quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Absurdolândia 24

A Absurdolândia é o país do mundo onde mais se paga impostos. Sempre com alíquotas absurdamente altas, estão embutidos em praticamente tudo. Raríssimo é o comportamento humano que em terras absurdas não gera algum tipo de obrigação tributária. Ademais, com um claro e óbvio intuito de aumentar a absurdidade da coisa, os impostos lá são muitos não apenas no que se refere ao quanto se tem de pagar, mas também no que tange aos seus diferentes tipos, naturezas e denominações. As legilações tributárias absurdas, que, quando para favorecer o estado, numa adequação do amarelo do losango ao princípio maior da hipocrisia, aí sim, incisivamente valem, bem como toda a parte burocrática no que respeita à contabilidade com que se calcula a sua aplicação, são extremamente complexas e confusas, de modo a, hipócrita e absurdamente, dificultar os procedimentos dos excluídos e facilitar os dos caras-de-pau que deles buscam de algum modo se eximir. Assim, para os menos favorecidos, vez que os impostos estão embutidos em em praticamente todos os produtos básicos, comumente, e sorrateiramente, já que o (pseudo) cidadão médio na Absurdolândia sequer tem a devida noção disso, compondo mais da metade de seus preços, não há como fugir desses tributos. Já para os poderosos, que, através do "jeitinho absurdo", como já se viu, sempre levam vantagem em tudo, é extrema e impunemente fácil, em regra via corrupção, elemento primordial do folclore absurdo de que adiante mais detalhadamente se falará, os sonegar. Assim, de novo ao avesso do bom senso, na Absurdolândia quem tem menos paga mais e vice-versa. Até porque  vê-se com clareza, de modo absurdo quem tem menos paga mais justamente para que quem tem mais cada vez mais mais tenha. E novamente vice-versa. É. Hipocrisia e absurdo. Às custas da plebe, a nobreza se empanturra. E, travestida em seriedade, esta daquela o sangue suga. Sim. Na Absurdolândia é assim.

Gugu Keller

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