domingo, 30 de setembro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A Esquina - Capítulo 4

Fernando jamais perdoou Rodrigo pela situação com a intercambista. Conforme, quase dez anos depois, já com ela casado, ele confidenciaria a Natália, "jamais", por suas próprias palavras, "sairia de sua boca o gosto amargo daquela 'traição'". No dia em que ele a ela tal frase disse, mesmo tanto se dando mais de ano antes do fatídico acontecimento na esquina, o que o potencializaria numa proporção simplesmente incomensurável, Natália, já não mais, àquela altura, conseguindo negar para si mesma a paixão que às escondidas do mundo lhe consumia, sentiu a cega e grossa faca da culpa atravessar-lhe o peito e sair vermelha pelas costas. Naquela mesma noite, a que se seguiu ao dia em que tal frase ouvira, no escuro, de costas para o marido que, a despeito do relembrado amargo restante da traição do ex-amigo, já parecia dormir, protegida pelo escuro, sem emitir qualquer som, Natália chorou. Chorou, chorou, chorou, chorou e chorou. Chorou um choro que, doravante, por mais que na maior parte do tempo sem soluços ou lágrimas, para sempre ela sozinha choraria.

Ainda quanto a Fernando, ainda no que se refere à atitude de Rodrigo com relação a Heather, no dia em que ela pegou o avião de volta para a Austrália, ele, Fernando, enquanto toda a família no aeroporto dela se despedia, em casa, sozinho, chorando amargamente o amargo de sua jamais tanta como até então amargura, decidiu paremptoriamente que não mais voltaria a falar com aquele que um dia fora, com aparência tão verdadeira, seu melhor amigo, seu até então único, grande e aparentemente tão verdadeiro amigo. Já quanto a ela, Heather, a intercambista, amargamente ele a odiou. Como jamais odiara, a odiou. Com um ódio que jamais concebera em si mesmo haver, a odiou. E tanto era o jamais concebido ódio que havia em si, que, lembrando-se dos planos que por ela fizera, ir um dia para Perth, ter com ela um dia em Perth, com ela para sempre um dia em Perth, ainda sobrou o bastante para, auto-envergonhado de sua másculo-ingenuidade, e com a boca seca de um fel-biliar amargor, profunda e derrotadamente odiar também a si mesmo. E Fernando passou aquela tarde chorando. E odiando. E odiou. E chorou, chorou, chorou, chorou e chorou.

Apenas para nunca mais ter que olhar para a cara de Rodrigo, a para ele agora cínica e falsa cara de Rodrigo, Fernando mudou para o turno da noite no último ano da faculdade, e, para uma inevitável mas, após sabido o porquê, compreensiva tristeza de seus pais, não participou, no início de 93, dos eventos comemorativos da formatura de sua turma. Apenas após quase dez anos, num casual encontro no museu, após o qual, conforme dito, ele disse à esposa aquela frase que transversalmente a esfaqueou, Fernando voltou a ver aquela cara, aquela para ele cínica, falsa e remontante a um passado a ser esquecido, cara de Rodrigo.

Gugu Keller   

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

Coração de Astronauta

... até que aparece alguém que nos faz ver que Gagarin estava certo: o mundo é azul!

Gugu Keller

sábado, 22 de setembro de 2012

Hunted Hunters

Passamos a vida à nossa própria procura. E, simultaneamente, de nós mesmos fugindo.

Gugu Keller

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Esquina - Capítulo 3

Trêmula, ao ter, como um sol a se pôr no horizonte do céu da sua boca, a glande a tocar-lhe a goela, Natália sente, misturado à culpa que alhures sempre lhe insiste, um imenso e intenso prazer a crescer e crescer. Prazer quase alívio, é como se ela se sentisse milagrosamente resgatada, içada, ressuscitada, enfim salva ao tocar uma bóia em meio à solidão oceânica de seu cotidiano desde a esquina. E já não é só a glande que lhe toca a garganta. É a vida que novamente lhe toca o corpo, o tempo que lhe volta ao relógio, o porquê afinal frente ao quê. Ela sorve, absorve, saliva, sibila. Engata-se, envolve, engole. Com as mãos de Rodrigo a agora afagar-lhe a cabeça e envolver-lhe os cabelos, Natália se entrega novamente, e finalmente, quer crer, de corpo e alma, ao doce vai-e-vem da existência, ao dulcíssimo enfim reecontrado vai-e-vem de uma vida, a sua, que há muito, muito, muito, não ia nem vinha. E eis enfim, Natália pensa, e sente, e, entregue, experimenta, sua boca cheia. Sim, ainda, e sempre, e talvez para sempre, cheia de culpa. Mas também cheia de prazer, cheia de Rodrigo, cheia de pênis. Sim. Pênis. Pênis de Rodrigo. Pênis, prazer, culpa. Loucura, lucidez, vida. Vida, vida, vida. Morte, morgue, sucção.

