segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Absurdolândia 15

O penúltimo elemento da bandeira a ser estudado, referente também à faixa elíptica, diz respeito à sua cor, o branco. Em sintonia com os dois princípios sobre ele inscritos, o branco hipocritamente simboliza o fato de tratar-se de uma terra onde impera a paz. E, sim, sempre hipocritamente, a Absurdolândia afirma-se,  com veemência e tradição, um país essencialmente pacífico. Mas é que essa hipocrisia, que, se não fosse trágica beiraria a piada, fraudulentemante apega-se no fato de não ser a Absurdolâdia um país que amiúde se envolva em conflitos externos. De fato, ao longo da sua história, isso pouco aconteceu. Contudo, absurdamente, a violência que desde sempre há em seu território é tamanha que não constitui nenhum exagero classificá-la como um país em constante guerra civil. Para se ter disso uma idéia, anualmente na Absurdolândia o número de homicídios cometidos é superior a 50.000, 136 por dia, sendo fato notório que outros milhares não entram nessa estatística porque, devido à completa desestrutura do estado absurdo, sequer são registrados. Ou seja, números absurdos, que fazem desse país que categoricamente se afirma pacífico um lugar onde se morre de modo violento muito mais do que em qualquer área, por exemplo, do oriente médio. Mas esses números ainda não incluem as mortes no trânsito, que, por si só, equivalem a uma outra guerra civil ano após ano sendo travada na Absurdolândia, já que estamos falando de mais 40.000 mortes anuais, ou 109 diárias, sendo que aqui há também uma gigantesca quantidade de mutilados, que não raro enfrentam a invalidez como conseqüência dessa guerra. Se somarmos o número de homicídios cometidos anualmente na Absurdolândia com o das mortes no trânsito que no mesmo intervalo lá ocorrem, temos a cifra aproximada de 100.000 óbitos por ano diretamente conseqüentes da violência, números que muito bem ilustram a hipocrisia basilar de uma nação que, tradicional e absurdamente, tanto se afirma pacífica, e disso aos quatro ventos se enaltece.

Gugu Keller 

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