terça-feira, 24 de setembro de 2013

Absurdolândia 23

Terá estranhado o leitor dotado de bom senso o fato de, no capítulo anterior, termos nos referido aos representados pelas 26 estrelas abaixo da faixa na bandeira absurda como "excluídos", mesmo decerto já estando mais do que claro que é exatamente o que eles são. É que, compreensivelmente, choca a quem pensa de modo minimamente lógico conceber que em alguma situação os excluídos possam ser a maioria, e uma maioria tão esmagadora. Mas sim. Na Absurdolândia é assim. Em nome dos dois decisivos princípios, que, conforme até aqui temos visto, a tudo lá impregna, a realidade absurda é sempre meio que pelo avesso, ao contrário, distorcida, e, de fato, quando o assunto é cidadania, dignidade, acesso, bem estar, a regra e a exceção são freqüentemente invertidas. Amiúde o que deveria ser uma é a outra, e vice-versa. É que a Absurdolândia, que de um modo absolutamente hipócrita auto-proclama-se uma república democrática, é, na prática, como de fácil constatação, uma plutocrática monarquia absolutista nos exatos moldes do que era comum na idade média, em que toda a não pouco riqueza é destinada exclusivamente à insaciável e nababesca farra dos nobres, ao passo que para a plebe, quando muito, restam migalhas. De sorte que, sim, por estranho que soe, na Absurdolândia a esmagadora maioria eis em flagrante exclusão, enquanto uma pequena minoria, 1/27, empanturra-se de poder ao mesmo tempo em que, competentemente, elabora as sempre mentirosas manobras políticas através das quais mantêm  impecável a aparência de seu óbvio travestismo institucional, a ponto de, como já se viu, com as próprias vítimas, ou hipócritas passivos, os 26/27, tão mais no tão menos, omissivamente poder contar para a, em respeito à bandeira, perene manutenção do absurdo.

Gugu Keller

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