Três, cinco, oito, doze minutos. Ruidosamente, Natália traz lábios afora o membro róseo do seu amor. Como se se aliviasse de um descontrolado incêndio intra-tórax, também ruidosamente expira. Levanta o rosto rumo ao dele e novamente os olhares se cruzam. Como aquelas duas ruas, se cruzam. Como a vida dela, a dele, e a de Fernando, e a da doutora Ana Clara, naquela esquina, naquela noite, se cruzam. E Natália por um instante vê com nitidez que, sim, sua vida é mesmo um cruzamento, uma cruz, o cru, uma cruzada, o pênis de Rodrigo a poderosa lança com que doravante lutará contra os todos tantos inimigos, tantos todos tamanhos toda parte.

O novo olhar é trocado de um modo que, claramente para ambos, cada um agora tem para si em definitivo os olhos do outro. Um segundo, três, cinco e, após Rodrigo trazer-lhe carinhosamente para cima com as mãos em suas axilas, eis Natália novamente de pé diante dele. Olhos, halos, hálitos. Beijo. Beijo. Lábios, língua, beijo. Um segundo, três, cinco. Vinte. Vinte e cinco.

Rodrigo livra-se de seus sapatos e meias, e enfim da calça e cueca que à altura de seus tornozelos haviam ficado. Chamando-a com e pelos olhos, ele agora, mantendo as pernas para fora com os pés a tocar o chão, deita-se na cama no centro do quarto e, sem as dizer, faz Natália escutar duas breves palavras no imperativo...

- Chupa mais!

Mesmo não ditas, ela as ouve de pronto e, tomada por aquele prazer que mistura o da sua entrega com o de simplesmente se entregar, agora ajoelha-se entre as coxas abertas abrigo diante de si. Neste ângulo, o pênis lhe parece ainda maior, mastro, máximo, master monstro manso, e pensa, tentando de pronto sem êxito evitar pensar, que ele, o pênis de Rodrigo, conforme descoberto naquela noite, é muito maior do que o de Fernando, e culpa, e culpa, e culpa. E, ajoelhada, novamente ela o chupa. E culpa, e culpa, e culpa. E chupa, e chupa, e chupa. Joelhos no chão, ela chupa. Pés no céu, ela chupa. Céu no chão, ela é culpa. E chupa. Esquina, esquiva, escuro, explosão. Faixa, fluxo, farol, fatal, felação.

Gugu Keller

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Onde?

O que mais procuramos é o que procurar. E apenas achamos não ter o que achar.

Gugu Keller

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Wish

Grande parte do que desejamos é inominável, inexeqüível e, sobretudo, inconfessável.

Gugu Keller

terça-feira, 18 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Esquina - Capítulo 2

Sexta-feira, 12 de julho de 2002.

Até pela natureza de sua profissão, psicóloga, Ana Clara sempre foi alguém de índole extremamente liberal. Já atendeu, e ainda atende, tanto em seu consultório quanto no trabalho que desenvolve numa entidade pública que cuida de menores infratores, pessoas com os mais diferentes tipos de comportamentos e de problemas, de modo que o pequeno susto que levou ao dar com aquela figura tão feminina diante de si deveu-se única e exclusivamente ao fato de que, em virtude do nome, João Felipe Cordeiro dos Santos, ela obviamente esperava ter com um homem. De qualquer forma, sua experiência de já alguns anos permitiu-lhe disfarçar a surpresa com eficiência, e ela soube deixar desde logo à vontade o novo paciente, cuja figura chamava muito a atenção não apenas pela já citada feminilidade, mas também, e sobretudo, pela beleza. De fato, ele, ou ela, era lindíssima, ou lindíssimo. Acostumada, ao cabo de apenas uns poucos segundos, à nova situação, Ana Clara até já sentia em seu íntimo um quê de empolgação por estar diante de uma experiência profissional nova, ela que tanto sempre amou a psicologia, a mais fascinante, como ela mesma sempre diz, das profissões, vez que já trabalhou com vários pacientes homossexuais, ou bissexuais, mas nunca, como agora lá estava diante de si, um travesti.

- Tudo bem? - perguntou Ana Clara com um sorriso a tentar quebrar a até certo ponto natural timidez do primeiro encontro.

- Tudo bem! - respondeu o travesti que, após uma pequena pausa, perguntou a Ana num tom como a facilitar o desembaraço da situação... - Ficou surpresa ao me ver?

