quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Absurdolândia 18

Terão observado não apenas os referidos e explicados vexilologistas, para quem, como se disse, a Absurdolândia é um verdadeiro paraíso, mas também o leitor comum que conosco veio até aqui, o interessantíssimo fato de que, por o retratar com tamanha precisão em sua simbologia, a bandeira do país é a única coisa que a ele se refere que não é hipócrita nem absurda. Tal folclórico paradoxo ficou lá popularmente conhecido como "jeitinho absurdo". Sim. Trata-se de uma expressão auto-referente do povo absurdo que retrata o modo como no dia a dia lá, seguindo e segundo o lábaro, costuma-se agir. Então, numa espécie de ode a esse curioso paradoxo da bandeira, tudo o que se resolve evadindo divisas, burlando a lei, desrespeitando o próximo, aviltando a cidadania dos menos favorecidos e/ou incrementando a prática da hipocrisia e a concretização do absurdo de um modo geral faz parte do chamado "jeitinho absurdo". Coerentemente, diga-se de passagem, os caras-de-pau são os principais usuários e beneficiários desse tal "jeitinho". E são inúmeras as modalidades que o caracterizam... Furar filas, desrespeitar sinalizações de trânsito, estacionar sobre as calçadas ou em vagas reservadas para deficientes, pagar propina para fiscais, subornar agentes públicos em geral, cobrar para emitir notas fiscais, deixar de as emitir, alterar o hodômetro do automóvel para vendê-lo como menos rodado, comprar habilitação para dirigir, falsificar documentos em geral, mentir descaradamente em processos judiciais, fazer consultas médicas através de convênio alheio, comprar produtos piratas com plena ciência disso, furtar objetos da empresa em que se trabalha, não devolver uma carteira perdida ao dono ou devolvê-la sem o dinheiro que nela havia, etc, etc, etc. E é claro que, totalmente alheios que são, conforme já se explicou, a qualquer senso de nação ou de bem estar coletivo, os absurdos não só lançam mão desse seu popular "jeitinho" dioturnamente, como, de modo sintomático, muito orgulham-se disso, crendo-se sempre mais espertos e melhores do que os outros, mais capazes no que tange àquela sua cultura de "levar vantagem em tudo". Por outro lado, em nome do a isso referente princípio, quando alguém é flagrado por uma câmera, uma reportagem ou o que seja praticando o "jeitinho absurdo" em alguma situação, hipocritamente o tenta negar ou, se não for possível, justificar com alguma mentira deslavada.

Gugu Keller

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