terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Big Brother & George Orwell

Serei eu um sujeito arrogante? Ou mesmo, quem sabe, um chato? É que hoje, dia em que estréia na rede Globo mais uma edição do Big Brother Brasil, sinto renovada a minha enorme dificuldade em entender o sucesso desses tais "reality shows"...! Mas tudo bem... Além do inequívoco fato de que gosto não se discute, creio que, hoje mesmo, no início da tarde, eu até consegui uma pista do porquê de tal fenômeno... É que, no meu horário de almoço, havia um grupo de conhecidos, cinco pessoas ao todo, comentando entusiasmadíssimos a respeito da volta do BBB, já o de número 10, especulando acerca das prováveis novidades, bem como relembrando personagens de outras edições e tal. Aproximei-me e fiquei ouvindo. A certa altura, de tanto ouvir falar em "big brother", ocorreu-me interrompê-los e lhes perguntar, já que sou um fã incondicional da obra de George Orwell, se algum deles sabia o motivo de o programa ter esse nome, "Big Brother"... Horrorizado, tive que, conforme imaginei, nenhum deles o sabia. Quatro ao menos já admitiram de cara que nem sequer faziam idéia. Mas pior foi o outro, que chutou uma besteira que nem tem tamanho...! Ou seja, a única coisa boa que, na minha modesta opinião, tem esse programa, que é remeter ao maravilhoso "1984", era totalmente ignorada por todos! E aí, fiquei pensando... "Nossa! Como podem ignorar uma obra de tamanho vulto, de tamanha importância?" E concluí... "Bom... Acho que isso meio que já explica eles gostarem tanto desse tipo de coisa...!" Terá sido arrogância de minha parte pensar isso? Será que sou um chato, um metido?

De todo modo, para quem não sabe, aqui vai...
"1984", do escritor inglês de origem indiana George Orwell (1903-1950), é, para mim, sem sombra de dúvida, um dos cinco livros mais importantes do século XX! Simplesmente enlouqueceu-me quando o li, tanto que já o reli duas vezes! Escrito nos anos quarenta, ele narra a visão de uma sociedade extremamente totalitária que, decerto influenciado pelo recente horror nazista de então, o autor vislumbrava para o futuro. 1984, o título, é justamente o ano em que a história se passa. Pois bem... Entre inúmeras idéias tão geniais quanto sombrias, uma das principais características desse mundo então futurista imaginário é justamente o fato de que as pessoas são observadas o tempo todo pelas chamadas "teletelas", aparelhos que estão em toda parte, inclusive dentro de todas as residências, que não podem nunca ser desligados. Assim, ao mesmo tempo em que assistem a uma programação que sistematicamente divulga os princípios do regime, todos os cidadãos são diuturnamente vigiados em todas as suas falas e atitudes, e punidos com o extermínio caso motivem qualquer suspeita de subversão ou insubordinação, por mínima que seja. E, quando as "teletelas" não estão exibindo nenhuma programação, elas mostram, severa e imóvel, a imagem do grande líder da nação, o "Grande Irmão" (Big Brother), que está, assim, ininterruptamente, a vigiar todos, pronto a punir com o extermínio qualquer um que ouse contestar a sua total autoridade.
E um detalhe extremamente interessante e inquietante é que o texto não deixa claro se esse tal Grande Irmão realmente existe ou não... Talvez ele seja apenas uma figura criada para simbolizar o poder... Mas preciso me conter! Se eu começar a escrever aqui sobre essa obra que tanto admiro, corro o risco de não parar mais...

Quando, se não me engano, há coisa de uns quinze ou vinte anos, não me lembro em que cidade da Inglaterra, pela primeira vez se utilizou o expediente das câmeras nas ruas para ajudar no combate ao crime, houve muitas vozes que se ergueram para dizer que era a previsão de Orwell que estava se confimando...! E hoje isso é tão comum, não é mesmo?

Por isso, amigos, - tanto os que gostam de assistir ao "Big Brother" quanto os que não - espero apenas que a existência do programa sirva como mote para que todos, ao menos quem ainda não o fez, procurem e leiam "1984", de George Orwell! É uma leitura fascinante, extremamente atual e enriquecedora! Eu sinceramente recomendo!

Gugu Keller

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

País Laico...?

