sábado, 14 de setembro de 2013

Absurdolândia 13

Ainda que a hipocrisia seja um princípio generalizado e seguido à risca na Absurdolândia, questionam certos estudiosos da vida absurda, não sem razão, se é apropriado classificar os representados pelas vinte e seis estrelas abaixo da faixa como "hipócritas passivos", qual comumente se faz e acima se explicou. Segundo aqueles, apesar da hipocrisia ser inequivocamente desenfreada e absurda no país, os lá menos favorecidos são desde a infância tão massacrados por esse estado de coisas, que, e também por lhes ser negado, como se viu no capítulo anterior, um mínimo em termos de educação, eles seriam muito mais vítimas dessa hipocrisia do que participantes dela a ponto de poderem ser chamados de "hipócritas passivos". De todo modo, mesmo que sob um ponto de vista didático, já que estamos estudando aqui a Absurdolândia, valha a pena mencionar o interessante questionamento, tal não muda nada o que ocorre na prática. A Absurdolânida, e assim tem sido através dos tempos como outra obviedade que clandestinamente ulula, apenas deixaria de seguir os seus basilares princípios e de ser o que é se ocorresse uma entre duas coisas... A primeira seria se a elite absurda, os representados pela estrela de cima, deixasse de lado o seu egoísmo e a sua hipócrita indiferença para com seus compatriotas menos favorecidos e passasse a ter uma atitude altruista desejosa de construir algo que efetivamente se pudesse chamar de "nação". A segunda se operaria  caso a maioria absurdamente oprimida, os das estrelas de baixo, sejam eles hipócritas passivos ou apenas vítimas, tomasse consciência de que, sendo numericamente muito mais do que os seus vampiros parasitas, sem dificuldade poderia reverter a coisa se minimamente se unisse e organizasse para isso. Eis a simples e irrefutável teoria. Em ambos os casos, é nítido que, tendo a Absurdolândia os infindáveis potenciais que tem, tudo mudaria em três tempos. Tristemente, contudo, como a história tem mostrado através dos séculos afora, difícil é dizer qual das duas coisas é menos provável.

Gugu Keller

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