sábado, 11 de abril de 2015

Motivo 2

A criminalização das drogas ainda é, tantos séculos depois, um claro resquício da mentalidade imposta pela de vivos incendiária igreja medieval, que taxativamente decretava como pecaminoso tudo o que proporciona prazer. Não é preciso muito esforço de pensamento para se perceber que os sete pecados capitais, são, em princípio, muito mais, os sete prazeres capitais para o ser humano, e toda essa castrativa proibição, fácil é de se perceber, tem um óbvio cunho de manipulação através do plantar de sentimentos de culpa e medo nos seus transgressores, e, sobretudo, de um imediato impulso coletivo de os julgar como elementos do mal causadores da desgraça humana, sempre, desde então, causada, isso sim, de modo despercebido pela multidão manipulada, pelas mesmíssimas instituições deflagradoras de todo esse preconceito tão descabido quanto desprovido de qualquer porquê minimamente razoável. Pois bem. De modo quase que inacreditável, a mostrar a força dos que detêm o monopólio da palavra a serviço de seus interesses, os séculos se passaram, muitos desses dogmas religiosos que sempre buscaram marionetizar o comportamento humano, até foram, principalmente no século XX, aos poucos sendo aplacados, sobretudo, ao menos no nosso país, os relativos ao sexo, chegamos, nós, a maior nação católica do mundo, a constitucionalmente nos estabelecermos como laicos, e, contudo, no campo das drogas, mostrando o quão fundo foi o enraizar desse preconceito, continuamos poucos passos adiante da estaca zero, sendo ainda, pela grande maioria de nossa sociedade, e, pior, pelo nosso antiquado arcabouço legal, aqueles que apenas se lançam na tão humana procura pelo prazer através de certas substâncias que a natureza proporciona, a mesma natureza de deus, diga-se de passagem, taxados como legítimos prepostos do demônio que infiltrados trabalham para implantar a política do inferno neste tão abençoadamente cristão paraíso terrestre-celestial.
 
Gugu Keller

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