sábado, 7 de setembro de 2013

Absurdolândia 6

Vale a pena ainda, antes de sobre a bandeira absurda irmos adiante, fazermos, mesmo que decerto o leitor mais atento já o tenha bem assimilado, apenas para tanto quanto possível facilitar a compreensão de um texto que procura descrever da melhor maneira possível um lugar cujos costumes o fazem naturalmente difícil de compreender, uma distinção entre a palavra "absurdo" no seu significado mais comum, qual seja, algo que choca pela sua falta de razoabilidade, de bom senso ou de coerência, com a mesma palavra quando se refere àquilo ou a quem é natural da Absurdolândia, o chamado "gentílico". Mesmo sendo uma diferenciação tão básica, é, sim, importante, cremos, fazê-la já no início deste modesto trabalho, na medida em que, sendo o absurdo lá princípio, como veremos melhor seguindo sobre a bandeira, tantos são os absurdos de que falaremos ao discorrer mais sobre esse pitoresco país, que muitas vezes as palavras podem se embolar e confundir o leitor menos avisado. Brincando um pouco com os dois significados, dá para se dizer que são muitos os absurdos absurdos de que aqui falaremos, já que, afinal, para os absurdos os absurdos são o normal. A título de curiosidade, houve recentemente uma proposta de reforma gramatical na Absurdolândia em que se cogitou mudar o gentílico para "absurdolandês" ou "absurdolês", rejeitadas de pronto ambas as formas entretanto. Entendeu-se, não, segundo este ponto de vista, sem razão, que tal mudança afetaria a absurdidade natural da Absurdolândia e do povo absurdo. Assim, para seguirmos, tenhamos em mente que o natural da Absurdolândia é "absurdo", no feminino "absurda", o que, às vezes, tomara não a ponto de comprometer a sua compreensão, pode, já que, repita-se, inúmeras são as coisas absurdas de que falaremos ao descrever a nação absurda, fazer o texto parecer, de um modo eventualmente absurdo para quem não esteja familizarizado com o contexto, algo de clareza duvidosa, o que aliás, diga-se ainda, e aqui novamente resvalamos no outro princípio basilar desse tão diferente ente político, tem tudo a ver com o estilo de vida absurdo.

Gugu Keller 

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