- Pois é... Pelo seu nome, João Felipe, eu não imaginava...

- Eu entendo. Vira e mexe, eu passo por situações assim...

- Mas fique tranqüila, viu? - disse confortadora enfim Ana ao travesti, referindo-se a ele já no feminino e meio que pondo um ponto final em qualquer possibilidade de constrangimento em virtude de sua tão visível opção. - Isso não tem nenhum problema no que se refere a nós desenvolvermos um trabalho, caso isso venha a ocorrer...

- Ok!

- Agora, você certamente tem um outro nome... As pessoas não te chamam de João Felipe, eu imagino...

- Eu uso o nome Andréa!

- Andréa?

- Sim! É como todos me chamam!

- Inclusive a tua família?

- Eu tenho uns problemas com o meu pai, sabe?

- Hum-rum.

- Mas, fora ele, todo mundo me chama de Andréa!

- Certo! Bem... Antes de você me falar sobre o que te trouxe a procurar a minha ajuda profissional, eu só preciso te fazer uma pergunta que é praxe num consultório de psicologia, tá?

- Sim! Sem problema!

- Quem foi que te indicou o meu trabalho? É que, se você for muito próxima de alguém que eu já esteja atendendo, aí pode ser necessário que eu te encaminhe para um colega, entende?

- Entendo. Mas não será preciso. Ninguém me indicou. Eu sempre passo na frente aqui e vi a placa na porta...

- Ah, sei...

- Aí, como eu não conheço ninguém que pudesse me indicar um psicólogo, e na placa aí na porta tem o número do telefone, eu resolvi marcar uma hora...

- Entendi. Está ótimo, Andréa! Sinta-se então à vontade para me falar sobre a razão, ou as razões, que te fizeram me procurar...

O travesti ficou sério. Fez uma longa pausa enquanto olhava bem dentro dos olhos de Ana Clara. Como se tomasse coragem, respirou fundo. Sensível e acolhedora, a terapeuta fez um importante adendo à sua última fala...

- Só uma coisa, Andréa... Nós estamos sob sigilo profissional, tá? Qualquer coisa que seja dita aqui, mesmo que você não volte, ficará apenas entre nós, ok?

- Ok! Obrigada!

- Então, fique à vontade!

Mesmo diante daquela profissional tão ao mesmo tempo séria e cativante, Andréa, acostumada mais do que ninguém às pérfuro-cortantes lâminas do preconceito humano, ainda algo hesitou, até que, afinal, para um alívio que ela própria não saberia descrever em seu coração, disse a Ana Clara...

- Doutora... Eu sou soropositiva! Eu tenho aids!

Gugu Keller 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Up

O tombo com que se aprende não derruba. Ao contrário, catapulta.

Gugu Keller

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sufocando

Há dias em que viver é um complicado rito. E qualquer dizer, um angustiado grito.

Gugu Keller

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Post Mortem

A inconcebilidade do nada é o que mais faz alguma continuidade parecer provável.

Gugu Keller

domingo, 9 de setembro de 2012

Pulmonar

Tanto quanto inspirando e expirando, estamos todo o tempo aprendendo e escolhendo.

Gugu Keller

sábado, 8 de setembro de 2012

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Esquina - Capítulo 1

São Paulo.

Sábado, 19 de julho de 2008.

Natália olha pela janela do 12° andar. Através do vidro, observa a cidade cinza, seca e fria numa tarde típica de inverno. Relembra aquela noite fatídica e, autopiedosa, analisa num amargo flashback a vida que tem levado nos últimos cinco anos, se é que de vida, pensa, o pode chamar. Dor, desespero, privação e, por outro lado, desejo. Um louco e rebelde, muitas vezes quase incontrolável, desejo. Desejo, desejo, desejo, desejo. Muito, muito, muito desejo. E, sempre dele conseqüente, culpa. Culpa, culpa, culpa, culpa. Tanto quanto o desejo, culpa. Uma constante, insistente e dilacerante culpa.

O perfume agradável e sedutor que Rodrigo usa, provavelmente mais por toda essa situação tão acumulada dentro dela do que pelo seu próprio aroma, parece-lhe ter tomado conta do ambiente. Natália o respira e treme. Nunca pensou que um perfume um dia lhe causasse vontade de chorar. Precipício. Ela olha pela janela e vê uma esquina. E pensa na esquina. E pensa que talvez pulasse. E oxalá caísse sobra a esquina. A esquina que vê, qualquer esquina, a daquela noite, aquela esquina. E tomara, pensa, tudo tivesse sido diferente. Tomara aquela esquina, a daquela noite, tivesse sido o fim. Não o fim que foi. Um outro fim. Um fim em que tudo tivesse acabado. Mas um tudo tudo, e não apenas o tudo que acabou mas que fez começar todo esse nada tão angustiantemente torturante.