Zapeando outro dia desses, peguei uma discussão num programa qualquer acerca da idéia de se descriminalizar o aborto. Fiquei assistindo um pouco. Não demorou e já entrou uma reportagem mostrando que a igreja é contra. Já repararam como sempre é assim? Discute-se a legalização do aborto e já se diz que a igreja é contra, questiona-se a descriminalização da eutanásia e já vem que a igreja é contra, aventa-se a liberação das drogas mas a igreja é contra...! Aí, pergunto... Mas que diabo? Não somos afinal um país laico? Não é o que diz a nossa constituição? Então, de que afinal interessa a opinião da igreja nesses temas? Será que até nisso temos que ser infiéis à nossa lei maior? É claro que um padre, ou um bispo, ou o que seja, tem, como cidadão, direito de expressar sua opinião sobre essas ou quaisquer outras questões... Mas a igreja? A CNBB? A CNB da PQP? Não dá, né? Como costuma dizer uma grande amiga minha, "me poupe"!

Gugu Keller

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Minhas músicas - "Iceberg"

Sendo, como já disse aqui, um aficionado por imagens paradoxais, fiz, com esta canção, uma espécie de colagem delas. Começando com "ao menos por hoje eu te amo para sempre", uma compreensão tardia que, acredito, tive acerca da intensidade de nossas paixões de adolescência, com que, ao mesmo tempo, procurei referir-me, ainda que indiretamente, às tais "mentiras sinceras" de Cazuza, tentei propor a tese, não menos paradoxal, de que uma mesma coisa pode afinal ser verdadeira e mentirosa conforme o referencial. Costurei então a idéia a uma imagem com que demais me identifico ao analisar a essência humana, o iceberg. Sim, muito por timidez mas muito mais por conta de nossa viciosa e doentia hipocrisia, eis nos icebergs exatamente o que somos. Eis neles como se mostram os nossos sentimentos. Eis nos icebergs. Eis-nos icebergs. Ou será que não?

ICEBERG

Ao menos por hoje eu te amo para sempre
E sempre o dia será o de hoje
Lá longe eu me sinto aqui ao teu lado
E peço-te tudo ficando calado
Eu te amo e isso é apenas a ponta de um iceberg
Que derrete perdido nos mares do sul
Quase nunca eu às vezes jamais tentaria ficar de pé
Flutuando na água azul

Às vezes a dúvida é uma certeza
E a exceção, a única regra
Decerto eu para sempre te amo agora
E sempre o agora ao tempo se entrega
Eu te amo e isso é apenas vapor de um caldeirão
Que vai nuvem virar para mais tarde chover
Nestas minhas palavras só a barbatana do tubarão
A maior parte eu não sei dizer

Paradoxo do tempo para amar
Pára-raios à luz do sol
A camada de ozônio e a calota polar
Corações que disparam
Uma bomba-relógio em nós
E o momento que vai ficar

O amanhã vem chegando e torna-se hoje
E logo, já ontem, se vai no passado
Se ao norte eis a morte um mote eterno
Eu durmo meu sono e sonho acordado
Eu te amo e isso é apenas a ponta de um iceberg
Que derrete nas ondas do teu calor
Se a canção cá acaba, eu sigo a em silêncio cantar com fé
O por ti meu tão grande amor

Gugu Keller

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Solução para o Brasil!!!

