daí título. Provavelmente jamais componha outro samba, a não ser, é claro, que novamente o faça sem querer...

SAMBÍ

Outro dia eu acordei
Cansado desta hipocrisia
Olhei no espelho e perguntei
De quem era aquela cara que eu via
Outro dia eu parei
E já sei que não há mais sentido
Se amiúde eu o neguei
Saúde é tudo enfim ser dito
Eu acordei, afinal entendi
E, entendido, sou grato de coração
Que ter os dois traz-me inteiro o aqui
Eu acordei, cansei de dizer que não

Outro dia eu acordei
Cansado de ficar calado
O tanto quanto eu me calei
Foi num pranto um nem estar acordado
De sol e lua a sorte grande eu vi
Marte/Urano, natal conjunção calor
Não só meninos ou meninas, mas bi
E assim eis aqui ao dois esta unção de amor

Outro dia eu acordei
E gritei, já não mais fico mudo
Para o eu mesmo eu me mudei
Já não isso ou aquilo, o tudo
Eu acordei fio gilete amolar
Meus ambos gumes certeiros, tanta paixão
Dualidade, plenitude de amar
Eu acordei, cansei de me dizer não

Gugu Keller 

Elaborando o Luto

Esta é uma história muito importante para mim mas, curiosamente, apesar de já ter acontecido há algum tempo, apenas hoje tive a idéia de a postar aqui para compartilhá-la com os amigos...
Perdi meu pai no dia 13 de julho de 1974, quando eu tinha 9 anos. Vítima de leucemia, ele se foi com a idade de 42. Aliás, diga-se de passagem, muitas vezes é uma sensação meio estranha pensar que, hoje, aos 44, eu já superei o tempo que ele teve de vida...
Mas o quanto quero contar não diz respeito a isso, mas ao fato de eu não o ter visto morto, ao menos não da maneira usual... Naquela sexta-feira - ele morreu de manhã bem cedo e foi enterrado no mesmo dia -, certamente abalada ao extremo, minha mãe fez a opção de não me levar ao velório. De todo modo, lembro-me bem de momentos do enterro, desde quando seguíamos o carro que transportava o caixão até a chegada ao cemitério e tudo mais... Havia muita gente e é claro que todos me davam muita atenção...
Foi quando ocorreu uma cena de que jamais me esqueci... O caixão havia sido levado para o interior da capela que há dentro do cemitério e as pessoas se aglomeravam ali. Meu avô e minha avó, os pais do meu pai, aproximaram-se de mim discutindo algo, e ele então me perguntou... "Você quer ver seu pai?" Ou seja, decerto houve uma última oração ali na capela do cemitério em que o caixão foi aberto ainda uma vez, e eles devem ter questionado entre si se eu devia ou não ser levado a ver o corpo. Contudo, assustado de um medo que até hoje não sei bem explicar, respondi que não, que eu não queria. Meu avô, por óbvio bom senso, não insistiu, e assim foi. Lembro-me, por fim, de que tampouco acompanhei a condução do caixão até o túmulo. Não assisti ao sepultamente propriamente dito. Fiquei com minha mãe ali próximo da capela, que dá de frente para a entrada principal do cemitério, até que as pessoas, algum tempo depois, começaram a voltar e novamente me davam atenção... Estava feito...
Pois bem... Os anos se passaram, eu cresci, fui compreendendo melhor a questão da morte e tudo mais, e, por algum motivo, aquela cena sempre me voltava à mente... De certa forma, eu agora ficava achando que devia tê-lo visto morto, que gostaria, até, de o ter visto... Hoje eu sei, minha terapeuta me explicou, que, do ponto de vista da psicologia, é importante, quando perdemos um ente querido, sobretudo tão próximo quanto um pai, que vejamos o corpo, que acompanhemos todo o ritual do enterro e tudo mais, já que isso ajuda muito em algo por que precisamos passar que se chama "elaborar o luto". Se perdemos alguém muito próximos e não vemos o corpo, fica um pouco mais complicado, segundo ela me explicou, esse processo tão complexo quanto necessário... É meio como se a pessoa tivesse sumido sem uma explicação, sem nenhum marco que de algum modo marque, simbolize aquele fato...
