segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Absurdolândia 29

Já que se mencionou que os "guardadores de carros" que glamourizadamente atuam nesse esquema de "valet" são em regra habilitados, pegamos o gancho para dizer que na Absurdolândia, absurdamente, não existe a mínima seriedade no que se refere às provas aplicadas aos candidatos que pretendem obter habilitação para dirigir. Tamanho é o nível da corrupção que envolve o assunto, e de tal modo isso é sabido de todos, que, quando alguém informalmente, entre amigos, comenta que tirou carta, segue-se obrigatoriamente uma pergunta... "Pagou ou passou?" Na imensa maioria dos casos a resposta será a primeira, até porque a prova é tão distante da realidade das ruas, que é absolutamente óbvio o seu propósito de estimular a propina aprovatória. A minoria que prefere não pagar costuma ter grandes dificuldades. Já quem paga, a esmagadora maioria, não apenas não tem nenhuma dificuldade para passar como, no mais das vezes, sequer precisa fazer a prova. Se faz é, como em muitas situações, já o vimos, em nome do princípio da hipocrisia, uma mera encenação. Tão fácil e corriqueiro é comprar uma carta de motorista na Absurdolândia, mesmo sem sequer a presença do comprador, que uma equipe de televisão que certa vez fez uma reportagem a respeito não teve nenhum dificuldade em conseguir uma para um cego. Mostrada a matéria à autoridade governamental responsável, esta, como não poderia deixar de ser, sempre e novamente em nome do princípio da hipocrisia, disse-se extremamente indignada e surpresa, jamais tendo ouvido falar sobre tal situação, o que equivale a alguém dentro de uma piscina afirmar não ter reparado que está molhado. De todo modo, também decerto por amor ao princípio, prometeu a seguir providências enérgicas, incluindo punição exemplar para os responsáveis. Enquanto isso, os números referentes às mortes e mutilações no trânsito absurdo são os que vimos alguns capítulos acima.

Gugu Keller  

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