terça-feira, 21 de abril de 2015

Motivo 12

Encerrando esta pequena série de 12 posts a que aqui humildemente me lancei em que faço um resumido esboço dos motivos por que sou favorável não apenas à descriminalização mas à legalização de todas as drogas, além de desde já agradecer aos amigos que nesta breve empreitada me acompanharam dando-me, quer concordem com o quanto digo, quer não, a honra de sua leitura, reporto-me a um fato de que rapidamente até já falei no "motivo 7", mas que merece um referir mais detido por retratar, tendo a crer, o quanto a questão das drogas é abordada não apenas no Brasil mas pelos estados mundo afora, e mundo afora há tantos Brasis, de um modo absolutamente hipócrita, incoerente e contraditório... É que, de novo como todos estamos cansados de saber, inúmeras reportagens, inúmeros documentários e inúmeros relatos e testemunhos já, mais do que mostrar, fizeram ulular, novamente a palavra, diante dos nossos olhos, quase que a nos arranhar e fazer sangrar as pupilas, que, além de a droga ser algo disponível em qualquer cidade do planeta, além de a sua legalização não aumentar o consumo e além de a sua proibição não ter o mínimo efeito intimidatório, todos igualmente sabemos que o tráfico de entorpecentes está prosperamente presente em todas as prisões do mundo. Sim, todas. Todas a cadeias, todas a penitenciárias, todos os centros de detenção. E, é claro, todas as autoridades sabem disso. Os presidentes sabem, os reis sabem, os aiatolás sabem, os governadores sabem, os prefeitos sabem, os ministros e secretários de justiça sabem, os delegados, os xerifes, os carcereiros, os guardas da muralha sabem. Todo mundo sabe. E não apenas sabe! Inúmeras dessas autoridades admitem, é também tão notório quanto que o sol nasce ao leste, que essa situação é politicamente tolerada sob pena de não se ter controle sobre essas instituições. Sim, isso mesmo! Sem a presença da droga, sabem e não raro dizem, não dá para se manter um mínimo de paz dentro dos presídios! A coisa, sabem, sabe-se, sabemos, tornar-se-ia uma guerra constante, uma revolução, uma baderna, um caos, uma barbárie. Aliás, lembram-se do termo "constante antropológica"? Pois é. Creio que não preciso explicá-lo novamente, não é mesmo? Então, fica a óbvia pergunta... Diante dessa grotesca situação, tem o ente estatal, aqui ou onde seja, um mínimo de estofo moral para manter o consumo de drogas na criminalidade, e, mais, para discursar a respectiva ladainha retrógrada que, saída das sempre perdigotejantes de empáfia  bocas de seus excelentíssimos representantes engravatados, cotidianamente nos estapeia os tímpanos? Às vezes fico pensando, sabem? Tamanha é a hipocrisia, tamanha é a desfaçatez, tamanha é a zombaria com as nossas caras, que não duvido nada que tudo isso se dê apenas por ser do óbvio interesse dos grandes traficantes internacionais, que, via suas multimilionárias movimentações de cifras, possivelmente haverão de estar por trás desse tão poderoso monopólio das palavras mundo afora, um gigantesco poder a um só tempo crudelíssimo e capaz de arrancar esfuziantes aplausos de seu gado humano cuidadosamente mantido num na aparência apetitoso pasto de ignorância neo-medieval, a consumir o verde capim do "amém" com que, de forma prodigiosa, pseudoengorda cada vez mais magro de percepção, gerando, sem nem perceber, justamente em favor dos que lhe empunham o impetuoso ferro em brasa do cifrão, lucros e mais lucros e mais lucros.
 
Beijos a todos.
 
Gugu Keller

2 comentários:

  1. Li todos seus motivos e achei muito interessantes, acho que isso pode me ajudar a refletir sobre o assunto, que atualmente, não tenho uma opinião formada a respeito e preciso reconstruir meus posicionamentos sobre isso.

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