Mas algo extremamente surpreendente, de todo inesperado, impensável quase até, e que é afinal o cerne desta história, mudaria tudo quase 31 anos depois...
Era início de 2005. Naquela manhã recebemos com extremo susto a notícia do falecimento de uma tia minha, cunhada do meu pai, num terrível acidente. Como minha mãe não se encontrava em São Paulo, coube a mim representar-nos naquele momento. Assim, dirigi-me ao velório, onde permaneci junto a meus primos e outros parentes e amigos até a hora do enterro, no mesmo túmulo da família de meu pai. Eis que, quando chega o momento, já com uma pequena multidão ao lado do sepulcro, aproxima-se de mim uma prima, a quem, diga-se de passagem, eu não via havia muitos anos e me diz... "Gugu, deixe eu te dizer... Como o túmulo estava lotado, o mais antigo teve que ser exumado e, no caso, era o seu pai..." Até aí, tudo bem! Não senti nada! Achei absolutamente normal...! Contudo, seguindo, ela me aponta uma caixa de formato retangular, com mais ou menos uns dois palmos de altura por três de largura, colocada provisoriamente sobre o túmulo vizinho, e diz... "Inclusive os ossos dele estão ali! Ainda não foram encaminhados para o ossário...!" Bom... Estremeci na hora, né? Súbita e inesperadamente, 31 anos depois, ali estava afinal a chance de eu fazer aquilo que estranhamente tanto me incomodara por eu não ter feito...! Era só abrir aquela caixa e eu poderia ver os ossos de meu pai!!!
Duas coisas vieram-me então à mente... Uma foi a idéia de que tal coisa pudesse de algum modo me fazer mal, não apenas naquele momento como no porvir... A outra foi um certo constrangimento... O que pensariam, afinal, todos os que estavam ali se me vissem fazer aquilo? Julgar-me-iam talvez alguém de extrema morbidez...? O sepultamento da minha tia seguia, eu acompanhava a aflição de meus primos que haviam perdido a mãe, mas não conseguia tirar os olhos da caixa... Dúvida! Fazer ou não fazer aquilo?
Solucionei a segunda questão permanecendo ali após o enterro estar concluído. As pessoas começaram a se dispersar e logo estavámos apenas eu e os funcionários do cemitério que certamente a seguir levariam a caixa para onde houvesse de ser... Senti então que era um momento único! Era então ou nunca! 31 anos depois eu tinha a chance de fazer o que por medo não fizera e que sempre me incomodara por eu não ter feito...! Enfim decidido, fui à caixa! Colado nela com durex, observei, um papel com o nome de meu pai escrito. Puxei a tampa - era das que se encaixam por cima lateralmente, como as daquelas típicas caixas de giz - e a abri! Afinal, dentro de um plástico que em seguida também abri, lá estavam, acinzentados mas todos aparentemente intactos, nas minhas mãos e diante dos meus olhos, os ossos do meu pai! Quase 31 anos depois daquele 13 de julho, eu o estava vendo morto...!
Alguns dos poucos amigos com quem cometei a passagem chamaram-me de louco. Disseram que eu jamais deveria ter feito aquilo, que não me faria nada bem. Enganaram-se. Muito ao contrário, senti-me leve, quase aliviado por tê-lo feito! Minha terapeuta está certa! A danada, aliás, está sempre certa! Fiz algo que precisava fazer, fechei um ciclo, dei a mim mesmo uma resposta! Acabei, 31 anos depois, de elaborar o meu luto! E mais... Tive mais uma grande lição, meus amigos, de como esta vida pode ser sempre surpreendente...!

