sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Minhas músicas - "A Prece"

Como é bom vivermos no maior país católico do mundo! Afinal, como tal, somos um povo unido, solidário, honesto, mutuamente respeitoso, um povo que sabe compartilhar entre si com total equanimidade todas as benesses com que a natureza tão gentilmente nos presenteia, uma verdadeira nação de irmãos que, como tanto pregou o fundador de tudo, amam-se indiscriminadamente uns aos outros! E, sobretudo, ainda o citando, em total respeito àquela sua advertência em que ele disse "ai de vós, hipócritas!", somos, para decerto seu orgulho se nos estiver olhando, uma pátria sem lugar para qualquer tipo de hipocrisia humana! Como é bom!

A PRECE

Pai nosso que estás no céu
Dá uma olhada aqui pra esta terra
Veio a nós um reino não teu
Pelo pão vivemos em guerra
Os Judas estão por cima
Madalenas por toda parte
Herodes foi pra Suiça
Pilatos deixou saudade
Tende piedade de nós
Tende piedade de nós

Pai nosso que estás aí
Santificado é o vosso nome
Perdoa as nossas dívidas
Ou nós vamos morrer de fome
Roma cruzou o Atlântico
Tibério falando inglês
Barrabás foi inocentado
E já é candidato outra vez
Tende piedade de nós
Atende, que a maldade é atroz

E sangue a lágrima cai, cruz, versículo, encanto e refém
Em nome do pai, do filho e do espírito santo, amém

Pai
Afasta de mim este cálice
Pai
Calar, calabouço, catálise
Nos templos e altares sagrados
Onde a prece permeia a dor
Felizes os convidados
Para a ceia do senhor
Eis o mistério da fé
Eis o império o que é

Mas dos hipócritas ai, que Jesus Cristo voltando já vem
Em nome do pai, do filho e do espírito santo, amém

Gugu Keller

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Minhas músicas - "O Xote da Xoxota Choca"

Eu queria tentar fazer algo que tivesse um ritmo nordestino extremamente dançante. Creio que, com "O Xote da Xoxota Choca", se não o consegui, ao menos cheguei perto. Trata-se de um espécie de "nonsense" malicioso, que, pelo andamento rápido aliado ao jogo de palavras, é relativamente difícil de se cantar, aquela coisa meio "de dar um nó na língua", sabem? Eu mesmo, quando a canto, ainda dou umas tropeçadas. Mas é justamente daí que vem o seu charme. E gostei muito do resultado. Mas o mais legal é, quando eu a mostro para alguém, ouvir dizerem... "Nossa, Gugu! Mas foi você que escreveu isso???" Sim, fui! Adoro fazer sempre coisas diferentes.

O XOTE DA XOXOTA CHOCA

A xoxota choca encharcava a chuca num xodó no chão
E um muxoxo chato cochichava a Chica cum xaxim na mão
A garota brota via um show xuxando na TV sem som
E, xavecando pique, chacoalhava chique o xote no salão

É o xote, é o xote
É o xote da xoxota choca
É o xaxado da pixoxa, xeca
Perereca treca que sacode e soca
É o xote, é o xote, é o xote
É o xote da xoxota choca
É o maxixe da xereca, xana
Siririca insana que cutuca a toca

Diz que na Paraíba, que pra lá pra riba, que no Piauí
Diz que na Bahia até raiar o dia ninguém vai dormir
E, se toca o xote da xoxota choca, diz que as mulé
Dança tudo doida pra chocar o toco e pôr ele de pé

É o xote, é o xote
É o xote da xoxota choca
É o fuxico da pixoxa, xeca
E, se periga a prega, água de coco e coca
É o xote, é o xote, é o xote
É o xote da xoxota choca
É o futrico da xereca, xana
E em briga de sicrana, quem retruca troca

Gugu Keller

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Minhas músicas - "Suicídio Pop Blues"

Creio que jamais pensei seriamente em suicídio, mas, sim, muitas vezes, em fantasias, ao menos, ainda que de longe, considerei a hipótese. E, se querem saber, e talvez isso seja advocacia em causa própria, já que sei que muitos vêem a idéia como absurda, a verdade é que acredito que, nas devidas proporções, tal tipo de, digamos, divagação, é algo bastante sadio. Sim, isso mesmo! Sabem aquela coisa de, mesmo que jamais sequer cheguemos perto de a usar, termos, em última instância, uma saída de emergência? Isso acalma, desanuvia, encoraja, como não? Será que alguém discordará sob este aspecto? Não há, afinal, situações tão terríveis nesta vida que a imagem de uma cápsula de cianureto no bolso nos ajuda, sim, e muito, a ir adiante? Sim, comigo é assim. Sempre foi assim. Levando a coisa na medida certa, faz-me bem. Seria bem pior, imagino, ver-me numa situação tenebrosa, desesperadora, de que não houvesse nenhuma escapatória concebível, por mais insana que eventualmente fosse.

