quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tique Taque Tédio

Nada, tédio, idéia, busca, meta, tudo, nada, tédio, idéia, busca, meta, tudo, nada, tédio, idéia, busca, meta, tudo, nada, tédio, idéia, busca, meta, tudo, nada, tédio...

Gugu Keller

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ditos do Indizível

Por mais que soe como algo ingrato, a verdade é que o que mais e antes de mais nada precisaria ser dito é exatamente aquilo que não há como.

Gugu Keller

domingo, 18 de abril de 2010

Who could ask for more?

Aproveito aqui o meu blog para deixar registrado um último desejo para quando de minha morte...
Quero que, no último momento do meu velório antes de sair o enterro, seja tocada em boa altura a música "Dead Man´s Party", da banda norte-americana Oingo Boingo, e que todos os presentes dancem em volta do meu caixão ainda aberto, ok?
Para evitar qualquer dificuldade em se arrumar uma gravação da música, registro também que eu tenho o Cd! É só pegar aqui no meu quarto (os Cds estão organizados por ordem alfabética dos artistas)!

Para quem quiser cantar enquanto dança, a canção é extremamente contagiante, vai aqui a letra do refrão...

I was struck by lightning
Walkin´ down the street
I was hit by something
Last night in my sleep
It´s a dead man´s party
Who could ask for more?
Everybody´s coming
Leave your body at the door
Leave your body and soul
At the door

Que todos se divirtam muito...!

Gugu Keller

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Minhas Músicas - "Fogo-fátuo"

Pelos idos de 1982, 1983, quando eu tinha de 17 para 18 anos, muito antes da onda dos góticos, adorávamos alguns amigos e eu entrar no cemitério à noite para cheirar lança-perfume ou o que fosse. Um deles, um pouco medroso, sempre ficava perguntando... "O que vamos dizer se nos pegam aqui?" E eu respondia... "A gente diz que está tentando ver um fogo-fátuo!" Tempos mais tarde, relembrando com eles daqueles momentos, descobri que ninguém sabia do que eu estava falando... "Que porra de história era aquela tua de fogo fato?" E eu... "Que fogo fato, o quê! Fogo-fátuo!" Contudo, mesmo depois de eu ter explicado então do que se trata, fiquei com a sensação de que eles ainda ficaram na dúvida se a coisa não era uma invenção minha, pois insistiam, para minha surpresa, que jamais haviam ouvido falar a respeito... Foi assim que, meio que para mostrar a eles que isso existe, fiquei com a idéia na cabeça de compor uma música com esse título, "Fogo-fátuo"! Pois bem... Mais algum tempo se passou e, possivelmente influenciado pelo verso "minha vida é um flash", da famosíssima canção "Eva", da banda Rádio Táxi, tive o impulso de cantar que "a vida é só fogo-fátuo", e, a partir daí, a idéia se desenvolveu, resultando neste blues que mistura sensualidade e depressão e que me deixou bastante satisfeito...

Para quem não sabe, fogo-fátuo é uma luz azulada causada pela inflamação espontânea do gás metano resultante da decomposição de corpos, comuns, por isso mesmo, em ambientes como cemitérios, brejos ou pântanos. Folcloricamente é tido como um evento sobrenatural (espiritual ou fantasmagórico) e, mundo afora, recebe alguns outros nomes curiosos, como, por exemplo, em certas regiões aqui do Brasil, o popular "boitatá". Em tempo, eu nunca cheguei a ver. Gostaria muito...

FOGO-FÁTUO

Mais um lugar
Outras luzes, mais um endereço
Mais uma sala de estar
Mais um dia e eu não esqueço
Não, não se vá
Eu te quero de todos os jeitos
De todos os jeitos te amar
Por você já nem sou mais eu mesmo

O mundo é um deserto florido
Onde a vida é só fogo-fátuo
E o amor é a turbina
Que gira o átomo
A noite é um campo minado
Onde eu ando de olhos fechados
E a bomba que explode
É um beijo molhado

Mais uma mesa de bar
Outro copo e eu quase nem sinto
Meu corpo há muito já está
Perdido no teu labirinto
Vem, vem aqui
Eu te quero por fora e por dentro
Por cima, por baixo, do avesso
Eu quero todos os movimentos

O mundo é um pedaço de acaso
Onde a vida é uma folha ao vento
E o amor é o mais belo
Dos sentimentos
A noite é um caminho sem volta
Que eu sigo do nada ao nada
Nossas bocas e mãos
Nossa roupa suada

Gugu Keller

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Amanhojontem"

Freqüentemente desperdiçamos o hoje planejando para o amanhã meios ilusórios de apagar o ontem. Acabamos, então, neste eterno e doentio "amanhojontem", em que, assolados por remorsos e ansiedades que assim se padronizam, restamos incapacitados para o simples, e em princípio necessário, ato de viver só o presente.

Gugu Keller

segunda-feira, 12 de abril de 2010

No Meu Tempo...?

Pode haver coisa mais deprimente, e freqüentemente o ouvimos, do que pessoas idosas que, quando falam sobre coisas do seu passado, utilizam a expressão "no meu tempo"? Acho terrível! Então o seu tempo já acabou, já ficou para trás? Já se dão como mortas? Tomam as dificuldades de se envelhecer já como uma auto exclusão? Tenebroso! Agora ainda é o tempo de todos os que estamos vivos, não importa qual a idade de cada um! Ou não? Para mim ao menos assim será enquanto eu viver! Não importa a quanto eu chegue! 50, 70, 100 ou 200 anos, não importa! Enquanto eu estiver vivo, será o meu tempo! Posso até, quando relembrar o meu passado, usar expressões como "no meu tempo de colégio", ou "no meu tempo de faculdade", ou "no meu tempo de baixista de uma banda de rock", etc... Aí, sim, vá lá! Mas "no meu tempo" genericamente, como se eu já estivesse fora dele, definitivamente não!
Depois que eu morrer, se alguém quiser falar sobre mim, sobre coisas que aconteceram na minha vida, tudo bem, aí podem referir-se ao "meu tempo" como um passado! Mas enquanto estou vivo, enquanto não venha a expirar pela última vez, por favor, "no meu tempo" ainda é agora! E meus pêsames aos que usam a expressão para si próprios!

Gugu Keller

sábado, 10 de abril de 2010

Paradoxalmente

Paradoxalmente, quando as emoções afloram ao máximo, é comum, mesmo sendo decerto o momento propício para se dizer tudo, não conseguirmos dizer nada. É que todo esse tudo, que tanto tudo nos faz sentir todos, é ao mesmo tempo tanto, que tanto também nos faz sentir todo este nada, todo este nosso gigantesco nada em tudo, este nosso gigantesco nada total que em tudo afinal, sim, paradoxalmente, somos. E nada dizemos. Apenas do nada o tudo sentimos.

Gugu Keller