TESTEMUNHA
O meu corpo é apenas uma testemunha
Da minha tamanha ausência
Que perambula e procura por ruas escuras por mim
Minha vida é somente um presente descrente
Em que pende uma alma perdida
Enquanto grita e se agita aflita a fim de um fim
O meu canto é um pranto, um gemido doído
Um ruído que ecoa errante
E que à tôa destoa distante na escuridão
Minha voz, um revólver sem bala
Não diz e nem fala o que tanto queria
Mas se cala na sala vazia do meu coração
Sem sentido é seguir perseguindo um sentido
Tendo sido ver vir que viver vai-se em vão
A cidade, a saudade, a vontade, a vaidade
Ao que invade-me, leve me leva
E a lava que lava alivia o meu vácuo vulcão
Os teus lábios nos meus, fado afagos ateus
Nosso fogo, fulgor, nossa fuga
Nossas línguas, lambidas, saliva, cilada e paixão
Sem sentido é seguir no sentido contrário
Contrassenso antihorário, sudário no chão
Eu na contramão, a minha mão contra o meu peito
Paradoxo perfeito, contradição
Quando nua a lua flutua no céu
Sobre a tua insana insônia
Uma sanha me acena e eu sonho a cena final
Mas se surge e se insurge a em ardor dor que urge
E alarde arde o tarde p'ra tudo
Cá me acudo acuado, desnudo e, ao teu lado, mortal
Gugu Keller
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Antidepressivos
Sei que soará como advocacia em causa própria, mas muitas vezes tendo a pensar que os que tomamos antidepressivos o fazemos devido a uma incômoda e indesejável perfeição em nossa saúde mental que nos leva a, ao contrário da maioria, não conseguir suportar sem tal ajuda a tamanha quantidade de hipocrisias e absurdos com que a realidade cotidianamente nos estapeia a cara!
Gugu Keller
Gugu Keller
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
The Catcher
Morreu hoje nos Estados Unidos, aos 91 anos de idade, o escritor Jerome David Salinger, mais conhecido como J. D. Salinger, cujo trabalho eu muito admiro. Entre outras obras, Salinger é o autor de "The Catcher in the Rye" ("O Apanhador no Campo de Centeio"), para mim um dos dez livros mais importantes do século XX e cuja leitura por demais influenciou em minha formação em meu modo de ver o mundo. Modestamente, presto então a ele esta pequena homenagem neste meu espaço, aplaudindo-o através destas breves palavras por sua brilhante contribuição para a literatura universal.
Gugu Keller
Gugu Keller
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Catalepsia
Ah...
Se, ao menos por algumas horas, eu pudesse dormir para sempre...
E respirar...
Respirar...
Fundo...
... Fim.
Gugu Keller
Se, ao menos por algumas horas, eu pudesse dormir para sempre...
E respirar...
Respirar...
Fundo...
... Fim.
Gugu Keller
domingo, 24 de janeiro de 2010
Minhas Músicas - "Depressão"
Compus esta melancólica balada após ler o livro "O Demônio do Meio-dia - Uma Anatomia da Depressão" de Andrew Solomon. Eu sinceramente gostaria apenas que as não poucas pessoas que todo o tempo falam tantas besteiras sobre esta complexa e vasta questão, ao menos o procurassem ler... Assim, se esta minha pequena e modesta obra ao menos servir para esse, a meu ver, importante despertar, já terá sido para mim um enorme sucesso...!
DEPRESSÃO
O que é que você faz
Quando tudo tanto faz
Quando nada satisfaz
Quando tudo pede o fim?
O que é que você faz quando o tempo já não tem pressa?
O que é que você faz
Se o que era não é mais
O mundo diz que não
E a vida vai ao chão?
O que é que você faz quando o fim finalmente começa?
Só lhe resta acreditar no que é impossível
Só lhe resta esperar o que decerto não vem
Só lhe resta caminhar em círculos
Girar em torno do seu próprio corpo
Ou, quem sabe, tropeçar no caminho de alguém
O que é que você vê
Quando já não há porquê
Quando nada pode ser
Quando tudo quer parar?
O que é que você vê se as janelas estão todas fechadas?
O que é que você diz
Se está tudo por um triz
Quando já não há talvez
E a vida vai de vez?
O que é que você diz quando as portas eis todas trancadas?
Só lhe resta acreditar no que você mais duvida
Só lhe resta duvidar dessa vida em você
Só lhe resta procurar estrelas
Enquanto o vento vai levando as nuvens
E pouco importa se o sol amanhã não nascer
O que é que você é
Quando já não dá mais pé
Quando foi-se toda a fé
E da faca o fio é frio?
O que é que você é se a ferida já não cicatriza?
O que é que você faz
Quando o porto não tem cais
Quando a dose já não traz
E o túnel não tem fim
O que é que você faz se cortar-se já não catalisa?
Só lhe resta apostar no que está já perdido
Só lhe resta inventar uma loucura qualquer
Só lhe resta não abrir os olhos
Ou sair para beber a chuva
E esperar que tudo seja o que o destino quiser
Depressão
CVV? Alô, alô!
