quinta-feira, 30 de abril de 2015

"A Banheira" no Teatro Folha

Amanhã, dia 1°, com extrema alegria para mim e para todos os que de tanto fazem parte, estréia no Teatro Folha, localizado no Shopping Pátio Higienópolis, aqui em São Paulo, a minha peça "A Banheira". No elenco, Anderson Müller, Wilson de Santos, Carol Mariottini, Romis Ferreira, Sara Freitas e Mauro Félix. A direção é de Alexandre Reinecke. Com muito carinho, convido todos os que gostam de teatro a nos prestigiar.
 
Gugu Keller

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Curitiba-PR, 29-04-15 / Aula Vespertina

- Hoje, meus queridos alunos, teremos uma aula muito importante, que lhes proporcionará um aprendizado de extrema valia para toda a vida... Hoje, nós, seus professores, vamos demostrar, em laboratório, o quanto este país em que vocês deram o azar de nascer é um lugar onde os mais chocantes absurdos são coisas absolutamente normais! Pedimos a todos que prestem muita atenção, ok?

Gugu Keller

terça-feira, 28 de abril de 2015

domingo, 26 de abril de 2015

Pandora

Hoje uma pessoa muito importante para mim perdeu sua cadela, Pandora, uma Labrador, aos 14 anos de idade. Humildemente presto-lhe uma pequena homenagem reescrevendo um verso dedicado aos cães, criaturas que amo demais, que aqui postei há algum tempo...
 
O mais sem céu nem chão amor insano
Ama fiel o cão o amigo humano
 
Vá em paz, doce Pandora!
Fique em paz, amiga querida!
 
Gugu Keller

sábado, 25 de abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

18 ou 16?

E, já que falei tanto em leis e crime, deixo aqui registrado que, na minha modesta opinião, em se considerando a completa desestrutura do estado brasileiro no que tange a cumprir e fazer cumprir as suas próprias leis, quaisquer que sejam, ficar debatendo a redução da maioridade penal equivale a se discutir uma mudança na pintura da lataria de um carro sem motor.
 
Gugu Keller

terça-feira, 21 de abril de 2015

Motivo 12

Encerrando esta pequena série de 12 posts a que aqui humildemente me lancei em que faço um resumido esboço dos motivos por que sou favorável não apenas à descriminalização mas à legalização de todas as drogas, além de desde já agradecer aos amigos que nesta breve empreitada me acompanharam dando-me, quer concordem com o quanto digo, quer não, a honra de sua leitura, reporto-me a um fato de que rapidamente até já falei no "motivo 7", mas que merece um referir mais detido por retratar, tendo a crer, o quanto a questão das drogas é abordada não apenas no Brasil mas pelos estados mundo afora, e mundo afora há tantos Brasis, de um modo absolutamente hipócrita, incoerente e contraditório... É que, de novo como todos estamos cansados de saber, inúmeras reportagens, inúmeros documentários e inúmeros relatos e testemunhos já, mais do que mostrar, fizeram ulular, novamente a palavra, diante dos nossos olhos, quase que a nos arranhar e fazer sangrar as pupilas, que, além de a droga ser algo disponível em qualquer cidade do planeta, além de a sua legalização não aumentar o consumo e além de a sua proibição não ter o mínimo efeito intimidatório, todos igualmente sabemos que o tráfico de entorpecentes está prosperamente presente em todas as prisões do mundo. Sim, todas. Todas a cadeias, todas a penitenciárias, todos os centros de detenção. E, é claro, todas as autoridades sabem disso. Os presidentes sabem, os reis sabem, os aiatolás sabem, os governadores sabem, os prefeitos sabem, os ministros e secretários de justiça sabem, os delegados, os xerifes, os carcereiros, os guardas da muralha sabem. Todo mundo sabe. E não apenas sabe! Inúmeras dessas autoridades admitem, é também tão notório quanto que o sol nasce ao leste, que essa situação é politicamente tolerada sob pena de não se ter controle sobre essas instituições. Sim, isso mesmo! Sem a presença da droga, sabem e não raro dizem, não dá para se manter um mínimo de paz dentro dos presídios! A coisa, sabem, sabe-se, sabemos, tornar-se-ia uma guerra constante, uma revolução, uma baderna, um caos, uma barbárie. Aliás, lembram-se do termo "constante antropológica"? Pois é. Creio que não preciso explicá-lo novamente, não é mesmo? Então, fica a óbvia pergunta... Diante dessa grotesca situação, tem o ente estatal, aqui ou onde seja, um mínimo de estofo moral para manter o consumo de drogas na criminalidade, e, mais, para discursar a respectiva ladainha retrógrada que, saída das sempre perdigotejantes de empáfia  bocas de seus excelentíssimos representantes engravatados, cotidianamente nos estapeia os tímpanos? Às vezes fico pensando, sabem? Tamanha é a hipocrisia, tamanha é a desfaçatez, tamanha é a zombaria com as nossas caras, que não duvido nada que tudo isso se dê apenas por ser do óbvio interesse dos grandes traficantes internacionais, que, via suas multimilionárias movimentações de cifras, possivelmente haverão de estar por trás desse tão poderoso monopólio das palavras mundo afora, um gigantesco poder a um só tempo crudelíssimo e capaz de arrancar esfuziantes aplausos de seu gado humano cuidadosamente mantido num na aparência apetitoso pasto de ignorância neo-medieval, a consumir o verde capim do "amém" com que, de forma prodigiosa, pseudoengorda cada vez mais magro de percepção, gerando, sem nem perceber, justamente em favor dos que lhe empunham o impetuoso ferro em brasa do cifrão, lucros e mais lucros e mais lucros.
 