Gugu Keller

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Perfeição

Pois é... Uma semana e será carnaval...
Sabem, meus amigos, qual é a primeira coisa que, ano após ano, me vem à cabeça quando chega esta época do ano? É aquela música da Legião Urbana, "Perfeição", mais especificamente aqueles versos... "Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado..."
Incrível, né? Esta música, se não estou enganado, foi lançada em 1993 (três anos antes, portanto, da morte de Renato Russo), e é impressionante, quem a conhece inteira o sabe, o quanto ela continua atual... Melhor ainda, ou pior ainda, parece ficar cada vez mais com o passar do tempo...!

Gugu Keller

MST

Sabem que há algo que creio maravilhoso no MST, e que, deixo-o claro desde já, nada tem a ver com eles estarem certos ou errados em suas reivindicações? Sim, é verdade! Não importa se eles têm ou não razão, ou, se têm, até onde ela vai... Definitivamente, para o quanto quero dizer, isso não importa! O que realmente, ao menos para mim, é instigante e apaixonante nesses tantos acontecimentos que temos visto envolver essa tão polêmica organização é o fato de eles terem percebido o quanto é poderosa a união do coletivo! Isso, meus amigos, é absolutamente fantástico! É algo em que sempre pensei, sabem? Eles já perceberam que o estado, por sua clara falta de estrutura, simplesmente não tem como os deter. Não importa que o judiciário determine reintegrações de posse com relação às áreas ocupadas ou outras coisas assim...! Os "sem-terra" são tantos e os agentes públicos tão poucos, que simplesmente não há como essas decisões serem cumpridas! No Pará, para se ter uma idéia, há várias tomadas há anos que até hoje não foram efetivadas...! Não há como! Ademais, o MST claramente já percebeu também que, mesmo que uma desocupação seja feita aqui ou acolá, ao mesmo tempo pode-se promover várias outras invasões...! É! Se o movimento invade, então, digamos, dez fazendas, no tempo em que a justiça e as forças estatais levam para desocupar uma, outras dez já estarão também invadidas! É a grande lição de Ghandi, meus amigos! Poucos milhares simplesmente não podem oprimir vários milhões, se estes não o deixarem! E é justamente por isso, amigos, que eles assustam tanto! É por isso que eles despertam, e o tempo todo o temos visto na mídia, todo esse medo mal disfarçado de indignação por parte dos poderosos! Parabéns, então, ao MST por essa sua maravilhosa conscientização! Não importa, repito, se estão certos ou errados no rigor jurídico da questão... Parabenizo-os com extremo louvor por esse grande lição que eles nos dão acerca do quanto o coletivo é poderoso quando se une em torno de uma causa!
E, quem dera, meus amigos, fôssemos todos assim... Quem dera soubéssemos todos nos unir e articular dessa maneira contra as injustiças que sofremos, contra os absurdos que nos são o tempo todo empurrados goela abaixo... Querem ver uma coisa, um exemplo banal, apenas para dar uma idéia...? O que os amigos acham, por exemplo, da situação de nossas ruas e estradas em se levando em conta o quanto pagamos ao estado a título de IPVA? Acham que há uma contrapartida minimamente justa pelo que pagamos? Parece-me muito claro que passa bem longe disso, não é verdade? Então, considerando que o que tenho em troca pelo meu suado dinheiro são buracos e mais buracos, não seria justo que eu simplesmente parasse de pagar esse imposto? Tá, tudo bem... É claro que eu sei que, se o fizesse, meu veículo entraria na ilegalidade e estaria sujeito a ser apreendido...! Mas aí eu pergunto... E se, como os "sem-terra" do MST, as pessoas se articulassem, se unissem e todos fizessem isso? O que aconteceria? Teria o estado como apreender toda a frota? Teria um mínimo de estrutura para isso? Teria sequer onde pôr tanto carro? Ou seja, eu sozinho não posso nada, mas, ah, se estivéssemos todos juntos... Entendem os amigos o quanto quero dizer?
Com relação às greves é a mesma coisa... Sempre que há um movimento grevista por aí, ouvimos aquele velho refrão... "O povo unido jamais será vencido!" Mas o povo nunca se une pra valer! Salvo pouquíssimas exceções, as greves são sempre mal feitas, desunidas, medrosas... Vou dar como exemplo a minha própria categoria, os servidores do judiciário aqui de São Paulo... Apesar das inúmeras injustiças que temos sofrido nos últimos anos, sobretudo no que tange a um enorme arrocho salarial, jamais conseguimos nos organizar num movimento minimamente decente. As duas greves que testemunhei nesses dez anos em que estou lá foram absolutamente capengas, com boa parte dos funcionários, não sem razão, deixando de participar por medo de represálias e por aí vai... Ora... Numa greve de verdade, de um povo verdadeiramente unido para jamais ser vencido, todos participam, de modo que as portas do local de trabalho nem sequer são abertas até que os seus direitos - que ironia! - sejam respeitados! E, se uma única pessoa sofrer algum tipo de retaliação, por mais sutil que seja, a greve não acaba! Ou, se já tiver acabado, volta à carga! Isso sim seria uma greve de verdade, uma greve séria, consciente! Nós somos muitos, amigos, e nossos opressores são muito poucos! Quem dera soubéssemos nos articular... Quem dera fizéssemos como o MST... Quem dera tivéssemos aprendido a lição simples mas revolucionária daquele pequeno indiano e tivéssemos um mínimo de consciência acerca do nosso poder...
Mas não. Longe disso. Continuamos, isso sim, na nossa alienação, na nossa inércia, no nosso conformismo covarde que certamente é a nossa grande tragédia...!

Gugu Keller

Paz

Para encontrarmos a paz com relação ao que nos incomoda em nós mesmos, o que, em regra, infelizmente, pela complexidade de nossa psicologia, não é pouco, temos que ter força, coragem e determinação para mudarmos o que pode ser mudado, e, ao mesmo tempo, serenidade, resignação e sabedoria para aceitarmos o que não pode. Em outras palavras, é preciso lutar sempre, inclusive, por mais que paradoxal soe, contra um forte e constante ímpeto de o fazer contra o que definitivamente não vale a pena.

Gugu Keller

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tarde à tôa...