SUICÍDIO POP BLUES

Desilusão
Desespero, dilema, derrota, decepção
Depressão
Sofrimento, segredo, saudade, separação
Solidão
Já não sinto, não minto, não finjo, não sei, já não sou

Noite de frio
Outra dose, conhaque, cigarro, vertigem, vazio
Meio-fio
Outra dose, conhaque, prozac, parnate, plasil
Rivotril
Outra dose e eu não sinto, não minto, já sei, já me vou

Pular do alto do meu prédio
Deixar o tédio enfim para trás
Nunca mais
Dormir para sempre sob o chão

Dói, isso dói
Martiriza, machuca, tritura, consome, corrói
Como dói
Desbarranca, desmancha, desaba, deságua, destrói
Dor que mói
Já não sinto, perdi, labirinto, já fui, já não sou

Gugu Keller

sábado, 21 de novembro de 2009

Bicicleta

No parque pedala pacato o pequeno poeta
No parque pedala pacato o poeta em paz
O pensamento lhe passa bem perto
Passeando seus pés nos pedais
Transpassa o portão o poeta e a palavra lhe apraz

A ponta da pena o poeta passeia pensando
Passeia a ponta da pena na paz do papel
Possui o poeta a palavra
E pensa profundo e passa
Penetra o poeta e pisa no piso do céu

Passeia o poeta pensando em sua pequena
Aperta o passo o poeta pensando em paixão
Procura perdido o poeta
A porta da sua prisão
Aperta a pequena em seu peito, o poeta e seu pão

Pensou o poeta a palavra e a paz lhe pairou
Pairava a paz no poeta ao piar dos pardais
Só restou a poesia e os pedais
E a dor do poeta parou
No parque pedala pacato o poeta em paz

Gugu Keller

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Palíndromos

Adoro palíndromos! Adoro, adoro, adoro! Tenho o projeto e o sonho de um dia tentar trabalhar num... Entre nós, sem dúvida, o mais famoso é "Socorram-me! Subi no ônibus em Marrocos!"
Fantástico, eletrizante, arrepiante, é um de autoria de Chico Buarque... "Até Reagan sibarita atira bisnaga ereta!" Demais, não? Simplesmente espetacular!
Mas certa vez eu havia lido que esse acima, o do Chico, seria o maior já feito na lígua portuguesa, ao menos no Brasil... Não é verdade! Vejam só este... "Luza Rocelina, a namorada do Manuel Salas, leu na moda da romana: anil é cor azul!"
Infelizmente não sei quem é o autor dessa obra de gênio. Mais infelizmente ainda, não sou eu.
Outros palíndromos interessantes que conheço são... "Anotaram a data da maratona.", "A diva em Argel alegra-me a vida!", "A mala nada na lama!", "A torre da derrota!", "O galo ama o lago!", "O lobo ama o bolo!" e o maravilhoso "O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro!"
Lindo, lindo, lindo! Parabéns aos seus autores! Não sei quem são mas têm em mim um fã!

Ah! Alguém aí não sabe o que é um palíndromo? Então é só ler cada uma dessas frases de trás para frente...!

Gugu Keller

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Minhas músicas - "A Nível De"

Um dia pensei... Já que "a nível de" é a expressão que mais abomino, por que não compor uma canção com esse título para satirizar o linguajar obtuso que ela tão bem simboliza?

A NÍVEL DE

Eu enquanto homem
A nível de debate
Tenho coisas mil a colocar

Ao nível das idéias
Num papo mais cabeça
Proponho opções para reciclar

Enquanto ser humano
Pensando multimídia
Te dou no coffee break um feed-back

Ao nível da pessoa
Na coisa da poesia
Brasil enquanto pátria, big mac

Eu sou mais eu
Você mais você
A nível de tudo
Nada a ver

Eu enquanto ente
Vivente em sociedade
Me vejo inserido em circo e pão

A nível do presente
A vida enquanto fato
É biofilosofia de exceção

Eu sou mais eu
Você mais você
A nível de tudo
Répondez s´il vouz plait

Nós enquanto espécie
Globalizadamente
Temos muito ainda a perceber

Beba coca-cola
Mas use camisinha
Antes um direito que um dever

Eu sou mais eu
Você mais você
A nível de mundo
Tudo a ver

Gugu Keller

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sobre o Amor

A quem se ama o amor de ninguém falta. A quem não, o de ninguém basta.

Gugu Keller