Drogadição, descontrole e dor
Gugu Keller
DEPRESSÃO
O que é que você faz
Quando tudo tanto faz
Quando nada satisfaz
Quando tudo pede o fim?
O que é que você faz quando o tempo já não tem pressa?
O que é que você faz
Se o que era não é mais
O mundo diz que não
E a vida vai ao chão?
O que é que você faz quando o fim finalmente começa?
Só lhe resta acreditar no que é impossível
Só lhe resta esperar o que decerto não vem
Só lhe resta caminhar em círculos
Girar em torno do seu próprio corpo
Ou, quem sabe, tropeçar no caminho de alguém
O que é que você vê
Quando já não há porquê
Quando nada pode ser
Quando tudo quer parar?
O que é que você vê se as janelas estão todas fechadas?
O que é que você diz
Se está tudo por um triz
Quando já não há talvez
E a vida vai de vez?
O que é que você diz quando as portas eis todas trancadas?
Só lhe resta acreditar no que você mais duvida
Só lhe resta duvidar dessa vida em você
Só lhe resta procurar estrelas
Enquanto o vento vai levando as nuvens
E pouco importa se o sol amanhã não nascer
O que é que você é
Quando já não dá mais pé
Quando foi-se toda a fé
E da faca o fio é frio?
O que é que você é se a ferida já não cicatriza?
O que é que você faz
Quando o porto não tem cais
Quando a dose já não traz
E o túnel não tem fim
O que é que você faz se cortar-se já não catalisa?
Só lhe resta apostar no que está já perdido
Só lhe resta inventar uma loucura qualquer
Só lhe resta não abrir os olhos
Ou sair para beber a chuva
E esperar que tudo seja o que o destino quiser
Depressão
CVV? Alô, alô!
Drogadição, descontrole e dor
Gugu Keller
Futuro do Pretérito
Outro dia estávamos alguns colegas do trabalho e eu, homens e mulheres, bebendo num bar depois do expediente, quando, a certa altura, nem sei como saiu o assunto, alguém resolveu perguntar a todos quem dali iria a um clube de swing... As mulheres todas disseram que não. Entre os homens a resposta variou. De todo modo, a situação deu-me a oportunidade para comentar com eles, e agora também aqui com os amigos eu o comento, sobre algo que sempre pensei a respeito desse tipo de pergunta... É que não vejo sentido que uma pergunta assim seja feita nesse tempo verbal, o futuro do pretérito, o, como diziam os mais antigos, condicional...! Porque, se pararmos para pensar, a resposta aí será sempre "depende"! Querem ver? Se me perguntarem se eu mataria alguém... Depende! É claro que eu nunca pensei em matar uma pessoa, mas numa situação em que fosse matar ou morrer, eu provavelmente mataria, como qualquer um mataria, não é verdade? Ou se me perguntassem se eu roubaria... Depende! Se eu estiver morrendo de fome e não tiver outra alternativa, creio que sim, como não? Entendem o que quero dizer? Vai ser sempre "depende"! Vamos à pergunta daquela noite... Eu iria a um clube de swing? Ora, depende! Se eu o desejasse e se tivesse uma parceira que igualmente o desejasse, ou seja, se fosse um desejo mútuo a ser levado a cabo de comum acordo, sim, eu iria, por que não? Sempre será "depende"! E é curioso que esse tipo de pergunta é muito comum em entrevistas jornalísticas... Você iria? Como você reagiria? Você tomaria tal atitude? Você diria? Você faria? Depende! Depende, depende, depende! Por isso, quanto a mim, deixo-o claro... Prefiro que me perguntem se faço ou se fiz! Se me perguntarem, seja sobre o que for, se eu "faria", no futuro do pretérito, a resposta será sempre "depende"! O que acham os amigos?
Gugu Keller
Gugu Keller
sábado, 23 de janeiro de 2010
Dor no Corpo
Outra coisa que é extremamente comum ouvirmos as pessoas falarem e que tenho dificuldade em entender é a "dor no corpo"! Já pensaram nisso, amigos? Fala-se em sintomas da gripe e lá está a dor no corpo! Fala-se em sintomas da dengue e lá vem dor no corpo! Sintomas do stress? Entre outros, dor no corpo! Então eu pergunto... Será que alguma dor pode ser em algum lugar que não o corpo? Bem... Talvez algum kardecista pudesse falar em "dor no espírito"...! Será que é essa a explicação? Mas o pior não é isso... No caso da dor de cabeça, ela costuma ser sistematicamente diferenciada! É só a gente dizer que está com dor, e lá vem a pergunta... "Dor de cabeça ou dor no corpo?" Ou seja, então a cabeça não faz parte do corpo??? Estranho, muito estranho... Eu, ao menos pelo que me lembro, aprendi na escola que o corpo humano se compõe de cabeça, tronco e membros! Será que mudou alguma coisa? Talvez a cabeça tenha passado a ser apenas um acessório... Vai saber...
Gugu Keller
Gugu Keller
Assinar:
Postagens (Atom)