TARDE À TÔA... (Canção Inacabada)

Hoje à tarde eu tomei café com deus
Pondo açúcar, confessei-me a ele ateu
Veio o diabo e se sentou, juntou-se a nós
Sorriu amigo e nos propôs cheirar um pó
Eis que entrementes com as cartas chega a morte
A quatro truco, deus e eu sempre sem sorte
Passou-se assim um dia enfim sem solidão
Peguei meu troco e vim compor esta canção...

Gugu Keller

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Títulos Pornô

Fuçando em bancas de jornais, como sempre faço em meu horário de almoço, fico sempre impressionado com a quantidade de DVDs eróticos que hoje há por aí para todos os gostos... Se se entra numa sex shop, então, chega a dar vertigem... Mas é curioso como, conforme vamos amadurecendo, esse tipo de coisa vai perdendo o sentido... Aliás, chego a crer que esses produtos proibidos para menores de 18 anos os têm exatamente como público alvo! Eu, que já passava dos 30 quando surgiu o DVD, a não ser zapeando em algum quarto de hotel, nunca cheguei a assistir um pornô...! Lá por 84, 85, época em que apareceu o velho vídeo-cassete, quando eu tinha de 19 para 20 anos, aí sim, cheguei a ver vários desses filmes, até porque meus dois melhores amigos eram donos de uma locadora e tinham um grande acervo, de modo que a gente às vezes ficava vendo... Mas DVD? Não, nunca cheguei a comprar ou alugar nenhum...! É como escreve a minha amiga Sheila Maseh... A total banalização do erotismo, aliada à nossa oportunidade de amadurecer, vai aos poucos fazendo com que esse tipo de coisa deixe de ser excitante... Excitante, isso sim, diz ela, e eu concordo, é, conforme nos tornamos mais adultos, vermos alguém despido não de suas roupas ou lingeries, mas de seus medos, de suas angústias, de seus subterfúgios, exibindo, através das palavras, dos gestos, do olhar, não o seu corpo, mas a sua alma, os seus sentimentos, a sua luz, o íntimo, o âmago do seu coração...!
De todo modo, meus amigos, devo confessar que há algo nesses filmes eróticos que até hoje, e, com o passar do tempo, cada vez mais, me fascina... Os títulos! Sim, isso mesmo! Os títulos, os nomes dos filmes! É justamente por isso que os fico fuçando nas bancas... Para ver os títulos! Garanto a quem nunca o observou que são coisas simplesmente fantásticas! Querem alguns exemplos dentre os que vi recentemente? Aí vai... "A Colegial que Levou Pau", "O Band-aid Erótico", "Joãozinho, o Comedor de Éguas", "Academia do Power Guido", "Rebuceteio", "Rabo 1", "Rabo 2", "Pinaxoteca Nacional", "Senta no Meu que Eu Entro na Sua", "Anaconda", "Festa Anal Anual", "Ânus Nus a Anos-luz", "Cobra na Toca", "Cu por Cu, Sou Mais o da Malú", "Enrabando o Rabanete", e por aí vai... Digam-me... É ou não é maravilhoso? Quisera eu um dia trabalhar numa produtora desses filmes só para ficar inventando esses títulos...

Gugu Keller

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pontos Corridos

Outra expressão exaustivamente usada que não consigo entender...
Como bem sabemos os que gostamos de futebol e o acompanhamos, desde 2003 o campeonato brasileiro mudou radicalmente, e, diga-se de passagem, para muito melhor, a sua fórmula de disputa. Não mais temos finais, ou semi-finais, ou play-offs, mata-mata, essa coisa toda. Todos jogam duas vezes entre si, já que são dois turnos, com mandos alternados, e, no final, quem tiver feito mais pontos será o campeão. Perfeito. Muito mais lógico, muito mais justo, muito mais inteligente. Meus aplausos.
O que não entendo, meus queridos amigos, é que convencionou-se chamar essa fórmula de disputa de campeonato de "pontos corridos"! Então, aqui vou eu, o chato, outra vez... O que é um ponto "corrido"? Ou, melhor ainda, o que é "correr" um ponto? Pois, se os pontos são corridos, há que se "corrê-los", não? Será que alguém pode me explicar? Em caso positivo, faça-o logo, por favor, pois essa é uma que quero muito conseguir entender...!

PS... Que tal um campeonato de "pontos somados"?

Gugu Keller

Mulher Ideal

No inconsciente masculino, li, a mulher ideal é aquela em que se enxerga simultaneamente uma mãe, uma filha e uma prostituta, proporcionando-nos, assim, numa só pessoa, alguém que nos cuide, de quem tenhamos que cuidar e com quem possamos realizar nossas fantasias mais sinceras.

Gugu Keller