quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Absurdolândia 31

Falando em educação, as autoridades absurdas, em estrito cumprimento do princípio do absurdo, preocupadas com os, apesar da sua notoriamente péssima qualidade, altos índices de reprovação nas escolas públicas de ensino básico e médio país afora, criaram, há coisa de poucos anos, um inteligentíssimo método para, mais do que diminuir, erradicar o problema de uma vez por todas... Através de lei, acabaram com a reprovação. Sim. Exatamente isso. Então, desde que tal legislação entrou em vigor, não se pode mais reprovar ninguém nas escolas públicas absurdas, independentemente de aproveitamento, avaliações ou o que seja. Em outras palavras, mesmo que um aluno tire zero em todas as matérias durante o correr do ano letivo, ele estará aprovado, e, portanto, apto para se matricular na série seguinte. A conclusão óbvia disso é a de que na Absurdolândia é perfeitamente possível que alguém conclua o colégio sem saber ler ou escrever. Ou mais... Se a ídéia se expandir para as universidades, e lá o absurdo é sempre o mais provável, e, ainda, considerando-se já referida a política de cotas nas universidades para alunos vindos das escolas públicas, não é impossível que, brevemente, pessoas se formem também em cursos superiores sem saberem ler ou escrever. Parece absurdo? É para ser absurdo. O absurdo é princípio. Sim. Na Absurdolândia é assim. Correm boatos, ademais, dando conta de que, animados com o sucesso da idéia, já que hoje nas escolas públicas do país ninguém mais é reprovado, ou seja, simplesmente não há mais esse problema, algumas autoridades locais cogitam expandir o espírito da idéia para outras áreas problemáticas... Pensa-se, por exemplo, para se combater o avanço da dengue, doença cada vez mais freqüente no país, em se acabar com os exames que a diagnosticam. Sim. Rapidamente, aproveitando o ministério da saúde o tão bem sucedido conceito aplicado pelo da educação, a doença estará, acredita-se, por completo erradicada da Absurdolândia. O autor destas linhas modestamente ainda observa que, na mesma toada, eles poderiam eliminar o gigantesco número de homicídios que, por falta de estrutura investigativa, lá ficam sem solução... Bastaria deixar de considerar o homicídio um crime... Ora... Sem crime, não haverá o que se solucionar...! Não é uma beleza?  

Gugu Keller

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