Beijos a todos.
 
Gugu Keller

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Motivo 11

Hoje aos quase cinqüenta anos, muito provavelmente não viverei para ver, mas tenho plena convicção de que a legalização das drogas não apenas virá como haverá um tempo em que as pessoas quedarão pasmas por terem notícia de que um dia em seu passado processava-se e prendia-se alguém apenas por ter cometido o tão humano ato de buscar prazer, ou alívio, através de substâncias que alteram a percepção. Tal certeza me vem do ao menos para mim cristalino fato de que, acima de tudo, importando muito mais do que outra abordagem que a respeito caiba, estamos diante de um tabu. Sim. Um tabu que, a despeito de suas tantas incoerências e contradições que nos saltam aos olhos, foi por vias político-religiosas profundamente enraizado em milhões em milhões de mentes durante os tempos em que a burrice humana de longe superava a sua inteligência, tempos esses que, diga-se de passagem, ainda parecem estar de muitos modos a transcorrer, e eis por que decerto não viverei para ver o quanto aqui prevejo, mas que, permitindo-me eu, por outro lado, ser um pouco otimista, aqui e ali já deram alguns sinais de haverem iniciado a sua lenta e custosa contagem regressiva. Enquanto isso, à espera e na esperança de que a ainda tímida luz que com esforço vemos no final desse longo túnel de escura ignorância não seja apenas mais um pesado trem do horrores a vir na contramão, vamos suportando as maravilhosas situações que viver sob a égide de tabus em pleno século XXI ainda nos impõe, como é o caso, amiúde se vê na imprensa, das pessoas que têm de, custosa e malabaristicamente, agir na clandestinidade para conseguir remédios que de modo comprovado mostram-se eficazes contra os males de que sofrem, mas que são ilegais, perigosos, demoníacos até para muitos, apenas porque têm a cannabis como elemento base de suas fórmulas. Um brinde à inteligência humana!
 
Gugu Keller 

domingo, 19 de abril de 2015

Motivo 10

Inúmeros documentários já mostraram de forma definitiva que em todos os lugares onde, ainda que experimentalmente, descriminalizou-se alguma droga até então proibida não houve nenhum aumento no consumo, o que prova o quanto digo desde o começo destes posts a que me lancei sobre o assunto, ou seja, que a ilegalidade do comportamento, uma constante antropológica, novamente insisto, não tem, por óbvio, em sua sanção, nenhum poder de intimidação contra o usuário. Quem quer se drogar sempre se drogará, independente de tal ser considerado um crime, uma contravenção, um pecado capital, uma afronta à moral ou um motivo suficiente para a sua excomunhão, e a tanto pretender reprimir com grades, como em regra mundo afora é, só faz multiplicarem-se os problemas à questão referentes em constante progressão geométrica. Com o passar do tempo, piamente creio, nesses poucos e privilegiados lugares onde um fiapo de luz inteligente iluminou o quanto há de incivilidade nessa tão sem sentido dita e assumida guerra, provar-se-á que o consumo de entorpecentes não apenas não aumenta, mas tende a regredir com a sua descriminalização, na medida em que, também como eu aqui já disse, cada vez menos a droga terá o seu maior atrativo, que é justamente o mítico status de fruto proibido, que, não raro, principalmente para a juventude, expliquei abaixo, é o que mais a torna interessante.
 
