domingo, 7 de março de 2010

Metrô

Os amigos que aqui vêm já devem ter reparado que sou uma espécie de chato de plantão, sobretudo no que diz respeito à comunicação, às palavras, à língua portuguesa enfim... De fato, estou sempre a criticar as coisas que ouço ou leio em que não vejo sentido... No metrô aqui em São Paulo, por exemplo, de que faço uso diariamente para ir e voltar de meu trabalho, há algo que não me entra na cabeça... Seguinte... Em vários avisos lemos que a saída dos passageiros dos trens deve preceder a entrada dos que vão embarcar, ok? Até aí, perfeito! Mas acontece que, ao mesmo tempo, em outros tantos avisos, está que devemos embarcar pelo lado direito das portas, deixando o esquerdo para quem desembarca...!?! O que me dizem disto? Será que estou ficando louco ou essa simultaneidade entre as duas coisas faz, como me parece, com que ambas percam o seu sentido?

Gugu Keller

Motivo de Saúde...?

Outra expressão sem sentido que comumente se ouve, lá no meu trabalho, por exemplo, com muita freqüência, é que a pessoa precisou faltar por "motivo de saúde"...! Sempre fico pensando comigo... Não terá sido motivo de doença?!? Na verdade parece ser uma outra versão daquele erro tão comum que é dizer "risco de vida" quando o correto obviamente é "risco de morte"! E até o grande Cazuza, em "Ideologia", cometeu esse erro...!!! Se bem que ele podia, não é mesmo?

Gugu Keller

sábado, 6 de março de 2010

Pequena Bela História...

Esta é uma história, pequena e simples mas muito bela, cuja autoria desconheço, que ouvi de minha professora de literatura quando estava no colégio, no ano de 1983. Por incrível que pareça, jamais dela me esqueci. Decerto tocou-me porque desde muito cedo eu já era meio metido a poeta...

"Um homem rico, proprietário de um extenso pomar onde se destacavam frondosas macieiras, apaixonara-se profundamente por uma jovem índia e estava decidido a escrever-lhe um poema. Contudo, por mais que pensasse a respeito, não conseguia encontrar uma rima para a palavra "índia". Certa tarde então, foi ao seu pomar, colheu a mais bela das maçãs que encontrou e dirigiu-se à casa do poeta que havia na na cidade, com quem lá deu à janela. Disse então o rico apaixonado ao poeta...
- Poeta, se me deres uma rima para a palavra "índia", dou-lhe de presente esta suculenta maçã!
O poeta sorriu e, estendendo a mão para a fruta, disse apenas...
- Vinde-a!"

Bonito, não?

Gugu Keller

quinta-feira, 4 de março de 2010

Terceira Idade

Por que será que as pessoas quando ficam velhas, principalmente os homens, adoram ficar se vangloriando de que conseguem pressentir quando vai chover? Se eu chegar lá, espero não ficar assim...

Gugu Keller

quarta-feira, 3 de março de 2010

Homem-hímen

Quando perdi o que nunca tive
Eis a vida num declive
Eis à morte a razão
Quando tornei-me o que sempre fora
Foi-se a mente impostora
Eis enfim só coração

Gugu Keller

terça-feira, 2 de março de 2010

Lá em Casa tem um Poço...

É sempre uma experiência mágica revisitar a obra de grandes poetas e é interessante como no que tange à sua compreensão tudo parece ter seu devido tempo para cada um de nós...
Exemplificando, apenas com a morte de Renato Russo em 1996 e a subseqüente divulgação de que ele tinha aids e o sabia desde 1989, foi que percebi que, na canção "Feedback Song For a Dying Friend", do álbum "As Quatro Estações", justamente daquele ano, 89, ele se dirigia a Cazuza.
Pois bem... É desse mesmo álbum um verso que meio que "me incomodou" por mais de vinte anos, até que, no último fim de semana, como que num estalo, eu finalmente o compreendi...
Trata-se de um verso, na verdade o último verso, da canção "Há Tempos", a que abre o álbum... Sendo extremamente conhecida, um dos hinos da Legião Urbana, alguns trechos dela soam qual verdadeiras epígrafes para todos nós, como "Parece cocaína mas é só tristeza", ou "Há tempos são os jovens que adoecem", ou, ainda, e, talvez, sobretudo, "Disciplina é liberdade". Contudo ela termina com um verso estranho, aparentemente deslocado do restante da letra, cuja compreensão me fugiu durante esses mais de vinte anos, até que, como eu disse, de repente, e até meio de surpresa, no último fim de semana, afinal me surgiu...
Diz o verso... "E ela disse... - Lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa!"
Sim, por mais de vinte anos matutei a respeito. Fundamentalmente, não conseguia entender o nexo da palavra "mas", a idéia do adversativo, indicando ser um problema que a água seja limpa, o que para mim não parecia fazer nenhum sentido. Por outro lado, sem saber por quê, eu não conseguia deixar o questionamento de lado. De algum modo minha intuição me dizia que havia um significado relevante ali. Alguma coisa intencional e caprichosamente oculta.
Pois bem... Vinte e um anos depois, enfim compreendi... Refletindo toda a angústia que ele devia estar sentindo naquele momento tão difícil, como aliás está bem evidente no resto da canção, e também em todo o álbum, e mais ainda nos que o seguiriam, esse verso contém uma idéia suicida... Sim, isso mesmo! Agora me parece claro! É uma especulação sobre como, de que maneira se suicidar...! O poço, que já traz em si a gigantesca imagem simbólica de ter no seu fundo o ápice do desespero, o máximo do sofrimento, da dor, da derrota, seria, também, não raro se vê acontecer, um bom local/meio para alguém dar cabo da própria vida...! Mas este de que se fala não, conclui a canção! Não! Este não serve! Por que? Porque sua água é limpa demais! Sua água não é turva o bastante para que se o considere apropriado para um suicídio! Interessante, não?
E reforça-me a idéia, amigos, uma outra canção, do ábum seguinte, "V", também bastante conhecida, "Vento no Litoral"... Aqui, desta vez quase que de modo escancarado, ele novamente fala de suicídio, e novamente especula cometê-lo através da água, agora não num poço mas no mar... Possivelmente lhe fosse uma espécie de idéia recorrente, sobretudo diante do decerto incomensurável pavor daquele diagnóstico, ainda muito pior naqueles dias do que hoje...

Onde quer que você esteja, Renato Russo, e como você mesmo dizia, "força sempre"! Entre nós tua maravilhosa obra jamais te deixará morrer!

É claro que outras pessoas podem ter interpretações diversas sobre o último verso de "Há Tempos"... De antemão já digo que respeito-as todas e até gostaria muito de as conhecer...!

Gugu Keller

segunda-feira, 1 de março de 2010

Imperfeitos

Diz-se desde sempre, em regra como desculpa ou consolo, que ninguém é perfeito... Mas não será, fico a pensar, que, justamente ao contrário, na verdade o somos todos, cada qual com as suas características?

Gugu Keller