domingo, 26 de setembro de 2010

Precisar / Precisar de

Vou falar sobre um dos erros de portugês mais comuns que observo o tempo todo em toda parte, e que agora, com a campanha eleitoral, simplesmente parece ploriferar sem limites... Todos os dias temos ouvido nas camapanhas televisivas, e, pior, lido nas legendas que acompanham as falas, que fulano é o "governador que o trabalhador precisa", ou que sicrano é o "senador que o povo precisa", ou que beltrano é o "presidente que o Brasil precisa"! Pessoal, pelo amor de deus! Quem precisa, precisa "de" algo! Então, "governador 'de' que o trabalhador precisa", "senador 'de' que o povo precisa", "presidente 'de' que o Brasil precisa!!! Parece que todo mundo se esqueceu do pobre do "de"! E sabem o que é pior? É que, a rigor, a sua omissão, mais do que ser um claro equívoco, ainda muda o sentido da frase! Sim, isso mesmo! Explico... Existe o verbo "precisar" que significa "necessitar", "carecer de", que é o que "pede" o "de" de que estou falando. Mas existe também o que não o "pede", que é o "precisar" no sentido de "dar precisão", de "tornar exato", de "prever ou calcular com acerto". Ou seja, o sentido é outro! Vejam só, meus amigos, o tamanho da lambança...!
E aqui vão outras dicas... É igualmente errado dizer "o futuro que eu sonho", "o ideal que eu acredito" ou "o pouco que eu me lembro"! O correto é "o futuro 'com' que eu sonho", o ideal 'em' que eu acredito" e "o pouco 'de' que eu me lembro"!

Gugu Keller

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Moeda de 4 Lados

Eu meio que te amo. E meio que não. E meio que te odeio. E meio que não.

Gugu Keller

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Caetaneando

Caetano Veloso é para mim o maior nome da música brasileira em todos os tempos. Cometo, contudo, no presente post, a talvez absurda ousadia de fazer uma crítica a um famosíssimo verso de uma de suas mais consagradas obras, "Sampa"... É que, confesso, nunca consegui aceitar muito bem "só quando 'cruza' a Ipiranga e a avenida São João" assim, com o verbo "cruzar" no singular, apesar de até já ter visto o professor Pasquale dizendo que em poesia tal é perfeitamente possível. Não consigo deixar de pensar que teria de ser "cruzam", o que, claro é, não se encaixaria na métrica da melodia. De todo modo, já que estou me permitindo esta incomensurável audácia, eu sugeriria ao grande Caetano uma outra solução... Que tal se se tirasse o "e" do verso, deixando apenas "só quando cruza a Ipiranga a avenida São João"? Não ficaria interessante? Além de gramaticamente perfeito, seria bacana a possibilidade de interpretar a ambas reciprocamente como sujeito e objeto direto ao mesmo tempo, ou seja, uma cruza a outra e a outra cruza a uma...!

Gugu Keller

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Depressão Pré-Eleitoral

Conforme já escrevi aqui, o horário eleitoral gratuito na televisão mostra coisas que indubitavelmente são de se rolar de rir... Por outro lado, contudo, devo dizer que esta época que antecede as eleições sempre me deixa um pouco deprimido, sabem? É que toda essa movimentação de propaganda, debates, acompanhamento do dia a dia dos candidatos pela imprensa etc, serve, creio, acima de tudo, para evidenciar ainda mais o quanto é gigante a nossa estupidez coletiva e, ao mesmo tempo, a total falta de limites no que se refere ao cinismo e à hipocrisia dessa abútrea caterva de escroques que dela lucram gananciosa e descaradamente cada vez mais.

Gugu Keller

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Morre Fulano de Tal

Como algumas vezes já comentei aqui, a língua é tão cheia de fenômenos interessantes... Os amigos já reparam como, curiosamente, as notícias de jornal, sobretudo as manchetes, costumam falar no presente de fatos que já são passado? Sim. Dizem "morre fulano de tal" quando obviamente ele já morreu, ou "líder ganha de goleada e amplia vantagem", quando é claro que o jogo já acabou e ele já ganhou, ou "polícia invade morro e mata chefe do tráfico", quando foi na véspera que invadiu e matou, e por aí vai... Não é interessante? Imagino que isso tenha a ver com tentar dar à notícia um aspecto mais urgente, ou mais atual, ou impactante, enfim... Mas é uma coisa louca, né? Algo semelhante, observo, ocorre em falas de historiadores... "Getúlio, então, naquela fatídica noite de agosto de 54, surpreende a todos e, num gesto extremo, suicida-se com um tiro no peito...!" Ora, ele já não surpreende! E nem se suicida! Ele surpreendeu quando se suicidou! Até porque, como diz a própria fala, foi em agosto de 54! Há mais de 50 anos!!! Coisas da língua... E como, por essas e tantas outras, ela é apaixonante, não?

Gugu Keller

domingo, 19 de setembro de 2010

Metamorfoses Mentais

É impressionante como coisas que fazem todo sentido em determinados momentos de nossas vidas noutros não fazem nenhum.

Gugu Keller

sábado, 18 de setembro de 2010

Amar é...

Uma das coisas que as pessoas mais costumam tentar definir é o que seja amar. O tempo todo ouvimos ou lemos alguém dizer que "amar é isso", "amar é aquilo", "amar é aquilo outro". Sem dúvida, tratando-se de algo tão abstrato, e potencialmente poético, infinitas tendem a ser as definições possíveis. De todo modo, modestamente, fiquei pensando numa de meu punho para postar aqui... Várias idéias vieram-me à mente mas gostei da de que "amar é um etéreo e poderoso alucinógeno que nos faz ver na vida um gratificante sentido que certamente ela não tem".

Gugu Keller