quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Absurdolândia 25

É claro que não seria tão relevante o fato de a Absurdolândia ser o país onde mais, e do modo mais injusto, se paga impostos no mundo se houvesse uma contrapartida minimamente justa por parte do estado. Mas também é claro que, sendo os princípios basilares da vida no país aqueles que já sabemos, passa-se muito longe disso. Numa típica gíria absurda, o que o povo lá recebe em troca dos pesados tributos que paga é uma bela de uma "banana", ou seja, praticamente nada. Ou, numa outra expressão deles, é tudo "gato por lebre". É certo que, hipocritamente, como não poderia deixar de ser, as leis absurdas, o papel amarelado, garantem de um modo extremamente abrangente a devida contrapartida ao absurdo tanto que o povo paga. Em tese, o estado deve, em troca do que em enxurrada arrecada, oferecer saúde, educação, segurança, saneamento básico, transportes etc. Pois bem. A saúde pública é a de que já se falou aqui. A educação pública, idem. Segurança? Zero! Saneamento? Lixo! Transportes? Gado! E assim por diante item por item. Absurdamente, aliás, como já se referiu acima ao se mencionar a USP, o que o estado absurdo excepcionalmente oferece com alguma qualidade para o seu (pseudo) cidadão acaba, em regra, sempre através de alguma distorção camuflada, beneficiando muito mais os menos necessitados. Assim, a lá muito bem denominada fúria fiscal do estado, sobretudo quando dirigida aos contribuintes representados na bandeira pelas estrelas inferiores, é algo simplesmente insaciável, vampiresco, parasitário. Já quanto à devida retribuição, a fúria é a mesma para a negar. Ademais, em plena atenção ao princípio da hipocrisia, é absolutamente impensável na Absurdolândia questionar judicialmente esse escancarado calote. Tentá-lo equivale a esmurrar uma faca. Sim. Como se disse no capítulo anterior, a legislação tributária absurda, em harmonia com o referido princípio, apenas vale quando o favorecido em questão é o estado. Na situação inversa, quando o contribuinte é quem pretende fazer valer o seu direito à devida contrapartida, a lei volta a ser o que explica o losango da bandeira. E ponto. Então, até novamente numa ilustração didática, podemos traçar uma analogia com aqueles filmes que se passam nos tempos de Robin Hood, em que vemos os soldados do rei literalmente invadirem as casas dos plebeus e as saquearem a pretexto de imposto, levando tudo o que encontram de valor. Na Absurdolândia, em última análise, sob o disfarce de todo um complexo e moderno aparato fiscal, ainda é, a rigor, exatamente o que acontece.

Gugu Keller

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