quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Absurdolândia 57

A verdade é que o Brasil tem muitos problemas similares aos da Absurdolândia. Contudo, dada a dita notória diferença de mentalidade, lá não há essa atitude típica dos absurdos de, através da hipocrisia princípio, por também princípio manter os absurdos. Não. Muito ao contrário, os brasileiros, unidos que são, lutam com extremo afinco, sobretudo através da atuação de suas exemplares autoridades, para, passo a passo, dia após dia, manter os ideais positivistas constantes da sua bandeira. Então, se, por exemplo, devido a circunstâncias que claramente escapam ao querer dos seus governantes, ou seja, complexas cojunturas macroeconômicas insolúveis senão através de reformas necessariamente gradativas, no Brasil, tanto quanto na Absurdolândia, paga-se muito a título de impostos, é quase que comovente o perene esforço administrativo no sentido de, não apenas o minimizar tanto quanto possível para desonerar a população, mas, pelo seu sempre extremo respeito a esta, fazer com que cada centavo tributado seja devolvido através de uma contraprestação minimamente digna. Assim, no Brasil, se tantos ou tão pesados impostos há quanto na Absurdolândia, de modo algum se os pode classificar como absurdos. São, isso sim, valorosas contribuições com o suor do rosto prestadas pelos cidadãos brasileiros que, orgulhosamente, e com o desprendimento de quem em troca se sente respeitado pela nação de que faz parte, somam seus esforços na busca incansável e contínua da ordem e do progresso. É verdadeiro, ressalte-se, que a referida contraprestação estatal ainda um longo caminho tem a percorrer para chegar ao ideal. Problemas estruturais há no Brasil com relação ao que é público que demandarão ainda anos de esmero administrativo para serem superados. Mas a grande diferença quando se o compara com o que se dá na Absurdolândia, a diferença que, com o perdão da redundância, faz toda a diferença, é, insista-se, o sempre extremo respeito com que a nação brasileira se relaciona com o seu cidadão, que lá é cidadão mesmo, de um modo bastante diverso da absurda e aviltante pseudo-cidadania absurda. Então, se nesta breve comparação entre o país objeto do presente trabalho e o em que vive o seu autor, ambos, em nova coincidência, apresentam um considerável desequilíbrio em termos de estrutura social, a diferença novamente se dá no como com isso se lida... Enquanto na Absurdolândia a entoada luta pela diminuição das desigualdades é uma clara farsa, já que, até pelo lá fanático respeito ao simbolizado na sua bandeira, a disposição das estrelas no céu não pode ser mudada, no Brasil dá-se o extremo oposto... A constituição brasileira afirma com todas as letras que  a busca da justiça social constitui um norte inexorável a ser seguido e, como lá, ao contrário do que se dá com os absurdos, o que se vê é um verdadeiro estado democrático de direito, onde a lei é coisa séria, a constituição principalmente, de mãos dadas governo e nação eis nesse constante desafio comum.

Gugu Keller      

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