sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Esquina - Capítulo 15

Cinco anos haviam se passado, 20 de julho de 2003, 19 de julho de 2008, desde que, algumas semanas após ter recebido aquele inesperado telefonema do dr. João Silas, Rodrigo afinal concordou em ir vê-lo e dele recebeu aquela notícia que mudou tudo a respeito de Raquel, fazendo com que para ele, Rodrigo, o verdadeiro pesadelo começasse. E, em virtude justamente do quanto ouviu do ex-sogro naquele domingo, naquele maldito 20 de julho, faz também, pela diferença de apenas um dia, quase exatos cinco anos, um lustro, como dizem os rebuscados, que Rodrigo não vê diante de si, como vê agora, ainda com a calcinha dela numa de suas mãos, a de Natália, uma vagina. Uma linda, rósea, úmida, apetitosa, peluda na medida certa, a exalar seu típico e convidativo aroma e para ele aberta a se ofertar, vagina. Por uma fração de segundo, Rodrigo pensa em Flávia, dona da última que, cinco anos atrás, ele viu e chupou, e em Raquel, da que mais as duas coisas fez. Mas ainda no mesmo segundo ele volta a Natália, a dona desta, a da festa, e da outra festa, e com quem ele está nesta, que há de de algum modo ser eterna, a dois festa afinal.

A calcinha branca toca o branco da parede, que atinge antes de, após o arremesso, ir ao carpete que cobre o chão. Rodrigo e Natália, ela deitada, ele ainda de joelhos sobre a cama dela diante, trocam um novo olhar que mais do que trocam. Sim. Seus olhos se trocam, se tocam e se devoram. Atravessam-se, transpõem-se e saem cada qual pela nuca do outro. Não, nunca ninguém se olhou assim e tampouco a outrem um olhar assim retribuiu. Sobrevivente do deserto a contemplar no oásis a linda lagoa, de onde em instantes beberá a mais pura das águas, Rodrigo baixa seu corpo deitando-se e se ajeitando entre as pernas dela, cuja abertura ela aumenta para o melhor aceitar. Ele a abraça pelas coxas e, a meio palmo de seu rosto, e ele ainda a contempla antes de a tocar, eis, divina e definitiva, a vagina de Natália. O púbis, os pêlos, o grelo. O branco das virilhas, o róseo da mucosa. A forma dos lábios, o cume do clitóris. O aroma, o perfume, o hálito. Vagina. Vagina de Natália. Chulamente, a xana, xoxota, boceta de Natália. Sim. É. Eis Natália ali, pronta, aberta, oferta, a mostrar-lhe escancarado o seu íntimo e palpitante coração vulvar.

Tão vagarosamente quanto possível, Rodrigo aproxima sua boca entreaberta da porta do céu destrancada diante de si. Devagar, devagar, devagar, devagar. Bem sobre o vão, e bem de leve, primeiro o superior e depois o inferior, os lábios enfim tocam os lábios, e sentem os pêlos, a mucosa a suave tocar a mucosa. Antes de qualquer movimento, ele a deixa a sentir apenas o seu sobre ela respirar. Mais pela boca, ele respira quente, insinuante, salivante. A ponta do seu nariz, também bem de leve, entrementes também toca a vulva, e nele ele também sente os pêlos, e, com ele, dela sente o cheiro. Chuveiro. Cheiro cheio de chama. No chulo, cheiro de xana. Cinco anos, Raquel, Flávia, Natália. Cheiro, choro, chama. Vulva. Válvula a revolver a vida.

Com a lentidão de uma lesma, bem sobre onde os moleques em seu chulo chamam lesma, Rodrigo faz sua língua surgir entre seus lábios. Devagar, devagar, devagar. Toque, choque, e Natália estremece. Leve. Ponta da língua, pontada, coração.

Gugu Keller

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