sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A Esquina - Capítulo 20

A ponta da língua toca o clitóris. Devagar, devagar, devagar. Mexe-se, circunda, molha. Devagar, bem devagar. Bêbado do tanto que lhe bombeia o coração, Rodrigo baba. Saliva, selva, secreção. Secreta clitoriana ereção. Língua, lambida, lábios, labareda. Mel, céu, quarto de hotel.

Agora ele a lambe um pouco mais depressa. O ritmo cresce em P.A.. Abrindo um pouco mais as suas pernas, meio que com elas o envolvendo, Natália Rodrigo melhor aceita, melhor o ajeita a lhe chupar. Entrementes, a língua dele já passeia mais. Sempre a relar no pequeno cume, ela ao seu lado agora dança pela mucosa. Rósea, flórea, sumosa. Saborosa. Os lábios da boca aberta tocam a vulva e sentem os pêlos, o aroma, o hálito, o cálido. Sentem os lábios. Os lábios sentem os lábios e vice-versa. Com os braços, também ele a envolve no crescente do momento. Movimento. Suas mãos vão sob e por detrás da cintura e a apalpam forte quase no alto das nádegas. Cóccix. E ele chupa. Rodrigo chupa Natália. Lambe, sorve, suga, saliva. Suaviza. E, aos poucos, e cada vez mais, a vagina dela se abre, se entrega, se escancara, floresce, oferece. Beijo, boca, barba, baba, boceta.

Mas não, Rodrigo não está só ali. Sim, depois daqueles cinco anos, dor, dor, dor, dor, dor, eis, praticamente dentro da sua boca, uma boceta. Afinal, depois da de Flávia, na manhã daquele domingo, o maldito domingo, hoje a de Natália, uma boceta. Xana, xereca, chavasca, periquita. Sim, um lindo e delicioso capô de fusca. E Rodrigo chupa, e chupa, e chupa. Mas não. Definitivamente não está só ali. Não é só aquele o quarto de hotel. Não é só aquela a boceta. E ele se odeia por alguns segundos pelo fato de que, por mais que o tentasse evitar, chupando, chupando, chupando, eis de novo o passado chegando. Chegou. Empurrando o presente para o futuro, para um sempre longínquo futuro, um futuro por que Rodrigo já não suporta esperar, chegou. Maldito domingo, 20 de julho. E Rodrigo, chupando, de olhos entreabertos a milímetros do lindo púbis, vê tudo de novo vir vindo. Tentar não pensar é pensar mais. E ele pensa em Flávia, a última, o maldito domingo. E pensa em Luciana, e em Samanta, e em Inah, e em Débora, em Karina, e em tantas outras, muitas, inúmeras, dezenas, cujos nomes ele já nem lembra. São bocetas, bocetas, bocetas, até que, chupando a de Natália com cada vez mais fúria, ele chega em Raquel. E, mesmo sem ter tido qualquer culpa, ele se sente, de novo e como sempre desde então, culpado. Culpado sem culpa pela culpa que tampouco ela teve, mas que a ela ele tanto sem ter culpa atribuiu. Sim, Rodrigo perdoou-se. Sim, o dr. Clóvis Hernandez conseguiu. Ele entendeu que não há porque ter qualquer culpa. Perdoou-se pela sua demora em a perdoar pelo que ela não tinha feito. Mas, neste instante, mesmo chupando Natália vorazmente, sente-se culpado, agora apenas por ainda estar tão triste, agora apenas por ainda ser tão triste. E, triste, culpado sem culpa de volta ao presente, chupa. E Rodrigo compreende que não importa quantas sejam as bocetas, ou as Natálias, ou os perdões, ou os drs. Clóvis, ele jamais deixará de amar a sua Raquel, a sua tão amada e adorada esposa Raquel. 

Com voracidade Rodrigo chupa Natália, que, enlouquecida de desejo, cinco anos, treme, geme e se contorce. Três minutos, quatro, sete, e ela leva as mãos à cabeça dele, e, segurando-o pelos cabelos, exclama...

- Ai, que língua é essa?!? Como você chupa gostoso, seu puto!

Rodrigo chupa. E treme, e geme, e se contorce, cinco anos. Mas ainda pensa em Raquel, e, triste, chupando, imagina que, se não estivesse tão enlouquecido de desejo, o ritmo cresce em P.G., talvez derramasse lágrimas sobre aquela nova boceta em sua vida.

Gugu Keller 
 

10 comentários:

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    1. Obrigado, Jéssica! Tem acompanhado desde o início?
      GK

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  2. Hum, interessante. As vezes a culpa é se sentir culpado pelo o que não se pode mudar.

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    1. Depois do medo, a culpa é decerto o nosso pior inimigo.
      GK

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  3. Obrigado, Heloísa! E vc, tem acompanhado?
    GK

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  4. Obrigadíssimo! Conto contigo até o fim!
    GK

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  5. Estou extasiada! Simplesmente delirante!

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  6. Muito obrigado, Lilian! E vc, tem acompanhando desde o início?
    GK

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