sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Esquina - Capítulo 42

- ... e, aí, nós nos afastamos um pouco da sede do sítio, onde estava sendo o churrasco, e começamos a andar por um bosque que havia ali...

- Sei...

- Aí, uma hora, ela se encostou numa árvore e ficou me olhando... Parece que ainda posso ver aquela cena... Só nós dois ali... Ela me olhando... 

- Ham-ram...

- Aí, ela disse... "Posso te fazer uma pergunta?"... Eu disse... "Pode!"... "Por que você olha tanto para os meus peitos?"... Eu levei um susto, né? Jamais esperaria que ela perguntasse aquilo, assim, daquele jeito...

- Hã...

- Aí, eu falei... "Você reparou que eu faço isso?"... E ela... "Seu bobo! Toda mulher repara nessas coisas!"...

- E você olhava mesmo?

- Muito! Estava fascinado pelos peitos dela!

- São grandes?

- Nem tanto! Mas, sei lá... São perfeitos, sabe?

- Sei...

- Aí, eu disse... "Você quer saber mesmo por que eu olho?"... E ela... "Claro!"... E eu... "Porque eles são a coisa mais linda que eu já vi!"... Então, ela sorriu e disse... "Mas você nunca viu!"... E eu respondi... "Mas pelo pouco que eu consegui ver, sei que eles são!"

Uma pausa se faz. Rodrigo deixa cair uma lágrima. Alguns segundos e é instigado a continuar...

- E o que aconteceu então?

- Ela ficou me olhando por um tempo... Sorrindo... Estava tão linda... Aí, eu mal pude acreditar... Ela abriu a blusa...! E, depois, abriu o sutiã...! O sutiã dela tinha uma coisa diferente, sabe?

- O que?

- O fecho era na frente, entre os peitos!

- Sei...

- Aí, o abriu... E continuou sorrindo... O meu coração parecia que ia saltar pela boca... Eu nunca tinha visto nada mais lindo... E eu fui chegando perto... Chegando perto... E então ela me abraçou e levou o meu rosto aos seus peitos...

- E você os beijou? Os chupou?

- Não! Naquele primeiro momento, não! Eu apenas deixei o meu rosto encostar neles, e fiquei sentindo a pele, a textura, o calor daquilo, sabe? Foi uma sensação tão intensa, tão mágica... Jamais me esquecerei daquele momento... Era um sonho... O sonho mais lindo da minha vida...!

- E aí?

- E aí, ela puxou carinhosamente o meu rosto contra o rosto dela e nós nos beijamos por vários minutos...!

Foi Dudú quem, após quase cinco anos daquela tresloucada e infrutífera busca por sua amada Europa afora, onde além de ter passado fome e frio, ele chegou a enfrentar problemas com autoridades por ter estado em situação ilegal, literalmente resgatou Rodrigo de volta para o Brasil, arrumando-lhe um novo emprego e o encaminhando para um seríssimo tratamento com um respeitado profissional, o dr. Clóvis Hernandez, ao mesmo tempo psiquiatra e psicólogo. Diagnosticado com depressão, Rodrigo passou a fazer uso de um medicamento e a ter sessões semanais com o médico. Nesta, a nona, no dia 11 de julho de 2008, em que Rodrigo rememorou o início de seu namoro com Raquel, o dr. Clóvis recomendou-lhe tentar investir num novo relacionamento, mesmo que apenas, como por tanto tempo antes dessa crise foi-lhe comum, com o intuito de fazer sexo.

- Talvez eu pudesse ligar para a Natália...

- Natália? A da festa? A que era casada com o teu ex-colega que brigou com você por causa da intercambista?

- Ela mesma! A da festa na mansão do Dudú na véspera do meu encontro com o dr. João Silas! Eu fiquei sabendo que o marido dela, o meu ex-colega, morreu...

- Morreu?

- Sim! Em 2006! Uma morte horrível! Ele tinha ficado tetraplégico num acidente e morreu sufocado com o próprio vômito...

- Então ela está viúva?

- Ficou viúva, né? Não sei se atualmente ela tem alguém...

- Você achava ela atraente?

- Muito! Tanto que, como eu te contei, quase aconteceu naquela festa...

- Pois então procure-a! Quem sabe vocês vocês possam ter um reencontro...

- Vou ver se eu acho o telefone dela... Ou se consigo com alguém...

- Faça isso, Rodrigo! Mesmo que ainda pense na Raquel, é muito importante que, neste momento, você se dê a chance de voltar a ter relações com mulheres...!

Gugu Keller

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