quarta-feira, 15 de abril de 2015

Motivo 6

Além disso, ao menos pelo que humildemente tende a crer este modesto observador da vida e do mundo à sua volta, se bem que neste caso algo embasado por muitos nomes respeitados não apenas da ciência da psicologia como da literatura de desde sempre, sobretudo para a juventude, em todos os campos da vida, o proibido é sempre muito mais interessante. Sim. E a necessidade sócio-psicológica a que me referi nos "motivos" anteriores tem, salta à vista, muitíssimo a ver com isso. A busca pela droga, ao menos pela lógica de um pensar humano menos maduro, não se justifica apenas pelo prazer que diretamente ela proporciona pelo seu efeito em si, mas também, e talvez até mais, pelo auto-afirmativo prazer da transgressão. Trata-se um princípio quase que básico... Quer tornar atraente? Proíba. E neste ponto não me refiro apenas às drogas ilícitas, mas a tudo. Toda proibição, seja ela de cunho moral, religioso, social, familiar, legal etc, sempre enaltece o prazer de qualquer comportamento. Para os impúberes, transgredir é um quase que obrigatório ritual de passagem, e, no caso dos entorpecentes, há ainda outro agravante, a meu ver absolutamente desastroso no que tange ao ingênuo intuito de quem o comete... A nossa doentiamente preconceituosa sociedade comete o erro de referir-se à droga, principalmente quando a palavra é dirigida a crianças e adolescentes, como algo absolutamente horrível, infernal, doloroso, de que, uma vez presa, a pessoa não consegue mais se libertar, o que, de saída, já é uma afronta à sua inteligência, pois como algo que é horrível pode viciar assim? Por que, para começar, não dizer a verdade, ou seja, que a possibilidade do vício vem justamente do inequívoco fato de a droga trazer prazer, um denso prazer? Pois bem. O que se dá então? Quando o jovem experimenta a droga e sente esse prazer que ela inequivocamente proporciona, a transgressão acaba adquirindo muito mais sentido, na medida em que lhe fica claro que as advertências contrárias vêm de quem decididamente não conhece o assunto e, em absoluto, não sabe o que está falando. Ou não é assim? 
 
Gugu Keller

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