sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Absurdolândia 33

Outros setores de atividade que na Absurdolândia são absolutamente impregnados pelo lá sagrado culto à corrupção, são, por exemplo, a aplicação e cobrança das multas de trânsito, bem como o julgamento dos recursos contra elas interpostos e a aplicação de outras sanções aos motoristas, além, sobretudo, da destinação dada aos recursos arrecadados, as obras de construção e manutenção das vias públicas, as licitações em geral, os concursos para provimento de cargos públicos, a distribuição dos de confiança ou de comissão, as verbas de gabinete e os demais auxílios nababescos, a distribuição de quantias para entidades não governamentais que atuam em colaboração com os poderes executivos, as coligações partidárias, a elaboração das sempre obscuras normas eleitorais referentes à distribuição dos votos entre os partidos políticos ou dentro deles, as votações, muitas vezes secretas, nas várias câmaras legislativas, assim como os orçamentos por elas endossados, a emissão de precatórios para o pagamento de dívidas públicas, as concessões televisivas e de rádio em geral, a exploração dos direitos de transmissão de eventos esportivos, principalmente os de grande interesse, a previdência social, os programas de auxílio aos mais necessitados, as relações entre as igrejas e o fisco, a especulação imobiliária, as desapropriações, a política bancária, sobretudo no que tange aos juros, a administração dos presídios, dos pedágios, dos portos e aeroportos, o controle do tráfego aéreo, a exploração petrolífera e das jazidas minerias em geral, a distribuição da merenda e do material escolar nas escolas públicas, os cálculos dos impostos, a definição de suas alíquotas e a fiscalização dos contribuintes, a coleta de lixo, a telefonia, a fiscalização nas alfândegas, os leilões e privatizações, as loterias, a administração dos cemitérios e serviço funerário em geral, a distribuição de material nos hospitais públicos, as filas dos transplantes de órgãos, a regulamentação dos planos de saúde etc, etc, etc... Como se disse acima, árdua missão é encontrar um único ramo da atividade humana que na Absurdolândia não seja corroído pela corrupção, sobretudo quando de algum modo ligado à atuação do estado, de um estado que por nada abre mão da aplicação contínua dos dois princípios estampados na faixa da sua bandeira. E é claro que, hipocritamente, entra ano, sai ano, entra mandato, sai mandato, entra década, sai década, entra geração, sai geração, os caras-de-pau o tempo todo juram-se numa perene luta pelo fim dessa lá tão cultural corrupção, e que, absurdamente, quanto mais se o jura, anos, mandatos, décadas, legislaturas, mais e mais ela aumenta. Prolifera. Na Absurdolândia, em política, promete-se o que não será feito, não se o faz, diz-se feito e, com sorrisos hipócritas, promete-se ainda mais, também para não fazer. Na Absurdolândia é assim.

Gugu Keller

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