Amigooooooooosss!!!!!
Modéstia a parte, ontem, assistindo no telejornal as notícias sobre mais um dia de enchentes e mortes país afora, tive, repentinamente, uma grande, mas uma grande idéia mesmo!!! Meus amigos, achei a solução para o Brasil!!!
É o seguinte...
Como sabem os amigos, e aqui decerto o têm observado, em sendo eu uma pessoa de formação acadêmica jurídica, estou sempre a fazer comentários acerca da clara e inequívoca vocação do nosso pretenso "estado democrático de direito", através das várias instituições que tão desastrosamente o representam, para fazer, contínua e sistematicamente, não obstante suportarmos a tal pretexto a mais alta carga tributária do planeta, exatamente o contrário do que lhes prescrevem a constituição e todas as demais leis que dela derivam, uma inexorável tendência a, sempre e em tudo, negar-nos, a nós, cidadãos, aquilo que, pelo tanto que pagamos, nos seria legal e minimamente devido em contra-partida...!
Pois bem...
Considerando-se, assim, esse inexplicável porém incessante modo de ser das autoridades públicas brasileiras, que sempre, e sempre assim o foi, vemos e sabemos, trabalham às avessas, na contramão do que a lei cogentemente lhes preceitua, como que tomadas por uma espécie de vício compulsivo pelo errado, creio, meus amigos, então, que a solução é simples... Basta que façamos, com urgência, uma nova constituição! Sim! Só que, ao contrário da atual, e das outras que a precederam, uma constituição que obrigue o nosso estado a fazer tudo o que nos é indesejado! Entendem o espírito da coisa? Criemos uma nova ordem legal dentro da qual, a despeito de tantos impostos e mais impostos, o estado brasileiro seja obrigado a nos negar acesso à cidadania a que tanto fazemos jus, que o force a jamais nos proporcionar coisas como um sistema de saúde pública eficiente, ou uma educação pública decente, ou um mínimo de estrutura em termos de segurança, ou de transportes, de saneamento, justiça, etc, um sistema jurídico, enfim, que compulsória e taxativamente preveja que o estado brasileiro, por mais que insaciavelmente arrecade, não nos devolva nada, não retribua com nada, não garanta nenhum direito aos seus cidadãos! Sim, isso mesmo! Que o estado brasileiro doravante, constitucionalmente, fique não apenas desobrigado de qualquer contrapartida àquilo que ele nos obriga, mas literalmente obrigado à sua total e completa negação! Mais ainda, que as nossas instituições sejam, a partir de então, obrigadas por leis severas a fazer com que todos os recursos por elas arrecadados sejam vampirizados, até o último centavo, por uma suja e gananciosa rede de corrupção dentro delas às claras infiltradas! Aí, sim, meus queridos amigos, estou convicto, com essa maravilhosa vocação de todas as nossas instituições, conforme acima citei, de agirem sempre ao contrário do que lhes é legalmente devido, apesar de, nem entendo bem por que, seus representantes insistirem em dizer que somos esse tal "estado democrático de direito", aí, sim, repito, meus amigos, estou muito, mas muito convicto, de que teremos, ao cabo de muito pouco tempo, uma nação de verdade para vivermos, uma nação onde nossos direitos, ainda que legalmente então não sejam mais direitos do ponto de vista formal, sejam, o que é mais importante, minimamente respeitados, trazendo-nos, afinal, alguma chance de dignidade...!
Para exemplificar, poderia essa nossa nova constituição, entre muitas outras coisas, dizer algo assim... "É vedada à união, aos estados e aos municípios toda e qualquer forma de investimento em saneamento básico, sendo de sua conjunta atribuição fomentar a proliferação de todas as doenças disso procedentes." Com um texto constitucional prevendo isso, amigos, sou capaz de apostar como teríamos saneamento básico de primeiro mundo, com a total erradicação de todas as doenças do contrário prevenientes!
Modéstia a parte, não é uma idéia genial? Venceremos o inimigo dando-lhe o seu próprio veneno! Viva o Brasil!

Gugu Keller

sábado, 2 de janeiro de 2010

Três Segundos

Eu já tinha conhecimento havia algum tempo, mas, de todo modo, este dado estatístico foi mundialmente veiculado através de uma campanha organizada por várias personalidades, há coisa de, creio, dois ou três anos, e, repetindo-o para quem ainda eventualmente não o tenha visto ou lido, o fato é que a cada três segundos uma pessoa morre em algum lugar do mundo em decorrência da fome! Sim, isso mesmo! Se você, que me lê agora, não sabia, desculpe-me por dizê-lo assim, mas é a verdade! Uma pessoa morta a cada três segundos em decorrência direta de inanição!
Pois bem... Já que estamos começando um novo ano, vamos fazer aqui uma conta... Acompanhem-me, por favor...
Se uma pessoa morre de fome a cada três segundos, e, se um minuto tem 60 segundos, serão então 20 por minuto, certo? Ok! Agora, se são 20 por minuto, e uma hora tem 60 minutos, temos então 1.200 mortes por hora, não é isso? Correto! Continuando, se um dia tem 24 horas, 24 x 1.200 vai dar 28.800! (Quem não for muito bom de conta, pode acompanhar com uma calculadora, tá?) E, então, a conta final... Um ano tem 365 dias, confere? Quer dizer, 365 multiplicado por 28.800 mortes, serão 10.512.000 mortos de fome! Não é uma beleza? Estatisticamente, tendemos a ter, em 2.010, 10.512.000 pessoas perdendo a vida para a fome!
Então, meus amigos, eu proponho que, principalmente quando virmos nos noticiários os números sobre os gastos das grandes potências mundiais em material bélico, sempre nos lembremos desses números, ok? E tenhamos todos um feliz 2010! Afinal, quem sabe, com um pouco de sorte, essa estatística não tem um viés de baixa e possamos fechar em apenas dez milhões de mortos de fome, não é mesmo? Não custa pensar positivo! Aliás, tem até um lado bom, que é o fato de 2010 não é um ano bissexto, ou seja, só o fato de não ter o 29 de fevereiro já nos poupará 28.800 mortes! Do contrário, a estatística já tenderia para 10.540.800! Fantástico, não? Mas, olhem, que ninguém venha falar em coisas como controle da natalidade, hein? A santa igreja já deixou claro que isso é pecado!