Gugu Keller

sábado, 18 de abril de 2015

Motivo 9

Se o comércio e o consumo de drogas fossem legalizados, além de se acabar com o tráfico e com a gigantesca profusão de violência que ao seu redor orbita, duas coisas que creio extremamente positivas a reboque dar-se-iam... Em primeiro lugar, como decerto muitas empresas de pronto se interessariam por comercializar essas substâncias tão desejadas pelo público consumidor e agora permitidas, inúmeros empregos seriam gerados, tanto no campo da produção quanto no da distribuição e venda, postos diretos e indiretos, incluindo-se aí,  por exemplo, embalagens, transporte e propaganda. Ademais, a atividade, através dos impostos que pagaria, geraria ao país uma gigantesca receita, que seria de grande valia no proporcionar de, por exemplo, campanhas esclarecedoras do perigo que a droga pode representar se utilizada de uma maneira irracional e, sobretudo, de tratamento a quem se viciar e de tanto quiser se ver livre. Seria, acima de tudo, uma verdadeira ode contra a hipocrisia, em que se abordaria a questão com o que realmente dela a respeito contribui, que são a informação e o acesso a uma ajuda digna a quem de algum modo se perde na coisa, e não essa repressão insana, injustificada e inútil, que vemos hoje em dia. Em segundo lugar, e este é um aspecto crucial de que pouco se fala, a comercialização legalizada permitiria às entidades competentes zelar pela qualidade da droga, de modo a minimizar os danos que ela causa à saúde humana. É de amplo conhecimento de todos que, da forma como a coisa se dá hoje, o tráfico altera as substâncias que põe à venda de modo a, tanto quanto possível, aumentar seu lucro, fazendo crescer as quantidades que manipula através de artifícios daquelas falsificadores, "batizando" a droga, como se diz popularmente, o que, por óbvio, a torna potencialmente muito mais prejudicial ao organismo do consumidor. Ou seja, todos os ângulos, tendo a crer, por que se pode analisar a questão, mostram que a legalização só traria vantagens, tanto para a segurança, quanto para a economia e a saúde públicas.
 
Gugu Keller

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Motivo 8

Não creio que, como argumentam alguns, a legalização do comércio e do consumo de drogas, com o de tanto consequente fim do seu tráfico, em nada contribuiria para a redução da criminalidade de um modo geral na medida em que haveria uma migração dos traficantes para outros crimes. Não. É claro que, em alguma escala, até haveria, mas num universo quantitativo muito menor. O que ocorre, a mim me parece de tranqüila observação, é que o tráfico de drogas, da maneira como as coisas são hoje em dia, excetuadas, é claro, as situações de transporte, às vezes internacional, de grandes quantidades, quando há que se ter habilidade para driblar as fiscalizações, ou, mais comum, cacife para as subornar, é um crime muito fácil de se cometer. Falamos de um comércio que já está muito bem instalado em toda parte, e tudo o que o vendedor da droga tem a fazer é instalar-se em sua "boca" e esperar que o cliente venha comprar a mercadoria, como sempre, constante antropológica, muito vem. Não há o mesmo risco que se enfrenta num assalto a banco, ou a uma empresa ou carro forte, ou num seqüestro com o fim de extorsão ou mesmo ao se bater uma carteira, quando nunca se sabe que tipo de reação pode haver por parte da vítima, ou de outrem que eventualmente apareça na cena. Não. A venda de drogas não tem vítima. Só compra drogas quem quer. Ou será que alguém ainda acredita naquela "história da carochinha" em que o traficante é um sujeito que dá a droga à criança inocente de modo a viciá-la e partir daí lucrar cada vez mais enquanto a pobre se afunda rumo à irreversível autodestruição. Por outro lado, de novo quanto à irracionalidade com que se trata a questão, ao menos aqui no Brasil, a nesse campo brutalmente severa legislação faz com que praticamente todo usuário acabe também se tornando um traficante, por menos que queira desse mercado auferir algum ganho, já que, pelo seu texto, qualquer tipo de fornecimento de substância entorpecente é considerado tráfico, ou seja, se um usuário num dia dá um cigarro de maconha para o seu amigo também usuário e, no outro dia, este ao primeiro retribui, os dois já serão considerados traficantes, praticantes, aliás, de um crime processualmente equiparado aos hediondos, como o estupro ou o latrocínio, e estarão por isso sujeitos a uma pena pesadíssima, a ser cumprida em algum estabelecimento como os a que me referi no "motivo" anterior, como se estivessem prejudicando alguém além deles mesmos, como se soltos fossem uma grande ameaça para a nossa tão justa e pacífica sociedade, como se isso fizesse de algum modo algum sentido.
 
