quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Caetaneando

Caetano Veloso é para mim o maior nome da música brasileira em todos os tempos. Cometo, contudo, no presente post, a talvez absurda ousadia de fazer uma crítica a um famosíssimo verso de uma de suas mais consagradas obras, "Sampa"... É que, confesso, nunca consegui aceitar muito bem "só quando 'cruza' a Ipiranga e a avenida São João" assim, com o verbo "cruzar" no singular, apesar de até já ter visto o professor Pasquale dizendo que em poesia tal é perfeitamente possível. Não consigo deixar de pensar que teria de ser "cruzam", o que, claro é, não se encaixaria na métrica da melodia. De todo modo, já que estou me permitindo esta incomensurável audácia, eu sugeriria ao grande Caetano uma outra solução... Que tal se se tirasse o "e" do verso, deixando apenas "só quando cruza a Ipiranga a avenida São João"? Não ficaria interessante? Além de gramaticamente perfeito, seria bacana a possibilidade de interpretar a ambas reciprocamente como sujeito e objeto direto ao mesmo tempo, ou seja, uma cruza a outra e a outra cruza a uma...!
E, já que estou caetaneando, uma confissão, desta vez sem crítica... Jamais consegui entender o sentido do verbo "perder" no singular no verso "enquanto os homens exercem seus podres poderes, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos e 'perde' os verdes". Alguém já pensou a respeito? Idéias seriam bem-vindas...

Gugu Keller

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