Um minuto, dois, três. Mesmo sem ainda o ver, de pé ele no meio do quarto, Rodrigo sabe que, de pé ela ainda diante da janela, Natália chora. Ele não vê as suas lágrimas mas, como se uma chuva quente vidro afora fossem, inconfundivelmente as pode sentir. Quatro minutos, cinco, e ele lhe diz...

- É melhor eu ir...

Faz-se uma pausa. Ela não reage. Ele acrescenta...

- Quem sabe um outro dia...

Outra pausa. Quatro segundos, cinco, e lentamente ela se vira. A proficuidade das lágrimas, ele agora vê, impressionam. Banham bochechas, queixo e já pescoço. Igualmente já tendo em seu íntimo uma considerável hipótese de pranto, Rodrigo se sente, ninguém jamais o saberá, também culpado por entrementes ter o pênis em ereção. Mas, perto dela, de culpa ele não sabe nada. Ela sim, uma vez mais, e mais do que jamais, por ter a vagina inadiavelmente umedecida, sente uma culpa meio que espada, a, de um modo insaciável, com brutalidade a furar e fazer sangrar, vísceras, mucosas e tecidos.

Outros segundos, cinco, dez, quinze talvez, que decerto a ambos pareceram durar horas, e ele diz, num tom de já despedida...

- A gente se fala...

Um olhar recíproco. Precipício. Esquina. Esquiva. Mais um, dois, três segundos/horas e ele se vira empenhando um primeiro passo na direção da porta. Natália sente um tranco no peito. Como se se rasgasse corpo e alma, a alma afinal janela abaixo e o corpo enfim quarto e mundo adentro, ela parte para cima de Rodrigo como uma fera faminta diante da presa. Quase assustado mas de óbvio bom grado, ele, que já ia rumo à saída, sente os passos bruscos e para ela de novo se vira. Ela literalmente pula contra ele e o beija com loucura e violência, num encontro entre as bocas que quase chega a quebrar dentes. Empurra-o contra a parede, onde ele se encosta, e o segue a beijar com indescritível desespero. Literalmente morde-lhe lábios e línguas, e crava-lhe as unhas no pescoço a ponto de lhe fazer sanguinolentamente avermelhar. Orelhas, cabelos, ombro, braços. Tanto ela o quer, que quase já o devora. Beija, morde, apalpa, arranha, soca. Sua, baba e lacrimeja. Chora quente seu desejo contido e desesperado. A camisa que ele usa tem cinco botões, três dos quais a estão fechando. Em dois puxões ela os arranca todos, e a traz para baixo de um modo que, se Rodrigo não colaborasse com a operação, decerto a rasgaria, faria-a em trapos. Ela passa as unhas contra a barriga dele. Sente os pêlos, pele, calor. Ofegante, olha-lhe dentro dos olhos com um olhar que quase o atravessa e sai pela nuca. Um olhar que ele nunca viu e nem ela se saberia capaz de protagonizar. Agora ela baixa a sua mão direita e, por sobre a calça jeans que ele usa, aperta o volume pétreo. Faz com tamanha força que, se ele não entendesse e não fizesse parte da louca razão de tudo aquilo, indignado decerto protestaria de dor. Então, como se se rendesse à rendição mais necessária de sua vida, Natália se deixa cair de joelhos diante de Rodrigo, e, qual abrisse uma torneira ao meio-dia do mais escaldante dos dias, desabotoa o cinto, e a calça, e a puxa um palmo abaixo, e também a cueca, e eis o volume diante de si, a poucos centímetros de seus lábios.

Natália ergue o rosto e ainda olha para Rodrigo, que, baixando o seu, devolve-lhe o olhar. Uma nova troca de um algo indescritível, inominável, indizível, um último olhar entre condenado e carrasco, numa intimidade tal que a ambos faz ambos. E, como quase, ou do que quase pouco mais, havia feito naquela noite, Natália abre sua boca e, entregue afinal, faz nela entrar o que tem tanto, e por tanto tempo, tão desesperadamente desejado.

Gugu Keller 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Núcleo Solidão

Todos temos um íntimo que, por nossa inerente intransponível incomunicabilidade, é irremediavelmente incompartilhável.

Gugu Keller

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Dream Come True

Para melhor atingirmos a meta, concentremo-nos apenas no próximo passo.

Gugu Keller