Gugu Keller

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Motivo 7

Fala-se tanto e há tanto tempo que os governos mundo afora não sabem como combater o tráfico de drogas, e que para ele em definitivo estão perdendo a guerra, que dá a impressão de que este é um problema simplesmente insolúvel. Bem. Em se considerando o quanto mencionei nos "motivos" anteriores acerca do ser a busca pelo entorpecente uma constante antropológica inexorável, de fato, ainda mais em tendo-se também em vista a carnificina travestida que o capitalismo impõe ao mundo, sem dúvida, creio, ele o é. Contudo digo que sei de algo capaz de da face da Terra varrer de vez o problema do tráfico, e, de carona, de todos as terríveis vertentes de violência, causadoras de tantas mortes e sofrimento humano, que dele diretamente derivam, de uma maneira simples, rápida e eficaz... Basta legalizar o comércio e o consumo dessas substâncias! E pronto! Fim do tráfico, fim das guerras entre quadrilhas de traficantes, fim do domínio destes nos bairros mais pobres, fim das execuções por dívidas, fim de tudo isso! Além disso, para quem não sabe, ao menos no caso do Brasil, e sou capaz de apostar que igualmente mundo afora, a gigantesca maioria da superpopulação carcerária é composta por traficantes. Sim. Já quase não temos onde prender homicidas, ladrões, estelionatários, agressores de mulheres, de idosos, de crianças, cambistas ou cafetões. Qualquer dia desses não teremos sequer onde encarcerar os por óbvio piores de todos, que são os corruptos. Nossas prisões, que, bem sabemos, em sua maioria em nada ficam devendo a masmorras medievais, estão lotadas, entupidas, abarrotadas de traficante de drogas. São decerto mais do que a metade. E para quê, se o tráfico continua e sempre continuará, ao menos enquanto a droga for ilegal, prosperando de vento em popa, inclusive, notório é, dentro dessas prisões? Para quê, se os consumidores, em qualquer cidade do Brasil ou do mundo, continuarão tendo extrema facilidade para conseguir as substâncias, já que estamos falando em uma lei de mercado imutável dentro do acima referido sistema capitalista de competição, e, sobretudo, de sobrevivência? Para quê, se, pior ainda, suas tristes estadas nessas verdadeiras sucursais do inferno que constituem o nosso dantesco sistema prisional, como todos igualmente bem sabemos, antes de "recuperar" os infelizes de seu tão aviltante à nossa moral tino comercial para a única atividade minimamente promissora que a nossa tragédia sócio-política lhes permite vislumbrar, os transformam em verdadeiras feras, doravante, no mais dos casos, não mais apenas vendedores do que tanta gente quer comprar, prontas a devolver ao próximo o desprezo que o estado, que, pelas bocas de seus digníssimos representantes, tanto fala em cidadania, justiça social e inclusão, através do frio de seus muros, grades e comida azeda, devotou às suas sub-vidas?
 
