terça-feira, 22 de outubro de 2013

Absurdolândia 41

Qualquer pessoa que possua um mínimo de discernimento acerca do que seja uma democracia, tanto em termos de conceito quanto na prática, sabe perfeitamente bem que não existe dela nenhum exemplo sério mundo afora em que nas eleições o voto seja obrigatório. Mas na Absurdolândia, onde tudo, como aqui já repisado, é sempre pelo avesso, não é assim que acontece. Trata-se, então, hipocritamente, de um país que se auto-proclama um extremo exemplo de democracia, a por todo o planeta ser seguido, ao mesmo tempo em que lá, de novo a socar a cara de quem ingenuamente ainda o tenta pensar com bom senso, o voto é obrigatório, situação tão bizarra que equivaleria, numa bastante ilustrativa analogia, a forçar todos a caminhar diariamente uma determinada distância pretendendo-se com isso alardear a solidez do direito de ir e vir. Aliás, outra vez num brinde ao princípio da hipocrisia, o estado absurdo, comente-se de passagem, lança mão não raro em propagandas televisivas da sua justiça eleitoral de um slogan em que afirma que votar é um direito antes de ser um dever. Direito obrigatório, então, engula-se. De todo modo, analisando mais este gritante absurdo absurdo, neste texto que modesta, já que de fora, e talvez, qual se aludiu há pouco, ingenuamente permite-se o fazer com algum bom senso, é de fácil percepção o porquê disso... É que sendo a Absurdolândia, conforme já se explicou aqui, um flagrante exemplo de estado ainda medievalmente absolutista mas de modo hábil travestido da mais moderna democracia, faz-se necessário para uma prudente minimização de quaisquer críticas a essa aviltante farsa, um, mesmo que claramente viciado, periódico endosso eleitoral da plebe parasitada, dos, de que tanto já falamos, representados pelas 26 estrelas sub-faixa. Mas é absolutamente óbvio, todos sabem, sempre souberam e decerto para sempre lá saberão, fala-se novamente dos com um mínimo de bom senso, que esses pleitos são totalmente inúteis no que diz respeito a qualquer possibilidade, mesmo que onírica, de mudança na mentalidade simbolizada na bandeira. A rigor, os caras-de-pau apenas se revezam no poder, na medida em que, flagrante e escancaradamente, as oposições políticas absurdas são apenas de fachada. O que há, isso sim, são meras disputas entre diferentes flancos da "nobreza" representada pela estrela superior, de modo que, conforme os mandatos se alternam entre uns e outros, aqueles ou estes conseguem aumentar a sua cota do sangue sugado da maioria excluída a cada período. E como por óbvio ser-lhes-ia constrangedora a gigantesca abstinência que com grande probabilidade haveria caso se aplicasse a democraticamente básica regra do voto facultativo, mantêm-se, mediante as mais estapafúrdias justificativas, a obrigatoriedade do voto na Absurdolândia, na tão exemplar democracia absurda.

Gugu Keller 

2 comentários:

  1. Pois eu estava falando justamente sobre isso ainda hoje com as minhas colegas de profissão (historiadoras), que a democracia aqui é um exercício de obrigatoriedade (ironicamente falando, claro rs)...

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  2. Pois é... Na Absurdolândia é assim!
    Obrigadíssimo por teu comentário!
    GK

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