sábado, 23 de janeiro de 2010

Dor no Corpo

Outra coisa que é extremamente comum ouvirmos as pessoas falarem e que tenho dificuldade em entender é a "dor no corpo"! Já pensaram nisso, amigos? Fala-se em sintomas da gripe e lá está a dor no corpo! Fala-se em sintomas da dengue e lá vem dor no corpo! Sintomas do stress? Entre outros, dor no corpo! Então eu pergunto... Será que alguma dor pode ser em algum lugar que não o corpo? Bem... Talvez algum kardecista pudesse falar em "dor no espírito"...! Será que é essa a explicação? Mas o pior não é isso... No caso da dor de cabeça, ela costuma ser sistematicamente diferenciada! É só a gente dizer que está com dor, e lá vem a pergunta... "Dor de cabeça ou dor no corpo?" Ou seja, então a cabeça não faz parte do corpo??? Estranho, muito estranho... Eu, ao menos pelo que me lembro, aprendi na escola que o corpo humano se compõe de cabeça, tronco e membros! Será que mudou alguma coisa? Talvez a cabeça tenha passado a ser apenas um acessório... Vai saber...

Gugu Keller

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sintomatologia...

SINTOMATOLOGIA DO PARADOXO HUMANO

O cenário é falso
O salário é falto
O sudário é falso

O dinheiro é falso
Pro doleiro é fácil
Desespero é fato

O esquema é falho
O sistema é frágil
O poema é vago

O sistema bancário
O sistema binário
Passos no cadafalso

Petrolina na cheia
Cajuína pra ceia
Cocaína na veia

Monoblocos e canos
Agrotóxico urbano
Paradoxo humano

Sintomatologia
Sem tomar todo dia
Nada mais me sacia

O cenário é falso
O cinismo é fácil
O sorriso é falso

O sistema viário
Tema do seminário
O poema diário

O senado e o santo
A mentira e o manto
Cegos no santuário

Sintomatologia
Outro deus, outro dia
Fecha os olhos, confia

Passos no cadafalso
Falso noticiário
Passos no calendário

Gugu Keller

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Será que sou um chato?

Às vezes, meio, confesso, por uma certa dose de sarcasmo, mas também, igualmente admito, um pouco por diversão, gosto de questionar através da ironia algumas coisas que as pessoas, por um condicionamento muitas vezes coletivo, falam sem perceber que a rigor não têm sentido. Ou, pior, como no caso que aqui vai, que é até comum, têm exatamente, sem que elas o percebam, o sentido inverso do que na verdade querem dizer...
Eu ia entrando num elevador, quando, pelo saguão de entrada do edifício, vinha, nervoso e apressado, um sujeito meio afeminado. Vendo-me entrar, ele acelerou o passo e, vindo, pôs-se a dizer em voz alta...
- Sobe! Sobe! Sobe!
Eu obviamente ouvi mas continuei na minha. Entrei no elevador e apertei o botão do andar aonde ia. A porta de dentro já ia se fechando quando o tipo, tendo decerto dado uma corridinha, alcançou a de fora e a abriu, impedindo que o elevador subisse. Ele entrou, apertou o botão do seu andar e, suspirando enquanto me olhava feio, perguntou-me com indignação...
- O senhor não ouviu que eu ia subir? Custava esperar um instante?
Respondi-lhe...
- Eu ouvi o senhor gritar "sobe!"! Não foi isso?
- Pois então... Custava esperar?
- Se o senhor tivesse gritado "espera!", eu teria esperado... Como o senhor gritou "sobe!", eu ia obedecer e subir...!
Ele me fuzilou com o olhar de um jeito que não sou capaz de descrever. Depois, parando o elevador no seu andar, saiu pisando firme e sem olhar para trás. Quando a porta se fechou, deu-me vontade de rir...
Mas alguém vai dizer que estou errado? Será que fui "sacana"? Ou será que sou mesmo é um chato?

Gugu Keller

Modos de Expressão

É curioso como as diferentes faixas etárias e camadas sociais têm diferentes maneiras de se expressar dentro do mesmo idioma...
Hoje, em meu horário de almoço, eu estava diante de uma banca de jornais perto do tribunal quando parei para olhar algumas manchetes de primeira página sobre os acontecimentos no Haiti, todas com várias fotos terríveis de cadáveres, destroços e pessoas desesperadas. Dali a pouco, pára um sujeito ao meu lado, aparentando uns vinte e poucos anos, meio mulato, boné na cabeça e vestindo umas roupas bem largas. Tendo também dado uma olhada naquilo, ele se vira para mim e diz...
- É, mano... Esse bagulho aí foi embaçado, hein?
Eu acabei não dizendo nada. Meio surpreso, apenas concordei com a cabeça. Depois fiquei pensando que devia ter dito...
- Pode crer, véio!
Temos que sempre procurar nos adequar, não é mesmo?

