sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Esquina - Capítulo 22

Eram cerca de 2:45 da madrugada daquele domingo quando Rodrigo foi embora da festa do Dudu. Apesar da surpreendente atitude de Natália de, num dos quartos da mansão, ter-lhe chupado o pênis por quase um minuto, ele percebeu que nada mais ia acontecer entre os dois naquela noite. A uma porque, se ela já parecia um pouco bêbada quando tresloucadamente fez aquilo, agora estava, via-se, de tão alcoolizada, totalmente fora de si. A duas porque Fernando, que de modo estranho quase não se levantou da poltrona onde logo que chegou se aboletou, estava também na festa afinal, e, desgraçadamente, num desses irônicos caprichos do destino, é logo ele, o seu ex-amigo Fernando, o marido dela, Natália. Assim, no referido horário, Rodrigo apanhou o seu carro e, lembrando-se por um momento da intercambista Heather, de quem nunca mais soube sequer se está viva, deixou a festa.

Em virtude do que ouviria do dr. João Silas algumas horas mais tarde, ou seja, ainda naquele domingo, o maldito domingo, Rodrigo nunca mais procuraria por Natália, nem, como no caso de Heather, dela saberia nada por muito tempo, sequer a respeito do grave acidente que sofreria ainda naquela madrugada, na verdade dali a pouco, alguns minutos antes das quatro horas. Em razão do que lhe diria o ex-sogro, com quem estaria por volta das duas da tarde, durante muito tempo Rodrigo ficaria sem ir a festas, como as que Dudu anualmente faz na mansão para comemorar seu aniversário, no início de leão. Sequer o próprio Dudu, o "rei da noite", grande companheiro dos tempos de faculdade, Rodrigo veria por quase cinco anos.

Por morar relativamente perto da mansão, estando o trânsito livre de madrugada na rua Hermann, o melhor caminho, Rodrigo não levou nem quinze minutos para chegar em seu apartamento. Lá, tirou a roupa que usava e vestiu um seu abrigo de moleton boníssimo de se usar para dormir no frio paulistano de julho. Ligou a televisão, zapeou por algum tempo e, sem achar nada interessante, logo a desligou e foi para a cama. Programou o despertador do seu celular para o meio-dia e, exatamente às 3:50, apagou a luz e se deitou. Três minutos depois, teve a impressão de ouvir ao longe uma brecada seguida de uma batida. Ruídos típicos, infelizmente, pensou, da madrugada na grande metrópole. Dez minutos mais e, também ao longe,  ouviu as sirenes que, nesses casos, costumam de certo modo confirmar o acidente, e que a seguir se dissolveram no contínuo rugido urbano que entrava pela janela em parte aberta apesar do frio. Sempre incomodado pelo decerto estressante encontro de logo mais com seu odioso ex-sogro, - o que afinal há de querer o desgraçado a esta altura? - Rodrigo levou quase uma hora para pegar no sono, de que despertou por volta das dez e quinze da manhã, uma hora e quarenta e cinco minutos, portanto, antes de tocar o despertador do celular, com seu pênis a se manifestar num petrificado estado de ereção.

Ainda que Rodrigo algo hesitasse em se masturbar naquele momento, o estado em que ele se encontrava logo se mostrou absolutamente imperativo no contrário. Rendido a si mesmo, pôs-se a manipular o membro e excitar-se ainda mais. Pensou um pouco em Luciana, com quem fizera sexo no fim de semana anterior, em Inah, com quem no anterior ao anterior, e em sua vizinha Flávia, com quem já umas cinco vezes apenas neste mês. Mas Natália logo se impôs. Sim, ele a desejava, e muito mais agora depois daquele momento tão amalucadamente surpreendente. Bêbada, como se disse, ela literalmente o puxou para um dos quartos da mansão e, após duas palavras e um beijo, deixou-se cair de joelhos diante dele e lhe buscou o falo calça afora, para gulosamente o meter em sua boca. A seguir, cerca de um minuto depois, mais surpreendentemente ainda, levantou-se e, parecendo deixar cair uma lágrima, saiu do quarto às pressas sem falar nada. E Rodrigo agora ainda parece sentir aqueles lábios, aquela língua e céu da boca a lhe envolver molhados a sensível mucosa do seu pulsante coração peninsular. A lembrar, pensar, rememorar, Rodrigo se masturba. Vai, vem, vai, vem, vai, vem, vai, vem. "Chupa, Natália! Isso! Chupa, Natália! Isso! Chupa, Natália! Isso!" Quando sente que vem o gozo, ele vai até o banheiro e mira na pia. O fluido quente e branco corre viscoso pelo azul escuro da louça enquanto, de olhos fechados, ele a imagina, Natália, a o engolir. Ao terminar, toma um banho de chuveiro e volta para a cama, disposto a esperar pelo aviso eletrônico agendado para o meio-dia para então se preparar para o tão desagradável encontro. Um pouco antes das onze, entretanto, é surpreendido pelo som da campainha. Levanta-se e vai abrir a porta. Dá com a vizinha.

- Flávia?

- Bom dia, meu querido! Ainda estava dormindo?

- Pra te dizer a verdade, estava acordado na cama... Mas você também acordou cedo para um domingo...!

A bela morena de olhos claros sorri brilhante.

- Pois é... Mas é que eu precisava te entregar uma coisa...

- Me entregar? O que?

Ela levanta dois palmos da curta camisola que usa e, sem calcinha, exibe-lhe convidativamente a vagina desnuda com os pêlos curtos e algo arruivados. E mantem-se sorrindo para ele.

Gugu Keller

8 comentários:

  1. Keller, eu estou curiosa para ler o romance A Esquina desde o começo. Admito que procurei, mas me enrolei e achei mais simples perguntar: em que mês e ano está o primeiro capítulo?

    Beijo!
    Isabela

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    Respostas
    1. Querida amiga...
      O primeiro capítulo está no dia 07/09/2012, e tem a freqüência de um por semana. Obrigadíssimo, viu? Tua leitura é uma grande honra para mim!
      GK

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  2. Obrigado, Fernanda!
    Darei o meu máximo para que adores até o fim!
    GK

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  3. Agora consegui ler toda a sequencia, espero não mais perder a ordem e acompanhar até o final. Estou adorando, aguardo ansiosa o próximo capítulo. bjs

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  4. Que legal! Adorei! Obrigadíssimo, viu? É uma honra para mim a tua leitura!
    GK

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  5. Ai, Gugu! Me rendi a ler tua história desde o princípio e agora me vem uma agonia por não ter o que ler, chegando a esse capítulo! Se mudar de ideia e quiser escrever diariamente a história teus leitores não se importarão não, hein? Hehehe. Estou amando! É muito envolvente e o tipo de coisa que eu adoro ler, que te prende a cada capítulo. Parabéns!

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  6. Ai, amiga! Que legal! Não imaginas o quanto me sinto feliz com este teu comentário... Mas é que, sobretudo quanto a escrever, sou muito metódico, sabe? Propus-me a que os capítulos sejam semanais e assim vou até o fim! Mas passa depressa! Parece que comecei outro dia e já estou quase na metade... Se nenhum imprevisto me atrapalhar, na sexta, dia 8, o 23° aqui estará postado. Obrigadíssimo por tua leitura! E pode criticar e dar idéias, viu?
    Bj!
    GK

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