terça-feira, 19 de novembro de 2013

Absurdolândia 62

Por fim, ainda nesta breve comparação entre a Absurdolândia e a pátria do autor destas linhas da primeira a respeito que as finaliza, temos, novamente, uma enorme discrepância entre o que se dá nos dois países, de novo em razão da maneira como em cada caso se aborda os problemas que lhes são comuns, no que respeita aos dois fatores que, ao lado da segurança pública são, muito provavelmente, os principais a se levar em conta ao se avaliar a situação social de um país, quais sejam, a saúde e a educação públicas. E outra vez é a mesma coisa. Lá, como vimos, hipocrisia e absurdo. Cá, ainda que não com o mesmo fanatismo vexilológico, sempre e sempre, ordem e progresso. Então, se na saúde pública brasileira, como amiúde se vê nos jornais, problemas ainda há com filas, demora, falta de médicos, de remédios e desestrutura de um modo geral, a evolução que contra isso se tem visto acontecer baseada no espírito de amor e respeito ao próximo e, sobretudo, de pleno comprometimento institucional com o bem estar coletivo, nos termos exatos do que em muitos momentos de seu texto reza a constituição-cidadã de 1988, cujos escopos, qual já se explicou, são perseguidos com literal obsessão por quem o país comanda, é algo inegavelmente meritório. Sim. E, sem dúvida, o melhor termômetro disso é o que o próprio estado mostra em seus sempre oportunos discursos e propagandas, que, sendo o Brasil, ao contrário da Absurdolândia, até porque verdadeiramente cristã, uma nação totalmente avessa ao demônio da hipocrisia, são em verdade muito menos propagandas do que necessárias e legítimas prestações de conta a uma comunidade pagadora sacrificada de tributos não poucos que, por disso natural conseqüência, tem todo o direito de saber o que lhe é dado em troca, até porque, quanto a isso, já se o disse quando as campanhas eleitorais acima se abordou, a justiça brasileira queda-se sempre extremamente atenta no que se refere a defender o cidadão de quaisquer eventuais inverdades mascaradoras do real, coisa que no Brasil estado democrático de direito em absoluto já não tem vez. Assim, temos que, justificando com plenitude cada centavo tributado, os investimentos públicos na área da sáude tem sido prodigiosos, com vários novos hospitais modernamente equipados inaugurados em frenético ritmo, postos de saúde e laboratórios à disposição da população mais necessitada, profissionais de alto gabarito sendo contratados com uma remuneração digna que os faz trabalhar satisfeitos, benefícios, enfim, que, como bem, nas sobreditas prestações de contas que fazem ao povo, acenam os administradores da coisa pública, sempre muito mais interessados, por força da mentalidade essencialmente includente que cá impera, em de fato fazer pelo povo do que em o iludir com o vil propósito de apenas angariar votos, como tão absurdamente na Absurdolândia se dá, certamente farão com que os eventuais problemas que, aqui ou ali, ainda persistem, em breve estejam por completo dissipados, e isso tudo sem falar nos tão importantes avanços no saneamento básico país afora, área também relativa à saúde em que, como igualmente, e com justificado entusiasmo, explicam os zelosos gestores do Brasil, do mesmo modo o país caminha a passos de gigante. Por outro lado, voltando ao atendimento à população propriamente dito, os chamados "planos de saúde", que muito no país operam, são, de um modo cabalmente garantido por uma fiscalização implacável de um poder público intransigente quando na defesa da cidadania, empresas extremamente respeitosas no que tange a cumprir seus contratos, sempre, também por força da lei, claros, equilibrados e tendentes a proteger o lado mais fraco, de sorte a, também assim, de forma integral e sem qualquer possibilidade de elitização, o que, na maneira de pensar do brasileiro, seria odioso, garantir-se a todos o pleno acesso à saúde no que ela pode oferecer de melhor. Então, se, infelizmente, na Absurdolândia, como vimos, a saúde pública é a que é, no Brasil deste dele sempre orgulhoso modesto organizador de palavras, ela defintivamente é coisa muito séria.

Gugu Keller

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