Gugu Keller   

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Motivo 6

Além disso, ao menos pelo que humildemente tende a crer este modesto observador da vida e do mundo à sua volta, se bem que neste caso algo embasado por muitos nomes respeitados não apenas da ciência da psicologia como da literatura de desde sempre, sobretudo para a juventude, em todos os campos da vida, o proibido é sempre muito mais interessante. Sim. E a necessidade sócio-psicológica a que me referi nos "motivos" anteriores tem, salta à vista, muitíssimo a ver com isso. A busca pela droga, ao menos pela lógica de um pensar humano menos maduro, não se justifica apenas pelo prazer que diretamente ela proporciona pelo seu efeito em si, mas também, e talvez até mais, pelo auto-afirmativo prazer da transgressão. Trata-se um princípio quase que básico... Quer tornar atraente? Proíba. E neste ponto não me refiro apenas às drogas ilícitas, mas a tudo. Toda proibição, seja ela de cunho moral, religioso, social, familiar, legal etc, sempre enaltece o prazer de qualquer comportamento. Para os impúberes, transgredir é um quase que obrigatório ritual de passagem, e, no caso dos entorpecentes, há ainda outro agravante, a meu ver absolutamente desastroso no que tange ao ingênuo intuito de quem o comete... A nossa doentiamente preconceituosa sociedade comete o erro de referir-se à droga, principalmente quando a palavra é dirigida a crianças e adolescentes, como algo absolutamente horrível, infernal, doloroso, de que, uma vez presa, a pessoa não consegue mais se libertar, o que, de saída, já é uma afronta à sua inteligência, pois como algo que é horrível pode viciar assim? Por que, para começar, não dizer a verdade, ou seja, que a possibilidade do vício vem justamente do inequívoco fato de a droga trazer prazer, um denso prazer? Pois bem. O que se dá então? Quando o jovem experimenta a droga e sente esse prazer que ela inequivocamente proporciona, a transgressão acaba adquirindo muito mais sentido, na medida em que lhe fica claro que as advertências contrárias vêm de quem decididamente não conhece o assunto e, em absoluto, não sabe o que está falando. Ou não é assim? 
 
Gugu Keller

terça-feira, 14 de abril de 2015

Motivo 5

O que dizer sobre a absurda incoerência de serem ilegais inúmeras substâncias sabidamente menos nocivas do que o álcool e o tabaco quando estas ambas não o são? Não é meio como que, qual diziam os antigos, o chamado "samba do crioulo doido"? Será que alguém ainda é desinformado acerca do quanto essa dobradinha causa danos no que se refere à saúde pública? Muito, mas muito muito mais do que qualquer outro tipo de entorpecente? Ironicamente, costumo dizer que creio ser a maconha, por exemplo, uma droga absolutamente injustiçada, já que, após quase cinqüenta anos de uma razoável observação da vida e do mundo que me cerca, parece-me tão claro quanto o dia tratar-se de uma substância muito menos prejudicial em todos os sentidos. Faz menos mal à saúde, vicia menos e, em comparação com o álcool, é muito menos alteradora da consciência. Mas o preconceito tão profundamente plantado com fertilíssimas sementes de moral e bons costumes é implacável, não? "Maconha" entre nós é sinônimo de perdição, de submundo, de desgraça, de podridão. "Maconheiro", então, pior ainda! Sugere um ser abominável, repugnante, perigoso, demoníaco. Já quanto ao álcool, ao contrário. É chiquérrimo consumir um uísque escocês, ou um vinho francês, indispensável uma caipirinha à beira da piscina, e torna-se quase que excluído de sua turma quem não gosta de matar a sede com cerveja ou chope. Mas o que se esperar de uma sociedade onde abrir um livro é coisa raríssima? O óbvio, não? Ou seja, as pessoas parecem não fazer a  menor idéia de que toda essa contradição entre o que é e o que não liberado, a tanto socar nosso já em quase nocaute bom senso, deriva apenas e tão somente de contextos históricos em que, como sempre, interesses políticos e econômicos apontaram num ou noutro sentido. Sim, nada, absolutamente nada mais do que isso! Exemplificando, voltando ao clássico caso da cannabis, ela apenas foi endemonizada da maneira que aprendemos por ter sido a droga que era consumida por negros no sul dos Estados Unidos quando eles eram brutalmente perseguidos. Mas quem se importa com o que ensina a história? A nossa sociedade é mesmo assim... Álcool? Tudo bem! Nicotina? Tudo bem! A corrupção do jeito que é? Tudo bem! A saúde e a educação públicas como são? Normal! Toda essa hipocrisia, essas tantas mentiras, todo esse engodo desse nosso estado parasita, toda essa indiferença, esse desrespeito, esse desamor para com o próximo? Tudo tranquilo! Já a maconha? Não, isso não se admite nesta nação constitucionalmente e graças a deus teísta e de fortes raízes cristãs! Pois digo a vocês, meus amigos... Maconha ser proibido quando álcool e tabaco são liberados equivale a dar uma bola para uma criança e dizer que ela... - Futebol pode! Agora, se jogar basquete, vôlei, handebol, queimada ou o que seja, você estará se enveredando por uma conduta muito grave, pela qual haverá de sofrer uma justa e humilhante reprovação!
 
