sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Esquina - Capítulo 48

Gemendo, Natália a Rodrigo envolve pelas costas, e nuca, e cabelos. Ele então pela primeira vez recua e, a seguir, novamente, empurra-se para dentro. E recua. E empurra. E recua. E empurra. E recua, e empurra, e recua, e empurra, e recua. E o ir e vir aos poucos se acelera. Loucura, entrega, vertigem, viagem. Como tanto tanta dor em sua vida, o pênis dele dentro dela vai e vem. Como tanto tanta na sua, na vagina dela o dele pênis vem e vai.

Momentos e, já agora com alguma velocidade, eis a gangorra da vida em seu metronômico sobe e desce. A tocar o colo do útero, o pênis, a cada estocada, vai dentro inteiro. Sim. Membro ao centro, bem-vindo empalamento. Meridional cárdio-fálico acoplamento. É todo o dele no tudo dela, que, resgatada de um si mesma entrevado até então, balbucia a misturar imperativo e gratidão...

- Isso, querido! Me fode! Vai! Assim!

Um minuto, dois, três minutos. Como se sem fim aplaudissem a mais bela das danças, os dois púbis se batem marcando compasso, e palmas, e palmas, e palmas e mais palmas. E Rodrigo em Natália entra e sai. E entra, e entra, e entra. E sai, e sai, e sai. E vai, e vem, e penetra, e recua, e afunda, e emerge. De pernas abertas, escancaradas, ela, a cada vir dele, chega a sentir sobre o ânus, como num eco dos encontros pubianos, os testículos, que adivinha carregados, a igualmente a golpear. E, com a fúria de um faminto, Rodrigo mete. E, com a gana de uma insana, Natália o pau recebe. Quatro minutos, cinco. E ele a envolve com os braços por debaixo de seu corpo. E, com as mãos ainda em suas costas, e nuca, e cabelos, um pouco mais a ele ela, também com as pernas sobre as pernas.

Dez minutos, doze, e eis Natália de quatro sobre a cama. Duro como pedra, o pênis mais ainda vai profundo, rasgando, rompendo, invadindo, infiltrando. Sonda petrolífera em fenda estreita dir-se-ia. Sim. Broca na parede, dinamite na caverna, prego na madeira, flecha que transpassa. E, alvo, totalmente alvo, ela geme ainda mais. Geme, treme, pende, grunhe. Louca alada perde o leme. Sim. Lânguida, lunar, ei-la loba a quase uivar. E o pau entra mais, e mais, e mais, e mais. Colo do útero o prepúcio a beijar.

Quinze minutos. De lado. Vinte. Ela sobre ele. Vinte e cinco. Ambos de pé. Meia hora. Ela "frango assado" com os pés nos ombros dele. Trinta e cinco. No chão. Quarenta. Carrinho de mão. Até que, suarentos num oceano de hormônios, ambos simultaneamente pressentem o momento e, num encaixe de instantâneo acordo tácito, preparam-se para o clímax, para aquele único momento da vida em que, mesmo que depois já não mais, tudo afinal valeu a pena.

Novamente ele a possui de quatro sobre a cama, com a diferença de que, desta vez, ela já em seguida se deixa deitar de bruços, e ei-lo sobre as suas costas, as mãos a por baixo envolver-lhe os peitos.

Os movimentos recomeçam novamente algo lentos para logo já tornarem a se acelerar. E vai o pênis vagina adentro, e recua, e entra, e volta, e invade, e retoma, e penetra, e puxa, e traz, e leva, e enerva, e domina, e conquista, e se crava, e ali eis. Rodrigo fecha os olhos. Sim, o gozo está próximo. Contudo, depois de cinco anos sem fazer sexo, mesmo o momento máximo estando tão iminente, sua mente de repente parece não mais estar ali, ou só ali, e ele pensa em Raquel, e na traição em que putativamente por tanto tempo acreditou, e na sua mão cortada pelos cacos, e ele pensa em Flávia, e em Adriane, e em Bárbara, e em Fernanda, e em Tânia, e em Beatriz, e em Rebeca, e em Ana Maria, e em Carla, e em Paula, e em Samanta, e em Inah, e em Débora, e em Karina, e em Taynara, e em tantas outras, tantos outros nomes de que não se lembraria um terço, e no dr. João Silas, e naquele maldito domingo depois da festa do Dudú, e na revelação, e no desespero que então sentiu, e na viagem, Inglaterra, França, Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Áustria, Suiça, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Rússia, terminais rodoviários, aeroportos, universidades, museus, agências de emprego, balcões de hotéis, teatros, cinemas, hospitais, fome, frio, falta de dinheiro, retorno, dr. Clóvis Hernandez, e pensa, e pensa, e pensa, olhos fechados, e pensa, e mete em Natália, e vai gozar, e pensa, e aumenta os movimentos, e a agarra pelos ombros, e pelos cabelos, e mete, enfia, vai esporrar, mais, mais, mais, e pensa de novo em Raquel, e no pacto que tinham, que, nem mesmo no auge de sua desvairada vingança de traído ele conseguiu quebrar, e pensa, lá mas longe, longe mas lá, hotel, cama, entrega, vertigem, vai gozar, até que, para sua surpresa, ainda antes que ele goze, Natália, como se tivesse ouvido aquele seu derradeiro divagar, decide lhe fazer um último pedido...