Gugu Keller

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti

Pois é... Quanto horror, quanta dor, quanta tristeza... Creio que nem há muito o que dizer... Mas é que ainda fico pensando, sabem? Os amigos chegaram a ler o meu "post" de alguns dias atrás intitulado "Três Segundos"? Nele eu fiz uma reflexão acerca do horripilante fato, não sei se todos têm conhecimento, de que no mundo morre uma pessoa a cada três segundos vítima da fome. Sim, isso mesmo! A cada três segundos, uma vítima fatal da inanição! E, fazendo as contas, referi-me lá ao fato de que isso significa 28.800 óbitos diários, e que, quando este novo ano tiver chegado ao final, mais de dez milhões de pessoas terão perdido a vida neste planeta para a desnutrição...!
Aí, ainda que com um certo receito de que isso soe inoportuno, faço o seguinte raciocínio...
As primeiras estimativas dão conta de que cerca de cem mil pessoas pereceram no terremoto de ante-ontem... É claro que não é um número preciso, não haveria como o ser, mas tomemo-lo apenas como base... E penso que os amigos até já imaginam aonde quero chegar, não? É, a conta é simples! Se 28.800 morrem de fome por dia e cem mil foram as vítimas do terremoto, bastam apenas quatro dias para que aquelas superem estas! Não é isso? Sim, são números irrefutáveis!
Então, não dá para a gente não se perguntar... Por que será que um fato como esse terrível terremoto causa a mobilização e o impacto que estamos vendo, ao passo que a fome, a miséria, que causam mais do que isso a cada quatro dias, ou sete vezes e meia por mês, ou noventa por ano, são coisas que simplesmente passam ao largo das consciências em geral? É claro que o Haiti merece toda a nossa solidariedade, toda a ajuda possível! Mas e os tantos outros Haitis, os Haitis que sacodem e desabam ininterruptamente nas mesmas proporções mundo afora a cada quatro dias? Será que também não a merecem? Não serão estas tragédias de iguais proporções, fatos jornalísticos da mesma magnitude? Hum?
E uma última pergunta que, quase pedindo-lhes desculpas, meus amigos, tenho que fazer... Mesmo com todo o horror que estamos vendo nas telas de nossas tvs e computadores vindos das já tantas reportagens sobre esse horrível episódio, o que, afinal, pensando-se friamente, é mais triste? Cem mil pessoas mortas em razão de um terremoto, ou seja, de uma catástrofe natural, ou o mesmo número, o tempo todo a cada quatro dias, vítimas da fome, da pobreza, da miséria, da indigência, coisas que, como todos estamos cansados de saber, decorrem única e exclusivamente da insaciável ganância humana, da hipocrisia generalizada entre as nações e da total e completa indiferença do ser humano para com o seu próximo? O que é mais triste? Hein? O que?
Pensem com calma sobre isso, meus amigos! Como diz a música de Caetano Veloso, pensem e rezem pelo Haiti! Mas não se esqueçam do quanto ele também é aqui!
E tampouco se esqueçam, amigos, e quem o diz agora sou eu, que, neste mundo, o daqui, a cada quatro dias, há sempre mais um novo, igual ao de ante-ontem, Haiti! Cadáveres, cadáveres e mais cadáveres!

Gugu Keller

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Omelete

Uma ex-colega minha de trabalho (oi, Carla!), segundo depois ela me explicou, estava habituada a que sua mãe preparasse omeletes sempre com algum recheio, fosse presunto e queijo, fosse frango, fosse o que fosse... Pois bem... Certa vez, fomos almoçar num restaurante de comida "por quilo" perto do tribunal e, entre os pratos, havia omelete. Interessada, perguntou ela então ao sujeito que trabalhava ali e que pesava os pratos...
- Moço, por favor, do quê que é esse omelete?
Com um certo ar de indignação, ele olhou bem para a cara dela, depois para a minha, e, seco, nos respondeu...
- De ovo!

Gugu Keller

Besteiras de Balcão

Amigos...

A quantidade de besteiras que eu quase que diariamente ouço ao atender aos advogados e estagiários de direito no tribunal em que trabalho é uma coisa tão absurda, que resolvi que, de hoje em diante, vou postar algumas aqui apenas para que vocês tenham uma idéia... Ontem, por exemplo, uma estagiária que lá apareceu durante a tarde estava indignada porque, segundo disse, as cópias que ela havia solicitado ao setor de reprografia estavam simplesmente "inelegíveis"! Sim, isso mesmo! "Inelegíveis"! Enquanto, nervosa, fazia uma nova solicitação, repetiu-me a palavra umas quatro ou cinco vezes...! Bem... Ao menos, pensei, no dia em que se tornar uma advogada, ela provavelmente terá um ótimo tino para atuar em questões referentes a direito eleitoral, não acham?

Gugu Keller