Gugu Keller 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Motivo 4

É óbvio que drogar-se é perigoso. Pode levar ao vício, à doença e à morte. Mas será que é só aos meus míopes e cansados olhos que salta que muitas, mas muitas mais mortes ocorrem em virtude das inúmeras vertentes da criminalidade que se instalam em torno do tráfico de drogas, que, obviamente, só existe, e, em razão do já citado fator da constante antropológica, sempre existirá, em razão de ser o entorpecente algo ilegal? Será que não percebem que tal situação se assemelha a tentar apagar um incêndio jogando gasolina sobre as chamas? Mas o pior não é isso... Durma-se com o barulho de que, além de serem muitas mais as mortes decorrentes da verdadeira guerra civil que deriva de ser considerada crime uma necessidade sócio-psicológica de grande parte da raça humana, atente-se para o fato de que as decorrentes diretamente do uso desses entorpecentes, assim como as enfermidades e todos os outros possíveis males, não deixam de ocorrer em razão da proibição. Definitivamente não. Ou seja, além de tudo, ao menos a mim também me salta aos ambos olhos, não há um poder de intimidação nessa insensata criminalização do prazer. Quem quer se drogar, com o perdão da repetição do termo, ulula diante de nós, não pensa duas vezes antes o fazer, obtendo, com extrema facilidade, a substância desejada em qualquer localidade desta nosso imenso país. Então, vejam que beleza... O uso de entorpecentes é considerado crime em razão dos inúmeros males que ele pode causar. Contudo, ser tal conduta um crime não apenas, como já exaustivamente apurado, não evita esses males, como causa muitos outros, infinitamente maiores! Não é lindo?
 
Gugu Keller

domingo, 12 de abril de 2015

Motivo 3

Como diz a sabedoria popular, o direito de alguém termina quando começa o do outro, e, de fato, em quase todas as suas vertentes, o direito penal parece funcionar assim, ou seja, ninguém cometerá nenhum ato passível de alguma punição por parte do estado se não ofender, ou, ao menos, puser em risco, algum bem que seja alheio ou público. O uso de drogas, decerto em virtude do quanto abordei nos "Motivos 1 e 2" abaixo, parece ser a exceção. Aí fica a pergunta... Que sentido há em se punir alguém com a privação de sua liberdade por praticar um ato através do qual faz mal apenas a si próprio? Que sentido há em castigar quem não faz mais do que arriscar-se, e apenas a si,  por conta própria? Tamanha, aliás, é a incoerência da situação, que, a menos que o faça para fraudar um contrato de seguro, a lei não pune quem intencionalmente se auto-lesiona, mesmo que tanto chegue às raias da mutilação, e, mais ainda, sequer tampouco pune a tentativa de suicídio! Ora... Se assim é, que sentido há então em punir quem se droga? Será que um cidadão não pode dispor de seu próprio corpo, de seu próprio organismo, não pode decidir por conta própria o que põe em sua boca ou nariz? Então, fazer uso de uma substância que potencialmente traz mal à saúde não pode, ao passo que atirar-se do quinto andar de um prédio está liberado, sem qualquer consequência legal? É uma situação que, além de nos estapear a face de tão contraditória, caracteriza-nos diante de um totalitarismo semelhante ao que Orwell descreve em "1984", em que o estado, ao invés de apenas intervir na vida de cada um para mediar e solucionar os conflitos, como parece ser o razoável em qualquer civilação que tal se o pretende em pleno século XXI, opta ainda por fazê-lo de modo a dominar as mentes e as condutas, dando mostras de que, triste e inegavelmente, ao menos no que diz respeito à tão presente questão das drogas, a famosa distopia, mesmo a esta altura, não está muito distante da nossa pobre realidade institucional.
 