Os movimentos recomeçam novamente algo lentos para logo já tornarem a se acelerar. E vem o pênis vagina adentro, e recua, e entra, e volta, e invade, e retoma, e penetra, e puxa, e traz, e leva, e enerva, e domina, e conquista, e se crava, e ali eis. Natália fecha os olhos. Sim, o gozo está próximo. Entretanto, depois de cinco anos sem fazer sexo, mesmo o momento supremo estando tão iminente, sua mente de repente parece não mais estar ali, ou apenas ali, e ela pensa em Fernando, e na traição quase consumada na festa do Dudú, e na bebedeira, e na esquina, e na dra. Ana Clara, e em seus crimes, homicídio culposo, lesões corporais gravíssimas culposas, homicídio doloso, vômito, Calú, vômito, Fernando, macarronada, vinho, bolo de chocolate, refrigerante, café, colher de pau, revólver, eutanásia, morgue, dr. Clóvis Herandez, notícia triste, tetraplegia, Tears For Fears, U2, Depeche Mode, futebol, tornozelo, esquina, esquina, esquina, e pensa, e pensa, e pensa, olhos fechados, e Rodrigo mete, e ela vai gozar, e pensa, e ele aumenta os movimentos, e a agarra pelos ombros, e pelos cabelos, e mete, enfia, e ela vai molhar tudo, e ele mete mais, mais, mais, e ela pensa de novo em Fernando, e em Rodrigo, e na festa ela chupando, e sente culpa, e chupa, e culpa, e chupa, culpa, chupa, culpa, chupa, e a culpa a chupa, e ela pensa, olhos fechados, e se vê no seu banheiro, cadeira de rodas, manoplas, masturbação, Rodrigo mete, vai esporrar dentro dela, e ela pensa, Fernando, vômito, afogamento, asfixia, e pensa em Sâmia no espelho, que, uma vez mais, longe, São João da Boa Vista, mas lá, hotel, cama, entrega, vertigem, abre a blusa roxa e, a sorrir mostrando-lhe os peitos, diz... "Dá o cu pra ele, Natália!"

Um segundo, dois, três. Natália pensa, pensa, pensou. Com um gesto do seu braço direito, ela sinaliza a Rodrigo para que ele pare o movimento por um instante e tire o pênis de dentro dela. Mesmo a muito pouco de gozar, imaginando que a posição possa estar para ela de algum modo desconfortável, ele o faz e se ergue um pouco, aliviando-lhe do seu peso. Mas logo ele entende que, não, ela não quer sair de baixo. Quer, isso sim, como se tivesse ouvido o seu derradeiro divagar antes do gozo, fazer-lhe um último pedido...

Mantendo-se deitada de bruços, Natália abre ainda mais as pernas e, separando com as mãos as próprias nádegas, a Rodrigo oferece, róseo e convidativo, o seu ânus, dizendo-lhe, nova e imperativamente, aquelas três mesmas curtas palavras...

- Vem! Me fode!

Gugu Keller 

4 comentários:

  1. O clima aqui está , digamos, quenteee....

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  2. Pois é... Tomara que esteja bem descrito...!
    GK

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  3. Bem descrito,e delirantemente explícito. 0.o

    Beijos!!!

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  4. Obrigadíssimo! Não sei se vc leu desde o começo da história... Em caso negativo, e se o quiser, o primeiro capítulo está em setembro do ano passado!
    Bj!
    GK

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