Gugu Keller

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo, Vida Velha

É impressionante, não sei se os amigos concordam, esta vocação que o Brasil tão tristemente parece ter para, logo nos primeiros dias, ou mesmo nas primeiras horas, de todo novo ano que se inicia, deparar-se com terríveis tragédias, como a que ocorreu hoje no estado do Rio de Janeiro e que vimos noticiada assim que ligamos nossas tvs e pcs nesta manhã, que vêm meio que para nos lembrar sempre de que tudo afinal continua igual! Bom... E o que dizer? Será que ainda vale a pena lembrar que mudanças reais só dependem de nós? Não, acho que já não faz mais sentido... Já estamos todos tão cansados de saber, não é mesmo? Só dependem de nós mas teríamos que estar unidos, e isso clara e obviamente nunca vai acontecer...! Enfim...
Apenas, ainda, e para quem também gosta, quero registrar que os acontecimentos deste dia 1º me fizeram lembrar de dois clássicos do rock... Do rock nacional, pensei em "Angra dos Reis", do Legião Urbana, e, do que vem de fora, pensei nos versos de "New Years Day", do U2... "Nothing changes on new year´s day...!"

Gugu Keller

domingo, 27 de dezembro de 2009

Minhas músicas - "Greve Geral"

GREVE GERAL

São seis horas da manhã na Central do Brasil
São seis horas por manhã e o prato sempre vazio

Na fala do papa deus não quer o aborto
Mas Nietzsche é do palpite de que deus está morto
Zaratustra, a cara já não assusta ninguém
Tortura nunca mais, sempre coca-cola
Vagas que se abrem na indústria da esmola
Saia da vida, entre na história e tudo bem

Assassino confesso, congresso e prisão
A ordem, o progresso, o cortiço e o lixão

Mas a história muitas vezes inverte os fatos
Jesus pode ter crucificado Pilatos
Lave as mãos com o sangue que vier da TV
Cultura patchwork de leitura fast food
Pátria third world, presidente Robin Hood
Consumismo, neo-liberalismo e poder

O normal é ser anormal
O legal é ser ilegal
A toda essa hipocrisia declare guerra total
Desigualdade imoral
Civilidade fatal
Contra essa demagogia convoque greve geral

Sexo com preservativo o papa já proibiu
Inconsciente coletivo e sociedade civil

Mas papa que é papa só papa papisa
O número dezoito estampado na camisa
Nostradamus, o fim seria menos bestial
A pátria de chuteiras com o pé no tapetão
Clubes decadentes da primeira divisão
Senhor Godot, o tempo acabou, então é tchau

Se alguém houvesse
Se alguém ouvisse
Se alguém soubesse
Se alguém sentisse

Na linha vermelha traficantes fazem blitz
Bacen e Fort Knox, Febem e Auschwitz
Hoje e sempre o vazio onipresente é o que se faz
Mas dízimo promete salvação e muita grana
Hare hare krishna, hare hare rama
Pai nosso, qual é o céu em que estás?

O normal é ser ilegal
E o legal é ser marginal
A toda essa demagogia declare amor afinal
Desigualdade fatal
Civilidade sem qual
Contra a tua hipocrisia convoque greve geral