Gugu Keller

sábado, 11 de abril de 2015

Motivo 2

A criminalização das drogas ainda é, tantos séculos depois, um claro resquício da mentalidade imposta pela de vivos incendiária igreja medieval, que taxativamente decretava como pecaminoso tudo o que proporciona prazer. Não é preciso muito esforço de pensamento para se perceber que os sete pecados capitais, são, em princípio, muito mais, os sete prazeres capitais para o ser humano, e toda essa castrativa proibição, fácil é de se perceber, tem um óbvio cunho de manipulação através do plantar de sentimentos de culpa e medo nos seus transgressores, e, sobretudo, de um imediato impulso coletivo de os julgar como elementos do mal causadores da desgraça humana, sempre, desde então, causada, isso sim, de modo despercebido pela multidão manipulada, pelas mesmíssimas instituições deflagradoras de todo esse preconceito tão descabido quanto desprovido de qualquer porquê minimamente razoável. Pois bem. De modo quase que inacreditável, a mostrar a força dos que detêm o monopólio da palavra a serviço de seus interesses, os séculos se passaram, muitos desses dogmas religiosos que sempre buscaram marionetizar o comportamento humano, até foram, principalmente no século XX, aos poucos sendo aplacados, sobretudo, ao menos no nosso país, os relativos ao sexo, chegamos, nós, a maior nação católica do mundo, a constitucionalmente nos estabelecermos como laicos, e, contudo, no campo das drogas, mostrando o quão fundo foi o enraizar desse preconceito, continuamos poucos passos adiante da estaca zero, sendo ainda, pela grande maioria de nossa sociedade, e, pior, pelo nosso antiquado arcabouço legal, aqueles que apenas se lançam na tão humana procura pelo prazer através de certas substâncias que a natureza proporciona, a mesma natureza de deus, diga-se de passagem, taxados como legítimos prepostos do demônio que infiltrados trabalham para implantar a política do inferno neste tão abençoadamente cristão paraíso terrestre-celestial.
 
Gugu Keller

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Motivo 1

A busca pelo prazer através do uso de substâncias entorpecentes por uma considerável parcela da população é algo que, de modo absolutamente comprovado, até porque salta aos olhos de qualquer observador minimamente atento, pode ser considerado como uma constante antropológica, ou seja, uma característica marcante e inexorável da nossa espécie. Sempre foi assim em todas as civilizações de que se tem notícia, e decerto, ulula, sempre será. Reprimir tal conduta criminalizando-a é tão inútil e incoerente quanto seria o fazer com respeito à procura pelos prazeres do sexo, das artes ou da boa comida. Não importa o que se faça política, legal ou socialmente, o consumo de algo capaz de alterar a percepção psíquica jamais terá fim em nossa sociedade. Ademais, em todas as áreas do que diz respeito ao humano sempre haverá em muitos indivíduos orientações transgressivos, diferentes daquilo que as convenções sociais pregam como normal, e pretender abolir essa natural diversidade comportamental com a sanção de um castigo aos que de algum modo delas divergem é missão que qualquer um com o mínimo de discernimento perceberá como impossível. Como, aliás, tantas vezes já ficou claro em muitos momentos da história humana, e tanto tem sido, vemos, no atual dia a dia, tentar reprimir o irreprimível no mais das vezes o agiganta. 
 
Gugu Keller 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Legalize

Queridos amigos...

Nos próximos dias, 10 a 21 de abril, escreverei posts nos quais elencarei os doze motivos pelos quais sou a favor não apenas da descriminalização, mas da legalização de todas as drogas. Como sempre, todos os comentários, quer de concordância, quer de discordância, serão muito bem-vindos. Uma vez mais, agradeço com extremo carinho a todos os que aqui me alegram e honram com sua presença.
 
Gugu Keller

terça-feira, 7 de abril de 2015

segunda-feira, 6 de abril de 2015

domingo, 5 de abril de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

sexta-feira, 3 de abril de 2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

quarta-feira, 1 de abril de 2015